Geografia — CACD 2019

IADES · CACD – 1ª fase (TPS) · 24 itens · julgue cada item como Certo ou Errado

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Text 5  Heatwaves are killing people 1  In recent days heatwaves have turned swathes of America and Europe into furnaces. Despite the accompanying blast of headlines, the implications of such 4 extreme heat are often overlooked or underplayed. Spectacular images of hurricanes or floods grab attention more readily, yet heatwaves can cause more deaths. Heat is 7 one of climate change’s deadliest manifestations. Sometimes its impact is unmistakable — a heatwave in Europe in 2003 is estimated to have claimed 70,000 lives. 10 More often, though, heatwaves are treated like the two in the Netherlands in 2018. In just over three weeks, around 300 more people died than would normally be expected at that 13 time of year. This was dismissed as a “minor rise” by officials. But had those people died in a flood, it would have been front-page news. 16  The havoc caused by extreme heat does not get the attention it merits for several reasons. The deaths tend to be more widely dispersed and do not involve the devastation of 19 property as do the ravages of wind and water. Moreover, deaths are not usually directly attributable to heatstroke. Soaring temperatures just turn pre-existing conditions such 22 as heart problems or lung disease lethal.  Heatwaves will inevitably attract more attention as they become more frequent. As greenhouse gases continue to 25 accumulate in the atmosphere, not only will temperatures rise overall but extremes of heat will occur more frequently. Britain’s Met Office calculates that by the 2040s European 28 summers as hot as that of 2003 could be commonplace, regardless of how fast emissions are reduced. Urbanisation intensifies the risk to health: cities are hotter places than the 31 surrounding countryside, and more people are moving into them.  The good news is that most fatalities are avoidable, if 34 three sets of measures are put in place. First, people must be made aware that extreme heat can kill and warning systems established. Heatwaves can be predicted with reasonable 37 accuracy, which means warnings can be given in advance advising people to stay indoors, seek cool areas and drink plenty of water. Smart use of social media can help. In 2017 40 a campaign on Facebook warning of the dangers of a heatwave in Dhaka, Bangladesh’s capital, reached 3.9m people, nearly half the city’s population. 43  Second, cool shaded areas and fresh water should be made available. In poor places, air-conditioned community centres and schools can be kept open permanently. In Cape 46 Town, spray parks have been installed to help people cool down. Third, new buildings must be designed to be resilient to the threat of extreme heat and existing ones adapted. 49 White walls, roofs or tarpaulins, and extra vegetation in cities, all of which help prevent heat from building up, can be provided fairly cheaply. A programme to install “cool 52 roofs” and insulation in Philadelphia reduced maximum indoor temperatures by 1.3˚C.  It is a cruel irony that, as with other effects of climate 55 change, the places that are hardest hit by heatwaves can least afford to adapt. In poor countries, where climates are 57 often hotter and more humid, public-health systems are weaker and preoccupied with other threats. Often, adaptation to extreme heat is done by charities if it is done at all. Particular attention should be paid to reaching both remote areas and densely populated urban ones, including slums where small dwellings with tin roofs packed together worsen the danger that uncomfortably high temperatures 64 will become lethal.  Adaptation is not an alternative to cutting emissions; both are necessary. But even if net emissions are reduced to zero this century, the persistence of greenhouse gases in the atmosphere means that heatwaves will continue to get worse for decades to come. As the mercury rises, governments in rich and poor countries alike must do more to protect their populations from this very real and quietly deadly aspect of climate change.

Heatwaves are killing people. Available at: <www.economist.com>. Retrieved on: Aug. 22. 2019, with adaptations.

O avanço da divisão técnica e territorial do trabalho e as transformações decorrentes das novas formas de comunicação ampliaram a organização em redes – de produção e distribuição, de prestação de serviços, de gestão política e econômica – cujos nós são constituídos pelas cidades.

Nesse contexto, a rede urbana brasileira definida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a partir do estudo Regiões de Influência das Cidades – REGIC (2007), destaca a concepção da complexidade das relações e interações espaciais entre as cidades brasileiras em suas diferentes tipologias e redes de influência entre centros urbanos, em alguns contextos de proximidade ou até mesmo de distância.

IBGE. REGIC. Rio de Janeiro, 2008, p. 9, com adaptações.

