História Mundial — CACD 2007

CESPE/UnB · CACD – 1ª fase (TPS) · 46 itens · julgue cada item como Certo ou Errado

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Poucas vezes, a incapacidade dos governos em conter o curso da história foi demonstrada de forma mais decisiva que na geração pós-1815. Evitar uma segunda Revolução Francesa, ou ainda a catástrofe pior de uma revolução européia generalizada tendo como modelo a francesa, foi o objetivo supremo de todas as potências que tinham gasto mais de vinte anos para derrotar a primeira.

Houve três ondas revolucionárias principais no mundo ocidental entre 1815 e 1848. A primeira ocorreu em 1820-4. Na Europa, ela ficou limitada principalmente ao Mediterrâneo, com a Espanha, Nápoles e a Grécia como seus epicentros. A Revolução Espanhola reavivou o movimento de libertação na América Latina.

A segunda onda revolucionária ocorreu em 1829-34 e afetou toda a Europa a oeste da Rússia e o continente norte-americano, pois a grande época de reformas do presidente Jackson deve ser entendida como parte dela. Ela marca a derrota definitiva dos aristocratas pelo poder burguês na Europa Ocidental. A classe governante dos próximos cinqüenta anos seria a grande burguesia de banqueiros, grandes industriais e, às vezes, altos funcionários civis. Ela determina, também, uma inovação ainda mais radical na política: o aparecimento da classe operária como uma força política autoconsciente e independente na Grã-Bretanha e na França e dos movimentos nacionalistas em grande número de países na Europa.

A terceira e maior das ondas revolucionárias foi a de 1848. Nunca houve nada tão próximo da revolução mundial com que sonhavam os insurretos que essa conflagração espontânea e geral. O que, em 1789, fora o levante de uma só nação era, agora, assim parecia, a primavera dos povos de todo um continente.

Eric J. Hobsbawm. A era das revoluções. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1981, p. 127-30 (com adaptações).

Considerando as duas primeiras ondas revolucionárias do século XIX, citadas no texto, e sua vinculação, direta ou indireta, com o continente americano, julgue o item a seguir.

  1. 1.

    A onda revolucionária de 1848, por sua amplitude e espontaneidade, foi amplamente exitosa em suas aspirações populares, tanto na Europa — com o fim do sistema eleitoral censitário — quanto na América — com as reformas de Jackson (EUA).

  2. 2.

    Entre os grandes libertadores da América espanhola, Simon Bolívar notabilizou-se pelo destemor com que se lançou à luta para emancipar a atual Argentina e pela convicção de que a prosperidade da América subordinava-se à existência de Estados plenamente autônomos.

  3. 3.

    Semelhantemente ao ocorrido quando da invasão da Península Ibérica pelas tropas francesas de Napoleão (1808), a Revolução Espanhola de 1820 contribuiu para o recrudescimento da luta pela independência das colônias latino-americanas.

  4. 4.

    Fatores internos, ainda que existentes, tornaram-se irrelevantes para a desintegração do sistema colonial ibérico frente à influência exercida pela conjuntura revolucionária européia no processo de independência latino-americana, conforme sugerido pelo texto.

  5. 5.

    Inexistência de mercado interno expressivo e impossibilidade de aplicação de capitais pela via de empréstimos aos Estados são dois poderosos motivos que explicam o reduzido impacto da expansão capitalista européia, ocorrida na segunda metade do século XIX, sobre a América Latina.

Para alguém que observasse o mundo dos anos 1960 e o comparasse com o de 1870 ou 1880, nada seria mais impressionante, talvez, que a mudança que se operou na estrutura das relações internacionais. A explicação mais óbvia para essa mudança é a exaustão da Europa em duas guerras mundiais. Isto, somado à ascensão dos EUA e, paralelamente, à ascensão da Rússia no plano das potências mundiais foram, de fato, os acontecimentos decisivos que propiciaram o advento de um novo período na política mundial.

Quando, no início de 1917, o presidente Wilson proclamou que “não deve haver um equilíbrio de poder, mas uma comunidade de poder, não rivalidades organizadas, mas uma paz comum organizada”, ele estava anunciando, com efeito, que a velha estrutura de relações internacionais ficara obsoleta em uma época de política em escala mundial.

