Geografia — CACD 2022

IADES · CACD – 1ª fase (TPS) · 24 itens · julgue cada item como Certo ou Errado

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A expansão da fronteira agrícola moderna é um evento emblemático da dispersão do meio técnico, científico e informacional em parte do território brasileiro. Denominam-se fronteira agrícola moderna as áreas ocupadas, a partir da década de 1970, por monoculturas intensivas em capital e tecnologia, em substituição à vegetação original (principalmente de cerrado), a culturas tradicionais (praticadas por campesinos e (ou) agricultores familiares) e às áreas de pastagens extensivas.

FREDERICO, Samuel. As cidades do agronegócio na fronteira agrícola moderna brasileira. Caderno Prudentino de Geografia. v. 1, n. 33, p. 5-23, 2011, com adaptações.

Com base nas informações do texto, julgue (C ou E) os itens a seguir.

  1. 1.

    Com uma área superior a 1,2 milhão de quilômetros quadrados, equivalente a um quarto da extensão territorial brasileira, o cerrado possui condições topográficas (planalto, com grandes áreas planas e solos profundos) e climáticas (duas estações do ano bem definidas, uma chuvosa e outra seca, e intensa luminosidade) favoráveis à agricultura moderna.

  2. 2.

    O meio técnico-científico informacional estende-se, de forma homogênea, como manchas ou pontos pelo território brasileiro.

  3. 3.

    Quanto maior a especialização produtiva do campo e o respectivo conteúdo em ciência e informação, maior será a urbanização e a inter-relação entre o campo e a cidade.

  4. 4.

    Motivada por fatores econômicos e geopolíticos, a expansão da fronteira agrícola moderna ocorreu principalmente em direção às áreas de cerrado, também conhecidas como “polígono dos solos ácidos”.

Na otimização da produção e do processamento de commodities agrícolas, a infraestrutura e os serviços logísticos têm o papel de promover a circulação dos produtos nos mercados. Para os agentes econômicos, as ofertas e as demandas por serviços logísticos são imprescindíveis para as articulações socioespaciais do comércio global de soja e seus derivados, inclusive para a economia brasileira.

PEREIRA, L. A. G.; SANTOS, I. J. F.; FERREIRA, W. R. Geografia do comércio de commodities, dinâmicas espaciais da logística de transportes e dos fluxos de exportações do setor de soja no Brasil. Geografia Ensino e Pesquisa, Santa Maria, v. 23, e 3, 2020, com adaptações.

A respeito da logística e do reordenamento do território, julgue (C ou E) os itens a seguir.

  1. 5.

    A comercialização da soja em grão, em farelo e em óleo envolve diversos serviços logísticos, como a armazenagem, o transporte entre as regiões produtoras, as unidades agroindustriais de processamento, a exportação e a entrega nos mercados consumidores.

  2. 6.

    O transporte, o processamento de pedidos e a manutenção de estoques são serviços essenciais à logística de commodities agrícolas, com demanda de recursos financeiros de custeio. O transporte de cargas representa cerca de dois terços dos custos logísticos e de movimentação de mercadorias no mercado global.

  3. 7.

    A regulação dos preços das commodities nos mercados futuros é ancorada na concessão de subsídios, que tem por objetivo manter os preços estáveis e evitar a concorrência desleal e o impacto dos custos dos serviços logísticos no preço final da soja e de seus derivados.

  4. 8.

    O mercado de produtos agroalimentares organiza-se em uma tríade composta por países da Europa Ocidental, dos Estados Unidos da América e do Japão, que controlam a produção e a comercialização de commodities agrícolas, a regulação dos preços desses produtos, bem como a cadeia produtiva e logística do setor.

A trama de ações envolvendo o ambiente está sendo paulatinamente institucionalizada por meio da ordem ambiental internacional, um conjunto de acordos internacionais sobre o ambiente para regular a ação humana na Terra, que passou a influenciar as práticas cotidianas. Nas décadas de 1980 e de 1990, ganhou notoriedade um sistema complexo de instrumentos internacionais tratando de temas ambientais com o objetivo de impedir o avanço da devastação ambiental, regular o acesso aos recursos naturais e, de modo idealista, permitir uma vida melhor para a parcela pobre da humanidade, incluindo os que estão por vir. Ao mesmo tempo, emergiram novas temáticas indicando a necessidade de uma maior reflexão para a busca de alternativas que ampliem as possibilidades de uso do patrimônio ambiental, natural ou não.

RIBEIRO, Wagner Costa. Geografia política e gestão internacional dos recursos naturais. Estudos avançados, v. 24, n. 68, p. 69-80, 2010, com adaptações.

Considerando o texto apresentado, julgue (C ou E) os itens a seguir.

  1. 9.

    Em Estocolmo, foram discutidos aspectos vinculados à poluição atmosférica e foi decidida a criação do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente. (Pnuma), que passou a comandar as discussões ambientais em escala mundial.

  2. 10.

    Outro momento de destaque foi a Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente e Desenvolvimento (Cnumad), realizada no Rio de Janeiro em 1992.

  3. 11.

    A partir da Organização das Nações Unidas, a temática ambiental ganhou mais visibilidade, distinguindo-se um período até a reunião de Estocolmo, realizada em 1972, e outro que se seguiu a ele.

  4. 12.

    As primeiras convenções surgiram no início do século 19, na tentativa de regular a ação predatória em áreas mantidas como colônias pelas metrópoles europeias.