Rede Urbana do Brasil, 2007 (IBGE. REGIC. Rio de Janeiro, 2008, p. 12)

Mapa “Rede Urbana do Brasil, 2007” (IBGE/REGIC): hierarquia dos centros urbanos — São Paulo como Grande Metrópole Nacional; Rio de Janeiro e Brasília como Metrópoles Nacionais; Manaus, Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Goiânia, Curitiba e Porto Alegre como Metrópoles —, com linhas que ligam cada centro às cidades de sua região de influência e um detalhe ampliado do eixo São Paulo–Rio de Janeiro.

A esse respeito, com base nas informações do texto e considerando a imagem da rede urbana brasileira apresentada, julgue (C ou E) os itens a seguir.

  1. 1.

    As cidades são economias abertas em que as estruturas produtivas têm ampla mobilidade e capacidade de transformação. A rede urbana brasileira apresenta um conjunto expressivo de cidades de porte médio, que desempenham papéis importantes na dinâmica atual do território brasileiro.

  2. 2.

    São Paulo e Rio de Janeiro, maiores centros urbanos e principais centros financeiros e empresariais do Brasil e da América do Sul, são denominados metrópoles internacionais ou cidades mundiais pela respectiva influência sobre a vasta extensão do território brasileiro e sulamericano.

  3. 3.

    Brasília, pela própria função de capital da República, detém papel importante na gestão federal e na articulação entre as regiões brasileiras, sendo considerada uma metrópole de influência nacional.

  4. 4.

    A ocupação rarefeita da Amazônia brasileira apresenta urbanização limitada a duas grandes cidades médias, Belém e Manaus, e uma rede dispersa de pequenas cidades de influência apenas local.

Conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil apresenta, no ano de 2019, uma população total de aproximadamente 210 milhões de habitantes. Esse número expressivo revela questões importantes a respeito da distribuição da população pelo território nacional, bem como das implicações para a configuração intraurbana das cidades brasileiras, já que cerca de 84% da população vive em espaços urbanos. Com base nessa informação, julgue (C ou E) os itens a seguir.

  1. 5.

    O fator metropolitano ganha expressão na política pública brasileira na década de 1970, com a criação das primeiras regiões metropolitanas no ano de 1973. A partir da Constituição Federal de 1988, a criação das regiões metropolitanas passou do âmbito federal para a competência dos estados.

  2. 6.

    As questões relacionadas à mobilidade urbana têm afetado, de forma negativa, a gestão e a capacidade competitiva das metrópoles brasileiras. A distância significativa entre bairros residenciais e as áreas centrais, concentradoras da oferta de postos de trabalho, tem gerado perdas de tempo e de recursos que afetam grande parte da população nessas metrópoles.

  3. 7.

    As metrópoles brasileiras, em geral, têm apresentado um quadro de esvaziamento demográfico e desconcentração produtiva, perdendo população para novos centros dinâmicos: as cidades médias, que têm crescido em ritmo acelerado, recebendo infraestruturas produtivas e fluxos migratórios provenientes das regiões metropolitanas.

  4. 8.

    Metrópole pode ser definida conceitualmente como espaços urbanos complexos e de grande extensão territorial e demográfica, acima de um milhão de habitantes e com diversos municípios de diferentes tipologias, tamanhos e níveis de integração, o que define o caráter metropolitano dessas aglomerações.

No que se refere às transformações recentes na Região Nordeste, considerando as iniciativas de planejamento regional, julgue (C ou E) os itens a seguir.

  1. 9.

    Criada no Governo de Juscelino Kubitschek, a Superintendência de Desenvolvimento da Região Nordeste (Sudene) foi extinta definitivamente no Governo Fernando Henrique Cardoso. O encerramento das atividades da Sudene representou o fim de um ciclo de políticas públicas voltadas para o combate às disparidades regionais no Brasil.

  2. 10.

    Os focos dinâmicos da agricultura moderna no sertão nordestino estão diretamente associados à construção de perímetros públicos irrigados, tais como o de Nilo Coelho (PE), Curaçá (BA) e Tabuleiro de Russas (CE).

  3. 11.

    Nas primeiras décadas do século 21, a Região Nordeste desenvolveu uma maior capacidade de resiliência frente ao fenômeno da seca. Contribuíram para esse quadro, entre outros fatores, os investimentos em infraestrutura, permanência de políticas hidráulicas, novas políticas de convivência com a seca, urbanização da sub-região semiárida, maior capilaridade das políticas sociais de transferência de renda e políticas de crescimento econômico.

  4. 12.