Depois da revolução bolchevista na Rússia, tomou forma tangível a divisão do mundo em dois grandes blocos de potências rivais, inspirados por ideologias manifestamente inconciliáveis. Wilson e Lenin sabiam, desde o princípio, que estavam competindo pelo sufrágio da humanidade; e foi para impedir que Lenin ganhasse o monopólio dos planos de edificação do mundo de pós-guerra que, em janeiro de 1918, Wilson publicou os seus famosos Quatorze Pontos. “Wilson ou Lenin”, escreveu o socialista francês Albert Thomas; “democracia ou bolchevismo... uma escolha a fazer”.

Geoffrey Barraclough. Introdução à história contemporânea. Rio de Janeiro: Zahar, 1964, p. 90-113 (com adaptações).

Julgue o item a seguir, relativo ao “advento de um novo período na política mundial”, mencionado no final do primeiro parágrafo do texto.

  1. 6.

    Infere-se do texto que “o advento de um novo período na política mundial”, no final do primeiro parágrafo, vincula-se, entre outros aspectos, ao fato de que a supremacia das potências européias, na passagem do século XIX ao XX, deixara de sofrer as contestações tão comuns à época da expansão imperialista.

  2. 7.

    Infere-se do texto que “o advento de um novo período na política mundial”, no final do primeiro parágrafo, vincula-se, entre outros aspectos, à Grande Guerra de 1914, responsável pela exclusão definitiva das potências derrotadas, como a Alemanha, das principais decisões mundiais.

  3. 8.

    Infere-se do texto que “o advento de um novo período na política mundial”, no final do primeiro parágrafo, vincula-se, entre outros aspectos, ao recrudescimento da posição de liderança inconteste do sistema capitalista por parte dos países mais industrializados da Europa Ocidental, à frente dos quais se apresentavam França e Inglaterra.

  4. 9.

    Infere-se do texto que “o advento de um novo período na política mundial”, no final do primeiro parágrafo, vincula-se, entre outros aspectos, ao surgimento de novos atores importantes no cenário internacional, a exemplo da Rússia, dos EUA e, no Extremo Oriente, do Japão.

  5. 10.

    Infere-se do texto que “o advento de um novo período na política mundial”, no final do primeiro parágrafo, vincula-se, entre outros aspectos, à substituição dos Estados nacionais pelas grandes corporações transnacionais na condução do processo de disputas por mercados consumidores e por áreas de investimentos.

Poucas vezes, a incapacidade dos governos em conter o curso da história foi demonstrada de forma mais decisiva que na geração pós-1815. Evitar uma segunda Revolução Francesa, ou ainda a catástrofe pior de uma revolução européia generalizada tendo como modelo a francesa, foi o objetivo supremo de todas as potências que tinham gasto mais de vinte anos para derrotar a primeira.

Houve três ondas revolucionárias principais no mundo ocidental entre 1815 e 1848. A primeira ocorreu em 1820-4. Na Europa, ela ficou limitada principalmente ao Mediterrâneo, com a Espanha, Nápoles e a Grécia como seus epicentros. A Revolução Espanhola reavivou o movimento de libertação na América Latina.

A segunda onda revolucionária ocorreu em 1829-34 e afetou toda a Europa a oeste da Rússia e o continente norte-americano, pois a grande época de reformas do presidente Jackson deve ser entendida como parte dela. Ela marca a derrota definitiva dos aristocratas pelo poder burguês na Europa Ocidental. A classe governante dos próximos cinqüenta anos seria a grande burguesia de banqueiros, grandes industriais e, às vezes, altos funcionários civis. Ela determina, também, uma inovação ainda mais radical na política: o aparecimento da classe operária como uma força política autoconsciente e independente na Grã-Bretanha e na França e dos movimentos nacionalistas em grande número de países na Europa.

A terceira e maior das ondas revolucionárias foi a de 1848. Nunca houve nada tão próximo da revolução mundial com que sonhavam os insurretos que essa conflagração espontânea e geral. O que, em 1789, fora o levante de uma só nação era, agora, assim parecia, a primavera dos povos de todo um continente.

