Língua Portuguesa — CACD 2014
CESPE/UnB · CACD – 1ª fase (TPS) · 56 itens · julgue cada item como Certo ou Errado
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Cadastre-seEmanuel Araújo. A construção do livro: princípios da técnica de editoração. Rio de Janeiro: Nova Fronteira; Brasília: INL, 2000, p. (com adaptações).
No que se refere aos sentidos do texto de E. Araújo, julgue (C ou E) os itens subsequentes.
- 1.
No sexto parágrafo (l.38-54), o autor remete à ideia de licença poética, que está associada, no texto, ao despertar da consciência dos escritores quanto à forma de suas obras.
- 2.
Infere-se da argumentação de Oriana Fallaci que, para a escritora, “um diálogo que determina um diálogo” (l.17-18) corresponde à forma de se concentrar cada fala em um bloco paragráfico, iniciado por travessão.
- 3.
Depreende-se do texto que a escritora Oriana Fallaci protestou contra a formatação de seu original traduzido porque almejava, com a obra Um homem, ficar conhecida por sua técnica inovadora na apresentação de diálogos, integrando estilo e forma.
- 4.
Depreende-se das ideias desenvolvidas no trecho da citação de Roland Barthes que o sentido de “valor-gênio” (l.53) relaciona-se à obra cuja forma não exige muito trabalho e em cujo valor prevalece o talento do autor.
Antonio Candido. A vida ao rés do chão. In: Recortes. São Paulo: Companhia das Letras, 1993, p. (com adaptações).
Ainda em relação ao texto, julgue (C ou E) os itens subsequentes.
- 5.
As formas verbais “imagina” (l.1), “atribuir” (l.4) e “servir” (l.8) foram utilizadas como verbos transitivos indiretos.
- 6.
No trecho “Principalmente porque elabora uma linguagem que fala de perto ao nosso modo de ser mais natural” (l.12-14), o autor indica que a crônica e a linguagem falada é a que consegue a mais perfeita comunicação literária.
- 7.
Há elementos no texto que permitem deduzir que, segundo o autor, a crônica será um gênero maior quando o Prêmio Nobel for concedido a um cronista.
- 8.
No trecho “certa profundidade de significado e certo acabamento de forma” (l.16-17), o adjetivo “certo” e sua forma flexionada no feminino foram utilizados com o sentido exato, preciso, correto.
Helena Bomeny. Um poeta na política – Mário de Andrade, paixão e compromisso. 1.ª ed., Rio de Janeiro: Casa da Palavra, 2012, p. 71-2 (com adaptações).
No que concerne a aspectos gramaticais do texto acima, julgue (C ou E) os próximos itens.
- 9.
No excerto entre parênteses (l.5-8), em que predomina a função poética da linguagem, é exemplo de construção sintática típica da linguagem coloquial: ‘e desgraçadamente está certo, essa é a lei dos homens.’
- 10.
Depreende-se das ideias do texto que a criação do slogan “São Paulo, a locomotiva puxando os vagões” foi motivada pela atitude bairrista da intelectualidade paulista, como demonstra o predicativo ‘diferentes mesmo’ (l.10) atribuído aos paulistas, para ressaltar-lhes a superioridade em relação à população dos outros estados brasileiros.
- 11.
Com base na prescrição gramatical, pode-se classificar a partícula “se”, no trecho “se irradiaria como política e como orientação pelo país” (l.11-12), tanto como apassivadora quanto como reflexiva; no entanto, ao se considerar a relação entre esse segmento e a expressão metafórica ‘a locomotiva puxando os vagões’ (l.13), a opção recai na classificação do verbo como pronominal.
- 12.
Na linha 26, a forma preposicional contraída ‘pra’ introduz um dos complementos da forma verbal ‘daria’.
Improviso do mal da América
Mário de Andrade. De pauliceia desvairada a café (Poesias Completas). São Paulo: Círculo do Livro S.A., p. 209-10.
Com base no excerto do poema Improviso do mal da América, de Mário de Andrade, julgue (C ou E) os próximos itens.
- 13.
No trecho “E como sempre entre eles tem sempre um que manda sempre em todos,/Tudo calou de supetão, e no ar amulegado da noite que sua...” (v.20 e v.21), o conector “como” introduz uma oração subordinada que expressa a causa de tudo se calar “de supetão”.