    O modelo de desenvolvimento industrial empregado por muitos estados da Região Nordeste priorizou a adoção de estratégias de atração de indústrias externas com financiamentos públicos via benefícios fiscais para a atração de unidades industriais.

A radical transformação ocorrida no padrão demográfico constitui uma das mais importantes modificações estruturais verificadas na sociedade brasileira, com reduções na taxa de crescimento populacional e alterações na estrutura etária, o que implicou no crescimento mais lento do número de crianças e adolescentes, paralelamente ao aumento da população em idade ativa e da população idosa.

SIMÕES, Celso Cardoso da Silva. Relações entre as alterações históricas na dinâmica demográfica brasileira e os impactos decorrentes do processo de envelhecimento da população. Rio de Janeiro: IBGE, 2016.

Considerando o texto apresentado, com relação à estrutura e à dinâmica da população brasileira, julgue (C ou E) os itens a seguir.

  1. 13.

    A fase atual de transição demográfica, também chamada de novo padrão demográfico brasileiro, é o resultado de intensas mudanças na dinâmica populacional – sobretudo no padrão reprodutivo da mulher brasileira, mais especificamente nos baixos níveis de fecundidade, o que deve ser visto como um fenômeno que ultrapassa o campo de interesse apenas demográfico e tem impactos econômicos e nas políticas públicas. Nesse sentido, nas últimas décadas, o que vem sendo observado é um gradual decréscimo da taxa de crescimento da população brasileira.

  2. 14.

    As grandes transformações no padrão demográfico brasileiro começaram a ocorrer a partir da década de 1920, quando se nota um acelerado declínio dos níveis gerais de mortalidade, não acompanhado por um concomitante declínio da natalidade. Cabe mencionar, entre as causas que levaram à rápida redução da mortalidade, o impulso dado ao sistema de saúde pública, à previdência social, à infraestrutura urbana e à regulamentação do trabalho nas principais regiões do País a partir daquela década, bem como os avanços da indústria farmoquímica.

  3. 15.

    Ao final dos anos de 1960, e principalmente durante a década de 1970, as transformações em curso na sociedade brasileira levaram a importantes alterações no comportamento reprodutivo. Entre essas transformações na sociedade, destacam-se: os fortes deslocamentos migratórios do campo para a cidade, levando à intensificação e à diversificação da urbanização; os avanços do processo de assalariamento da economia, com o engajamento crescente da mulher no mercado de trabalho urbano; e a disseminação de um modelo econômico voltado para o consumo de bens duráveis, em íntima associação com a generalização das relações de mercado e a elevação dos custos de reprodução familiar e social.

  4. 16.

    Até o final da década de 1970, a estrutura etária da população brasileira era sobretudo jovem. A tendência de estreitamento da base da pirâmide etária nas próximas décadas sugere que a participação do grupo de crianças e adolescentes de 0 a 14 anos de idade, que se manteve estável no total da população entre 1940 e 1970, iniciou, a partir de então, um processo de declínio. Tal queda se contrapõe ao incremento observado, não só nos grupos de idades adultas, mas também no grupo de idosos de 60 anos de idade ou mais, cujas participações vêm crescendo, no transcorrer dos últimos anos, apenas em termos absolutos.

O agronegócio no Brasil é bastante dependente da comercialização de commodities em mercados internacionais. A respeito da balança comercial de produtos agropecuários entre Brasil e China, julgue (C ou E) os itens a seguir.

  1. 17.

    A China exerce um papel importante no comércio internacional de alimentos no mundo e é o quarto país no ranking de exportação. No entanto, as trocas comerciais de produtos agropecuários com o Brasil ainda não apresentam valores significativos.

  2. 18.

    O comércio bilateral entre Brasil e China envolvendo produtos agropecuários é bastante longevo. Não obstante o aumento dos volumes e dos valores exportados, o patamar de exportações brasileiras manteve-se estável no século 21 com variação entre 5% e 10% do total exportado para a China. Ou seja, as principais modificações ocorridas estão relacionadas mais diretamente à diversificação de produtos com destaque para o crescimento explosivo da exportação de soja em grão em detrimento do açúcar e do café.

  3. 19.

    O escândalo da Carne Fraca não foi suficiente para abalar a liderança e o protagonismo do setor na balança comercial de produtos agropecuários entre Brasil e China. Uma explicação direta do sucesso da exportação de carnes para o país asiático é o aumento contínuo da demanda por proteína animal, bem como o avanço recente do número de casos da peste suína em 2019.