Eric J. Hobsbawm. A era das revoluções. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1981, p. 127-30 (com adaptações).

Tendo o texto acima como referência inicial e considerando o contexto histórico ao qual ele se reporta, julgue o item a seguir.

  1. 11.

    O segundo período do texto revela um dos principais objetivos do Congresso de Viena, qual seja, o de impedir a repetição da experiência libertária que a França protagonizara a partir de 1789 e que Bonaparte, a despeito de sua vocação imperial, disseminara pela Europa.

  2. 12.

    Tendo ficado imune às ondas revolucionárias que convulsionaram a Europa continental, a Grã-Bretanha recusou-se a aceitar as determinações do Congresso de Viena e, internamente, a promover reformas em suas instituições políticas.

  3. 13.

    As ondas revolucionárias citadas no texto refletem, ao lado de outros fatores, o choque entre as forças comprometidas com o Antigo Regime e as identificadas com o anseio de transformações na sociedade européia na primeira metade do século XIX.

  4. 14.

    O Nacionalismo já se manifestava nas ondas revolucionárias mencionadas no texto e teve, nas unificações alemã e italiana, na segunda metade do século XIX, dois de seus símbolos mais expressivos.

  5. 15.

    A Revolução Constitucionalista do Porto, de 1820, inscreveu-se no contexto da primeira onda revolucionária européia e, em seus desdobramentos, provocou o retorno de D. João VI a Portugal e a adoção de medidas recolonizadoras pela metrópole, o que impulsionou o processo de independência do Brasil.

Para alguém que observasse o mundo dos anos 1960 e o comparasse com o de 1870 ou 1880, nada seria mais impressionante, talvez, que a mudança que se operou na estrutura das relações internacionais. A explicação mais óbvia para essa mudança é a exaustão da Europa em duas guerras mundiais. Isto, somado à ascensão dos EUA e, paralelamente, à ascensão da Rússia no plano das potências mundiais foram, de fato, os acontecimentos decisivos que propiciaram o advento de um novo período na política mundial.

Quando, no início de 1917, o presidente Wilson proclamou que “não deve haver um equilíbrio de poder, mas uma comunidade de poder, não rivalidades organizadas, mas uma paz comum organizada”, ele estava anunciando, com efeito, que a velha estrutura de relações internacionais ficara obsoleta em uma época de política em escala mundial.

Depois da revolução bolchevista na Rússia, tomou forma tangível a divisão do mundo em dois grandes blocos de potências rivais, inspirados por ideologias manifestamente inconciliáveis. Wilson e Lenin sabiam, desde o princípio, que estavam competindo pelo sufrágio da humanidade; e foi para impedir que Lenin ganhasse o monopólio dos planos de edificação do mundo de pós-guerra que, em janeiro de 1918, Wilson publicou os seus famosos Quatorze Pontos. “Wilson ou Lenin”, escreveu o socialista francês Albert Thomas; “democracia ou bolchevismo... uma escolha a fazer”.

Geoffrey Barraclough. Introdução à história contemporânea. Rio de Janeiro: Zahar, 1964, p. 90-113 (com adaptações).

O texto indica o impacto da Revolução de Outubro de 1917 no plano das relações internacionais. Relativamente a esse acontecimento, que marcou a maior parte da trajetória histórica do século XX, julgue o item a seguir.

  1. 16.

    A primeira etapa do processo revolucionário russo foi cumprida já em fevereiro de 1917, quando ocorreu a implantação do regime parlamentar, que reforçava o caráter esclarecido do czarismo, o qual se afastara do modelo despótico clássico desde meados do século XIX.

  2. 17.

    O processo revolucionário, que culminou com a chegada de Lenin ao poder, foi possível, entre outros fatores igualmente significativos, graças à unidade político-ideológica apresentada pelo movimento socialista russo.

  3. 18.

    De Lenin a Stalin, a implantação do modelo econômico socialista fez-se de forma gradativa e, apesar das naturais dificuldades, não conheceu fase de retrocesso nem passou por eventuais adaptações ao longo do percurso.

  4. 19.

    A morte de Lenin, em plena depressão econômica causada pela crise de 1929, possibilitou a vitória do ideal trotskista de revolução permanente e de universalização do socialismo sob modelo soviético.