No Brasil, o plantio da cana-de-açúcar foi uma das primeiras atividades econômicas implantadas por Portugal durante o período colonial. Nas décadas seguintes, o Brasil enfrentou contextos de auge e de decadência dessa economia agroexportadora. Mais recentemente, a partir dos anos de 1930, a reorganização da estrutura produtiva do setor agroindustrial canavieiro teve como forte marca a ação do Estado por meio de planos e programas de incentivo. No que tange à dinâmica produtiva recente da atividade canavieira no Brasil, julgue (C ou E) os itens a seguir.

  1. 13.

    Em 1975, foi criado o Programa Nacional do Álcool (Proálcool), que incentivou a produção de etanol anidro e hidratado, além de desenvolver a cogeração de energia por meio do bagaço e da palha da cana-de-açúcar. O Proálcool foi consequência do forte impacto na economia nacional, causado pelos dois choques do petróleo (OPEP) em 1973 e em 1979, respectivamente.

  2. 14.

    A legislação brasileira que estabelece a Política Nacional de Biocombustíveis (RenovaBio) foi criada após a Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2015 (COP 21). Um dos seus objetivos foi criar metas nacionais anuais de descarbonização para o setor de combustíveis, de forma a incentivar o aumento da produção e da participação de biocombustíveis na matriz energética de transportes do Brasil.

  3. 15.

    No ano de 2006, o governo brasileiro, por intermédio do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) e da Secretaria de Produção e Agroenergia, lançou o Plano de Desenvolvimento de Biocombustíveis, inserido no contexto global da busca por novas fontes de energia, sobretudo as renováveis, promovendo a expansão de usinas canavieiras para produção de etanol, consorciadas ao processamento de biodiesel.

  4. 16.

    O Instituto do Açúcar e do Álcool (IAA), criado em 1933, teve forte intervenção estatal, dominando praticamente toda a estrutura do setor, sendo responsável pelo ciclo de produção e comercialização, inclusive de fixação de preços, cotas, exportação e importação. Dessa forma, um dos principais papéis do IAA foi incentivar o consumo e regular o mercado de açúcar e álcool no Brasil.

O clima e a hidrologia têm influência fundamental na ecologia e dinâmica das várzeas amazônicas e nas atividades econômicas das suas populações humanas. Mesmo na região da Amazônia Central, próxima ao Equador, uma distinta sazonalidade da precipitação e de outros parâmetros climáticos podem ser observados [...]. Essa sazonalidade aumenta em direção ao sul e ao norte, respectivamente, resultando na transição da floresta tropical úmida para o bioma savânico do centro-oeste brasileiro (cerrado) no sul e de Roraima (Lavrado) na região Norte do Brasil, do Rupununi (Guiana), e os Llanos (Venezuela) no norte.

JUNK, W. J.; PIEDADE, M. T. F.; WITTMANN, F.; SCHÖNGART, J. Várzeas Amazônicas: desafios para o manejo sustentável. Manaus: Editora do INPA, 2020, com adaptações.

No que se refere à influência do clima e da hidrologia nas dinâmicas do bioma Amazônia no Brasil, julgue (C ou E) os itens a seguir.

  1. 17.

    No bioma Amazônia, os meses mais quentes correspondem ao verão no hemisfério sul (de dezembro a março), estação climática caracterizada por temperaturas médias acima de 30 graus e elevado período de chuvas torrenciais com eventuais estiagens.

  2. 18.

    Na Amazônia, há intensa variação da insolação no transcorrer das estações climáticas do ano. O verão (de dezembro a março) apresenta altos índices de insolação em comparação ao inverno (de junho a setembro), estação em que os dias são mais curtos e com menor radiação solar.

  3. 19.

    O bioma Amazônia tem como elemento natural estruturante o rio Amazonas e seus afluentes, a segunda maior hidrobacia em extensão e volume do mundo.

  4. 20.

    Os rios do bioma Amazônia apresentam sazonalidade nas precipitações e nos pulsos monomodais de inundação; há rios que recebem água do degelo dos Andes e das chuvas e outros abastecidos pela pluviosidade. O ciclo de inundação e vazante impacta as diversas paisagens que compõem o bioma.

Uma das especificidades da leitura que se pode denominar latino-americana sobre o território está ligada ao fato de que ela parte da esfera do vivido, das práticas ou, como enfatizava Milton Santos, do “uso” do território – mas um uso que se estende bem além do simples valor de uso, compreendendo também um expressivo valor simbólico.

HAESBAERT, Rogério. Do corpo-território ao território-corpo (da Terra): contribuições decoloniais. GEOgraphia Niterói, Universidade Federal Fluminense ISSN 15177793 (eletrônico) GEOgraphia, v. 22, n. 48, 2020, com adaptações.

A produção contemporânea da geografia latino-americana tem incorporado elementos do pensamento decolonial. Acerca desse assunto, julgue (C ou E) os itens a seguir.

  1. 21.

    O homem enquanto espécie ou população, em seu caráter coletivo, é entendido como elemento quantitativo e neutro na perspectiva decolonial, pois é agente neutro em relação ao Estado, mas agente político das relações de poder.

  2. 22.

    Em período recente, os estudos latino-americanos da geografia têm desenvolvido elementos anteriormente invisibilizados ou que previamente eram concebidos sob uma perspectiva eurocêntrica.

  3. 23.

    Na geografia decolonial, a representação do território enquanto espaço de vida na América Latina utiliza o termo Pacha Mama como representação simbólica do corpo feminino em analogia à natureza, com destaque ao elemento indígena na América Andina.

  4. 24.

    A colonização da América Latina tem como traço marcante a incorporação da população indígena como agente político do processo de ocupação do território.

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