- 14.
No verso “As mulheres fumam feito chaminés sozinhas” (v.18), a posição do adjetivo resulta em ambiguidade estrutural.
- 15.
Os vocábulos “amorosos” (v.5) e “suspirado” (v.16) mantêm o mesmo tipo de relação sintática com os verbos que os precedem.
- 16.
No verso “E faça tudo ir indo de rodada mansamente” (v.3), o poeta utilizou a redundância como recurso expressivo, como evidencia o caráter expletivo da forma de infinitivo “ir”.
Gilberto Freyre. Eça, Ramalho como renovadores da literatura em língua portuguesa. In: Alhos & Bugalhos. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1978, p. (com adaptações).
Em relação ao texto acima, julgue (C ou E) os itens seguintes.
- 17.
O autor do texto manifesta incondicional apoio à tese de José Lins do Rego sobre Fialho de Almeida, como evidencia a expressão “em ensaio admirável” (l.1).
- 18.
Fialho de Almeida e Ramalho Ortigão são os “dois grandes críticos” (l.9) que não demonstraram nem complacência nem conservadorismo em relação à necessidade de recuperar aspectos da língua e da literatura de Portugal.
- 19.
Depreende-se do texto que Eça de Queirós reagiu radicalmente contra o francesismo, Ramalho Ortigão estava farto do republicanismo (l.16-19) e nenhum dos dois, na opinião de Gilberto Freyre, demonstrou ser inflexivelmente telúrico.
- 20.
Para o autor, Portugal não participara integralmente dos resultados trazidos pela Revolução Industrial e pela “civilização carbonífera” (l.23), ou seja, civilização fundamentada na violência das lutas operárias.
Improviso do mal da América
Mário de Andrade. De pauliceia desvairada a café (Poesias Completas). São Paulo: Círculo do Livro S.A., p. 209-10.
A respeito do excerto acima, extraído do poema Improviso do mal da América, de Mário de Andrade, julgue (C ou E) os itens subsequentes.
- 21.
A hostilidade do eu lírico com os inúmeros migrantes que chegam a São Paulo tem como contraponto a acolhida a todos eles no “quarto de hóspedes acolhedor da Sulamérica” (v.12).
- 22.
Os versos de 1 a 9 expressam a inanição do eu lírico resultante do desejo de “tudo ir indo de rodada mansamente” (v.3).
- 23.
Na descrição de alguns hábitos dos estrangeiros que chegam a São Paulo, predomina a perspectiva da cultura brasileira, como se verifica principalmente nos versos “Detestam caninha, detestam mandioca e pimenta,/Não dançam maxixe, nem dançam catira, nem sabem amar suspirado” (v.15 e v.16).
- 24.
No primeiro verso do excerto, o eu lírico associa a percepção de se sentir branco ao pertencimento de realidades desconhecidas.
Texto II 1 Por mais que se escoem coisas para a lata do lixo, clipes, cãibras, suores, 4 restos do dia prolixo, por mais que a mesa imponha o frio irrevogável do aço, 7 combatendo o que em mim contenha a linha flexível de um abraço, sei que um murmúrio clandestino 10 circula entre o rio de meus ossos: janelas para um mar-abrigo de marasmos e destroços. 13 Na linha anônima do verso aposto no oposto de meu sim, apago o nome e a memória 16 num Antônio antônimo de mim.
Antonio Carlos Secchin. Autoria. In: Todos os ventos. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2002, p. 61-2.
Em relação ao poema acima, julgue (C ou E) os itens subsequentes.
- 25.
Em “aposto no oposto de meu sim” (v.14), a função da palavra “aposto”, tal como se lê no verso, é especificar ou explicar um elemento do texto.
- 26.
O autor estabelece uma oposição entre “linha flexível” (v.8) e “linha anônima” (v.13) para demonstrar que a autoria do poema é indeterminada ou questionável.
- 27.
No verso “num Antônio antônimo de mim” (v.16), o poeta explora o fato de que tanto “Antônio” quanto “antônimo” compartilham a mesma raiz etimológica, que indica oposição, como em antissemita e antialérgico.