  4. 20.

    A guerra comercial envolvendo China e Estados Unidos causou repercussões diretas no comércio bilateral de produtos agropecuários do Brasil com o país asiático. O efeito mais visível foi o aumento substancial da comercialização de grãos (soja) a partir de 2018.

O terreno em que vivemos sempre nos moldou. Ele moldou as guerras, o poder, a política e o desenvolvimento social dos povos que habitam hoje todas as partes da Terra. A tecnologia talvez pareça superar as distâncias entre nós no espaço mental e físico, mas é fácil esquecer que o terreno em que vivemos, trabalhamos e criamos nossos filhos é importantíssimo, e que as escolhas dos que dirigem os sete bilhões de habitantes deste planeta serão sempre moldadas, em alguma medida, por rios, montanhas, desertos, lagos e mares que nos restringem – e sempre o fizeram.

[...] Em termos gerais, a geopolítica examina as maneiras pelas quais os assuntos internacionais podem ser compreendidos por meio de fatores geográficos; não somente a paisagem física – as barreiras naturais ou conexões de redes fluviais, por exemplo –, mas também clima, dados demográficos, regiões culturais e acesso a recursos naturais. Fatores como esses podem ter um importante impacto sobre aspectos diferenciados de nossa civilização, de estratégia política e militar a desenvolvimento social humano, incluindo língua, comércio e religião.

As realidades físicas que sustentam a política nacional e internacional são desconsideradas, com demasiada frequência, tanto quando se escreve a respeito de história quanto na cobertura contemporânea da mídia acerca dos assuntos mundiais. A geografia é claramente uma parte do “por quê”, bem como de “o quê”. Ela pode não ser o fator determinante, mas, com certeza, é o mais subestimado.

MARSHALL, Tim. Prisioneiros da Geografia: 10 mapas que explicam tudo o que você precisa saber sobre política global. Rio de Janeiro: Ed. Zahar, 2018, p. 12-13, com adaptações.

Com base nas relações entre a geografia e a política, julgue (C ou E) os itens a seguir.

  1. 21.

    A Rússia, o maior país do mundo, é aproximadamente duas vezes maior que os Estados Unidos da América (EUA) ou a China e cinco vezes maior que a Índia. Estendendo-se por cerca de 170° de longitude, possui ampla fronteira terrestre com países europeus e asiáticos, bem como fronteiras marítimas com o Japão e os EUA. A profundidade territorial russa, que dificultaria ataques de potências marítimas, aliada à existência de recursos naturais e energéticos e de um relevo predominantemente plano, inspiraram Harlford Mackinder a formular a teoria da Área Pivô.

  2. 22.

    Os EUA consolidaram a respectiva massa territorial ao longo do século 19 e desenvolveram, durante o século seguinte, um poderio naval bioceânico, apoiado em bases navais e militares em ilhas do Atlântico e do Pacífico. O desenvolvimento de uma “marinha de águas azuis” estadunidense, inspirada pela teoria do poder marítimo de Mahan, teve como meta impedir eventuais invasões, sobretudo pela costa do Pacífico, região relativamente carente de barreiras físicas de porte, que pudessem servir de obstáculo natural ao acesso às áreas produtoras de alimentos do meio-oeste e aos grandes centros urbanos-industriais do leste.

  3. 23.

    As fronteiras modernas da China, com base em uma coerência geográfica – relevo e hidrografia –, garantem ao país pressupostos defensivos e comerciais eficazes. A Iniciativa Belt and Road, por sua vez, é uma estratégia para estabelecer fluxos de abastecimento energético inter e intracontinentais eficientes, com o objetivo de contornar os entraves físicos (estreitos, ilhas, entre outros) à navegação marítima chinesa, uma vez que a política de defesa do país privilegia o poderio territorial em detrimento de investimentos para o desenvolvimento de uma força naval capaz de atuar em águas internacionais.

  4. 24.

    A atual fronteira sinoindiana é exemplo da falta de predominância de elementos naturais que dificultam o avanço de grandes colunas militares pelo território, tendo em conta que a rede hidrográfica que separa os dois países tem como sentido predominante o noroeste-sudeste. No entanto, o peso demográfico, aliado ao poderio nuclear desenvolvido por ambos os países a partir da segunda metade do século passado, desestimulou conflitos armados de grande escala entre a China e a Índia ao longo dos séculos 20 e 21, apesar de disputas fronteiriças recorrentes no sul e sudeste da Ásia.

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