  5. 20.

    Os “dois grandes blocos de potências rivais”, mencionados no texto, foram marcantes em grande parte no século XX e, para além das disputas político-militares e econômicas, expressavam nítido antagonismo ideológico.

Poucas vezes, a incapacidade dos governos em conter o curso da história foi demonstrada de forma mais decisiva que na geração pós-1815. Evitar uma segunda Revolução Francesa, ou ainda a catástrofe pior de uma revolução européia generalizada tendo como modelo a francesa, foi o objetivo supremo de todas as potências que tinham gasto mais de vinte anos para derrotar a primeira.

Houve três ondas revolucionárias principais no mundo ocidental entre 1815 e 1848. A primeira ocorreu em 1820-4. Na Europa, ela ficou limitada principalmente ao Mediterrâneo, com a Espanha, Nápoles e a Grécia como seus epicentros. A Revolução Espanhola reavivou o movimento de libertação na América Latina.

A segunda onda revolucionária ocorreu em 1829-34 e afetou toda a Europa a oeste da Rússia e o continente norte-americano, pois a grande época de reformas do presidente Jackson deve ser entendida como parte dela. Ela marca a derrota definitiva dos aristocratas pelo poder burguês na Europa Ocidental. A classe governante dos próximos cinqüenta anos seria a grande burguesia de banqueiros, grandes industriais e, às vezes, altos funcionários civis. Ela determina, também, uma inovação ainda mais radical na política: o aparecimento da classe operária como uma força política autoconsciente e independente na Grã-Bretanha e na França e dos movimentos nacionalistas em grande número de países na Europa.

A terceira e maior das ondas revolucionárias foi a de 1848. Nunca houve nada tão próximo da revolução mundial com que sonhavam os insurretos que essa conflagração espontânea e geral. O que, em 1789, fora o levante de uma só nação era, agora, assim parecia, a primavera dos povos de todo um continente.

Eric J. Hobsbawm. A era das revoluções. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1981, p. 127-30 (com adaptações).

Tendo o texto como referência inicial e considerando o quadro histórico do século XIX no Ocidente, julgue (C ou E) os itens seguintes.

  1. 21.

    Apesar das ondas revolucionárias pós-1815, os governos reunidos no Congresso de Viena conseguiram manter o equilíbrio europeu, isto é, evitaram guerras de âmbito continental, como as que se seguiram à Revolução Francesa.

    Item anulado pela banca

  2. 22.

    A partilha da África, decidida na Conferência de Berlim (1885), símbolo marcante dos princípios, métodos e objetivos da expansão capitalista, reiterou o caráter quase exclusivamente anglo-francês da competição por novas colônias na passagem do século XIX ao XX, já que praticamente inexistiam, à época, potências que com Inglaterra ou França pudessem rivalizar.

  3. 23.

    A onda revolucionária de 1848 evidenciou um aspecto historicamente decisivo daquele momento, isto é, o fato de as burguesias liberais terem assumido, resolutamente, a partir de então, as bandeiras revolucionárias da democracia social e de um socialismo mais atenuado, que não se confundia com aquele proposto por Marx e Engels.

  4. 24.

    O processo de expansão do capitalismo, a partir de meados do século XIX, fez-se à margem dos Estados nacionais, conduzido que foi pela iniciativa privada. Isso explica a reduzida intensidade das crises que envolveram os países europeus ao longo da corrida imperialista, quadro que tendeu a modificar-se apenas a partir dos anos 1930, devido ao impacto da grande depressão econômica.

Entre as numerosas transformações trazidas pela Segunda Guerra Mundial, destacou-se a emergência da África e da Ásia, assinalada pela libertação das antigas colônias localizadas nesses continentes. A respeito desse processo de descolonização, decisivo para a configuração da nova realidade mundial pós-1945, julgue o item a seguir.

  1. 25.

    O atual Iraque, alvo de invasão militar norte-americana que culminou na prisão e na morte de Saddam Hussein, foi uma criação artificial do pós-Segunda Guerra, por imposição de Moscou, com a intenção de estabelecer, no Oriente Médio, uma área de influência soviética quando a Guerra Fria se apresentava mais ativa.