- 28.
Para reforçar as noções do combate contra si mesmo e da consciência de “um murmúrio clandestino” (v.9), o autor evita a utilização de rimas.
Texto I 1 Quanto a mim mesma, sem mentir nem ser verdadeira — como naquele momento em que ontem de manhã estava sentada à mesa do café — quanto a mim mesma, sempre 4 conservei uma aspa à esquerda e outra à direita de mim. De algum modo “como se não fosse eu” era mais amplo do que se fosse — uma vida inexistente me possuía toda e me ocupava 7 como uma invenção. (...) Enquanto eu mesma era, mais do que limpa e correta, era uma réplica bonita. Pois tudo isso é o que provavelmente 10 me torna generosa e bonita. Basta o olhar de um homem experimentado para que ele avalie que eis uma mulher de generosidade e graça, e que não dá trabalho, e que não rói um 13 homem: mulher que sorri e ri. Essa imagem de mim entre aspas me satisfazia, e não apenas superficialmente. Eu era a imagem do que não era, e 16 essa imagem do não ser me cumulava toda: um dos modos mais fortes é ser negativamente. Como eu não sabia o que era, então “não ser” era a minha maior aproximação da verdade: pelo 19 menos eu tinha o lado avesso: eu pelo menos tinha o “não”, tinha o meu oposto. O meu bem eu não sabia qual era, então vivia com algum pré-fervor, o que era o meu “mal”.
Clarice Lispector. A paixão segundo G. H. Rio de Janeiro: Editora do Autor, 1964, p. 30-1 (com adaptações).
Texto II 1 Por mais que se escoem coisas para a lata do lixo, clipes, cãibras, suores, 4 restos do dia prolixo, por mais que a mesa imponha o frio irrevogável do aço, 7 combatendo o que em mim contenha a linha flexível de um abraço, sei que um murmúrio clandestino 10 circula entre o rio de meus ossos: janelas para um mar-abrigo de marasmos e destroços. 13 Na linha anônima do verso aposto no oposto de meu sim, apago o nome e a memória 16 num Antônio antônimo de mim.
Antonio Carlos Secchin. Autoria. In: Todos os ventos. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2002, p. 61-2.
Em relação aos textos I e II, julgue (C ou E) os itens a seguir.
- 29.
Tal como o eu lírico do poema (texto II), a narradora do texto I está envolvida com a autoria do texto literário, como evidencia o trecho “‘não ser’ era a minha maior aproximação da verdade” (l.18).
- 30.
Na comparação entre os textos I e II, percebe-se que o poeta descarta “clipes, cãibras, suores, / restos do dia prolixo” (v.3 e v.4), ao passo que a ficcionista conserva “uma aspa à esquerda e outra à direita” (l.4), o que demonstra que, com relação a bens materiais, os dois autores expressam atitudes diferentes.
- 31.
Há comparação entre o trecho “eu pelo menos tinha o ‘não’, tinha o meu oposto”, nas linhas 19 e 20 do texto I, e o verso 14 do texto II: “aposto no oposto de meu sim”; verifica-se que ambos os autores exploram aspectos e contingências de uma dimensão contrária ao ser ou a ele contraditória.
- 32.
Existe semelhança temática entre o que afirma Clarice Lispector em “pelo menos eu tinha o lado avesso” (texto I/R.18- 19) e Antonio Carlos Secchin no verso “num Antônio antônimo de mim” (texto II/v.16): ambas as citações tratam da oposição ao eu.
Antonio Candido. A vida ao rés do chão. In: Recortes. São Paulo: Companhia das Letras, 1993, p. (com adaptações).
Em relação ao texto acima, julgue (C ou E) os itens a seguir.
- 33.
Ao afirmar que a crônica “fala de perto ao nosso modo de ser mais natural” (l.13-14), o autor indica que as obras de romancistas, dramaturgos e poetas demonstram maior “profundidade de significado” (l.16) e “acabamento de forma” (l.17).
- 34.
De acordo com os sentidos produzidos no texto, a expressão “compensação sorrateira” (l.15) deve ser interpretada como compensação desonesta, compensação viciada ou compensação desigual.
- 35.