  2. 26.

    O império colonial português na África foi um dos primeiros a desintegrar-se, provavelmente pelo fato de que ele jamais se submetera às condições impostas pelo moderno capitalismo de base acentuadamente financeira e crescentemente globalizado.

  3. 27.

    Depois de nove anos de guerra, que deixou número expressivo de vítimas e que assinalou a firme disposição francesa de não abrir mão de sua colônia, a Argélia conquistou a independência em 1962, em meio a uma conjuntura emancipacionista que envolveu parte significativa do continente africano.

  4. 28.

    No processo de independência da Índia, destacou-se a ação política de Mahatma Gandhi, que tinha por princípio a não-violência, expressa na resistência pacífica aos dominadores britânicos. Quando assumiu o cargo de primeiro-ministro, em face das dissensões políticas internas, Gandhi optou pela renúncia.

  5. 29.

    Embora pacífico em praticamente todas as suas fases, o processo de independência da Indochina culminou na Guerra do Vietnã, região que, sucessivamente dominada por norte-americanos, japoneses e franceses, se tornou independente em face da ação do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU).

Para alguém que observasse o mundo dos anos 1960 e o comparasse com o de 1870 ou 1880, nada seria mais impressionante, talvez, que a mudança que se operou na estrutura das relações internacionais. A explicação mais óbvia para essa mudança é a exaustão da Europa em duas guerras mundiais. Isto, somado à ascensão dos EUA e, paralelamente, à ascensão da Rússia no plano das potências mundiais foram, de fato, os acontecimentos decisivos que propiciaram o advento de um novo período na política mundial.

Quando, no início de 1917, o presidente Wilson proclamou que “não deve haver um equilíbrio de poder, mas uma comunidade de poder, não rivalidades organizadas, mas uma paz comum organizada”, ele estava anunciando, com efeito, que a velha estrutura de relações internacionais ficara obsoleta em uma época de política em escala mundial.

Depois da revolução bolchevista na Rússia, tomou forma tangível a divisão do mundo em dois grandes blocos de potências rivais, inspirados por ideologias manifestamente inconciliáveis. Wilson e Lenin sabiam, desde o princípio, que estavam competindo pelo sufrágio da humanidade; e foi para impedir que Lenin ganhasse o monopólio dos planos de edificação do mundo de pós-guerra que, em janeiro de 1918, Wilson publicou os seus famosos Quatorze Pontos. “Wilson ou Lenin”, escreveu o socialista francês Albert Thomas; “democracia ou bolchevismo... uma escolha a fazer”.

Geoffrey Barraclough. Introdução à história contemporânea. Rio de Janeiro: Zahar, 1964, p. 90-113 (com adaptações).

Ainda com referência ao texto, julgue o item a seguir, relativamente ao papel representado pelo presidente Wilson no contexto da Primeira Guerra Mundial e ao significado de seus Quatorze Pontos.

  1. 30.

    Embora tenham entrado na Grande Guerra ao lado das potências centrais (Tríplice Aliança), os EUA puderam superar essa circunstância aparentemente negativa pela força de sua economia, vital para a recuperação européia após o conflito.

  2. 31.

    Ao propor a criação da Liga ou Sociedade das Nações, Wilson o fez com o respaldo da opinião pública norte-americana e, sobretudo, do Congresso de seu país, razão pela qual os EUA tiveram condições de liderar confortavelmente a nova organização internacional.

  3. 32.

    As propostas de Wilson — que preconizavam uma “diplomacia nova”, com vistas à preservação da paz — previam, entre outras medidas, remanejamentos territoriais norteados pelo princípio da autodeterminação dos povos.

  4. 33.

    Embora questionassem o sistema internacional vigente, Lenin e Wilson admitiam a diplomacia secreta e as anexações territoriais.

  5. 34.

    A partir de Wilson, e de forma acintosa, os EUA passaram a assumir responsabilidades crescentes na condução da política interna européia, rompendo o isolamento que praticaram antes da Primeira Guerra Mundial.