Ao afirmar que a crônica “humaniza” (l.14) e é “uma inesperada, embora discreta, candidata à perfeição” (l.18), o autor demonstra que, de fato, o Prêmio Nobel não poderia ser atribuído a um cronista na categoria de gênero maior, mas, sim, em outra categoria.
- 36.
No texto, o autor indica que a crônica, apesar de ser um gênero menor, pode proporcionar acesso à literatura considerada de gênero maior, como a representada por romances, peças teatrais e poemas.
Luiz Costa Lima. Abstração e visualidade. In: Intervenções. São Paulo: EDUSP, 2002, p. (com adaptações).
Em relação ao texto acima, julgue (C ou E) os próximos itens.
- 37.
A poesia do desbunde, valendo-se de “instrumentos domésticos” (l.10), inspirou-se em retórica antimilitarista e de crítica ao regime político que marcou o ideário modernista.
- 38.
De acordo com o autor, os poetas do desbunde consideravam que os poetas experimentais e João Cabral de Melo Neto compunham uma nova vertente de reação ao Modernismo, liderada por escritores como Coelho Neto e Olavo Bilac.
- 39.
Conforme o texto, a poesia do desbunde caracterizou-se pela glorificação do ego, pelo culto à juventude e pela crítica ao valor do trabalho na sociedade.
- 40.
Segundo o autor, a poesia do desbunde atualizou propostas do Modernismo, muito embora as obras não tivessem a mesma grandeza do movimento artístico dos anos 20.
Autran Dourado. Ópera dos mortos. Cap. 5. Os dentes da engrenagem. 9.ª ed., Rio de Janeiro: Record, 1985, p. 73-4.
Com referência a aspectos linguísticos do texto acima, julgue (C ou E) os itens subsecutivos.
- 41.
Em “Como foi possível viver tanto tempo assim?” (l.24), o termo “assim”, empregado como recurso de ênfase, poderia ser retirado do trecho, sem prejuízo para o contexto.
- 42.
No trecho “Se a gente não cuida (...) de altos e baixos” (l.5-8), o emprego de um ponto e vírgula após o vocábulo “apenas”, no lugar da vírgula, marcaria o final do primeiro período e o início da oração que se segue, mantendo-se a correção gramatical e favorecendo-se a compreensão do trecho.
- 43.
No texto, o autor anuncia e justifica o encantamento da personagem Rosalina com José Feliciano, cuja voz, que soava estridente de início para ela, proporcionou-lhe uma nova percepção de sua vida.
- 44.
Nos trechos “E dentro dela rugia a seiva, a força que através de verdes fusos dá vida à flora e à fauna” (l.26-28) e “E a voz, que a princípio chegava a doer-lhe nos ouvidos, alta demais” (l.30-31), os pronomes relativos “que” introduzem orações de naturezas diferentes, sendo a primeira de caráter restritivo, e a segunda, de caráter explicativo.
Texto I 1 Quanto a mim mesma, sem mentir nem ser verdadeira — como naquele momento em que ontem de manhã estava sentada à mesa do café — quanto a mim mesma, sempre 4 conservei uma aspa à esquerda e outra à direita de mim. De algum modo “como se não fosse eu” era mais amplo do que se fosse — uma vida inexistente me possuía toda e me ocupava 7 como uma invenção. (...) Enquanto eu mesma era, mais do que limpa e correta, era uma réplica bonita. Pois tudo isso é o que provavelmente 10 me torna generosa e bonita. Basta o olhar de um homem experimentado para que ele avalie que eis uma mulher de generosidade e graça, e que não dá trabalho, e que não rói um 13 homem: mulher que sorri e ri. Essa imagem de mim entre aspas me satisfazia, e não apenas superficialmente. Eu era a imagem do que não era, e 16 essa imagem do não ser me cumulava toda: um dos modos mais fortes é ser negativamente. Como eu não sabia o que era, então “não ser” era a minha maior aproximação da verdade: pelo 19 menos eu tinha o lado avesso: eu pelo menos tinha o “não”, tinha o meu oposto. O meu bem eu não sabia qual era, então vivia com algum pré-fervor, o que era o meu “mal”.
Clarice Lispector. A paixão segundo G. H. Rio de Janeiro: Editora do Autor, 1964, p. 30-1 (com adaptações).