Tal como oficialmente apresentada, a Conferência de Bandung, realizada em 1955, procurou criar um novo bloco que tivesse capacidade de ação política internacional diante dos dois pólos de poder dominantes. A bússola que orientaria essa terceira força seria, conforme a declaração assinada ao final do encontro, a busca da paz por meio da cooperação internacional. Julgue (C ou E) os itens que se seguem, concernentes a esse contexto histórico do mundo pós-1945.

  1. 35.

    O êxito do espírito de Bandung deveu-se, sobretudo, à capacidade de superação de divergências históricas entre países asiáticos e africanos, de que seria exemplo emblemático a cordial e amistosa convivência entre Índia e Paquistão após a conquista das respectivas independências.

  2. 36.

    Na Ásia do pós-Segunda Guerra, os dois países mais populosos do mundo percorreram trajetórias distintas no caminho de sua afirmação: enquanto a Índia optou pelo reformismo liberal, a China assumiu a via revolucionária de esquerda, concretizada com a proclamação da República Popular em 1949.

  3. 37.

    A Conferência de Bandung condenou explicitamente toda e qualquer forma de colonialismo, identificado como um mal que devia ser extinto imediatamente, por ser visceralmente contrário à Carta das Nações Unidas e aos direitos humanos.

  4. 38.

    A Conferência de Bandung consagrou uma linha política de não-alinhamento, ou seja, uma opção diplomática de eqüidistância em relação ao sistema bipolar que emergiu depois da Segunda Guerra Mundial.

O período entre as duas guerras mundiais do século XX foi marcado pela radicalização política. A instalação de regimes totalitários em vários países europeus contribuiu para o acirramento das tensões, que, ao lado de outros fatores, colaborou decisivamente para a eclosão da Segunda Guerra Mundial (1939-1945). A respeito desse quadro histórico, julgue (C ou E) os itens subseqüentes.

  1. 39.

    Espanha, Portugal, Polônia, Iugoslávia e Hungria são exemplos de Estados europeus que adotaram regimes ditatoriais de cunho fascista que não sobreviveram à vitória dos Aliados, derrubados nos anos que se seguiram ao imediato pós-Segunda Guerra Mundial.

  2. 40.

    Embora tenha participado da aliança vitoriosa na Primeira Guerra Mundial, a Itália afastou-se das democracias liberais na medida em que, já na década de 20 do século passado, o país se tornou vítima dos métodos violentos do fascismo, que não encontrou resistência organizada.

  3. 41.

    Na Alemanha, o totalitarismo nazista aproximava-se dos demais regimes fascistas, entre outros fatores, pela adoção do racismo como política de Estado.

  4. 42.

    Nas Américas, enquanto o new deal, de Roosevelt, reiterava a aposta dos EUA na viabilidade do modelo ultraliberal de capitalismo, a experiência brasileira sob o regime de Vargas, no Estado Novo, apontava para a crescente presença estatal na economia.

Seguindo uma tendência que a África e a Ásia levaram ao extremo, também a América Latina teve sua trajetória marcada pela radicalização política nas décadas seguintes à Segunda Guerra Mundial. A esse respeito, julgue (C ou E) os itens a seguir.

  1. 43.

    A chegada dos sandinistas ao poder nicaragüense, graças à vitória nas eleições de 1979 e ao apoio ostensivo de Washington, encerrou o ciclo de uma das mais duradouras ditaduras latino-americanas, a de Somoza.

  2. 44.

    Vitoriosa em 1959, a Revolução Cubana, comandada por Fidel Castro, assumiu, em 1961, o caráter socialista de inspiração marxista e aprofundou os processos de coletivização de terras, nacionalização de empresas e monopolização do poder político.

  3. 45.

    O Chile protagonizou a experiência latino-americana, inédita até então, de adoção do socialismo pela via eleitoral, que se deu com a vitória de Salvador Allende. Em 1973, um golpe de Estado pôs fim ao governo socialista e mergulhou o país em uma das mais ferozes ditaduras do Cone Sul.

  4. 46.

    A onda de regimes políticos nacionalistas e reformistas na América Latina, iniciada com a Revolução Mexicana, que Cárdenas retomou a partir de 1934, ressurgiu na década de 50 do século passado, especialmente na Guatemala e na Bolívia.

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