Em relação ao texto I acima, julgue (C ou E) os itens seguintes.
- 45.
A autora do texto estabelece forte oposição entre “ser” e “não-ser”, optando pelo último, uma vez que “ser” poderia aproximá-la de uma forma aparente e mentirosa para a qual não se encontra preparada.
- 46.
Em língua portuguesa, as expressões “estar entre aspas” e “viver entre parênteses” equivalem-se, pois ambas significam um estado de suspensão ou de espera diante de acontecimentos.
- 47.
A sentença “Eu era a imagem do que não era” (l.15) expressa um paradoxo ou oximoro.
- 48.
Entre as funções das aspas, está a de salientar o sentido figurado de uma expressão, isolando na frase o termo desejado. Clarice Lispector se vale desse recurso ao explicar que sempre conservou “uma aspa à esquerda e outra à direita de mim” (l.4), além de se declarar satisfeita em projetar “Essa imagem de mim entre aspas” (l.14).
Ariano Suassuna. In: Cadernos de literatura brasileira – Millôr Fernandes, n.o 15, Rio de Janeiro: Instituto Moreira Salles, 2003, p. 18-9 (com adaptações).
Acerca das ideias desenvolvidas no texto acima, julgue (C ou E) os itens subsequentes.
- 49.
Com o emprego da expressão “na linhagem cervantina” (l.12), Ariano Suassuna explicita um parâmetro por ele adotado, para opinar sobre romances e escritores, e que é reiterado pelo emprego dos seguintes termos: “Cavaleiro da Triste Figura” (l.14), “cavaleiro manchego” (l.19), “quixotesco” (l.20).
- 50.
O autor do texto postula que o humor, na acepção por ele indicada, é qualidade distintiva de uma narrativa literária e incompatível com a ironia e o sarcasmo, recursos de uso frequente na literatura brasileira, especialmente entre os escritores com visão antinacionalista, referidos no texto como “escritores que desprezam o Brasil e seu povo” (l.25).
- 51.
Seria mantida a correção gramatical e aprimorada a precisão do texto, se o trecho em que o autor aponta seus escritores preferidos (l.1-4) estivesse escrito da seguinte forma: prefiro Euclides da Cunha e Lima Barreto, apesar dos defeitos de suas obras, do que Machado de Assis, cujas qualidades das suas obras são inúmeras.
- 52.
No trecho que inicia o terceiro parágrafo, mesmo que presente o advérbio “talvez” (l.15), que exigiria o emprego do modo subjuntivo, o autor do texto optou pelo emprego da forma verbal no indicativo (“gira”), privilegiando, assim, a assertividade de seu discurso, conforme descrito na gramática normativa a respeito desse modo verbal.
Emanuel Araújo. A construção do livro: princípios da técnica de editoração. Rio de Janeiro: Nova Fronteira; Brasília: INL, 2000, p. (com adaptações).
Com relação aos aspectos morfossintáticos do texto, julgue (C ou E) os seguintes itens.
- 53.
Em “Meu Deus, o que fizeram do meu livro?” (l.1-2), a expressão “Meu Deus” tem função apelativa na estrutura oracional em que ocorre e, por estar subordinada a essa estrutura, não poderia ser seguida de ponto de exclamação em lugar da vírgula, ainda que se fizesse a alteração gráfica necessária no restante desse texto.
- 54.
O emprego de “concebera” (l.8), no pretérito mais-que-perfeito do indicativo, justifica-se, no texto, como traço estilístico da linguagem culta formal, visto que, em normas estritamente gramaticais, não há respaldo para esse uso.
- 55.
O trecho “A exclamação, patética, vinha da famosa jornalista internacional Oriana Fallaci (no caso, como escritora),” (l.3-4), em que se verifica um aposto especificativo, pode ser assim reescrito em estrutura de aposto explicativo: A exclamação, patética, vinha de Oriana Fallaci, a famosa jornalista internacional (no caso, como escritora).
- 56.
Na linha 3, as vírgulas que isolam o termo “patética” foram empregadas para enfatizar o atributo de “exclamação”, mas a supressão dessa pontuação manteria a correção gramatical do trecho.
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