Língua Portuguesa — CACD 2023
IADES · CACD – 1ª fase (TPS) · 44 itens · julgue cada item como Certo ou Errado
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Cadastre-sePor uma reescrita da história literária brasileira 1 Não é possível falarmos acerca da elaboração de uma nova história da literatura brasileira e da inserção das escritoras mulheres nessa história sem antes entendermos 4 como se dá o processo de construção das histórias e do cânone literários. O historiador também tem o poder de legitimar o escritor e a literatura, pela inclusão e abertura 7 de espaço para análise e consideração de sua obra literária. O contrário também é possível, pois, ao excluir escritores, acaba silenciando uma produção que gradualmente vai 10 sendo esquecida, como foi o caso das escritoras oitocentistas. De acordo com David Perkins, uma história da 13 literatura se constrói por meio de um enredo, que é o discurso feito a respeito de determinada produção. Assim, os historiadores da literatura podem condenar escritores e 16 obras, podem defender estilos não apreciados e podem, também, ser motivados por um conjunto de emoções diferentes: “qualquer que seja o enredo imposto aos 19 eventos, o simples fato de serem organizados em forma de narrativa pode, ele mesmo, preencher o desejo.” Tendo em vista a consciência do desejo que motiva e dá vida a uma 22 memória literária, a questão é: até que ponto a intenção organizadora subjacente ao processo de escrita de uma história da literatura justifica as suas omissões e ênfases? 25 Mais especificamente: no intercâmbio dialético entre luz e sombra, por que a literatura escrita por mulheres é sombra constante nesse tipo de discurso? 28 Ao tratar de histórias da literatura, devemos sempre considerar que elas não são totalidades permanentes, mas sim objetos dinâmicos, pois encontram-se sob o signo da 31 contingência, em constante processo de redefinição. Uma vez publicada a história da literatura, há possibilidades de novas fontes, novos documentos históricos; o historiador, 34 em contínuas pesquisa e busca, pode descobrir um documento inédito e, então, reformular sua hipótese. Essa perspectiva da mobilidade e do constante processo de 37 redefinição serve-nos de conforto, na medida em que torna possível e viável a iluminação sobre a literatura de autoria feminina até hoje obnubilada nos discursos sobre a 40 produção literária brasileira. Entretanto, se, ao atualizar a história da literatura, mantemos o padrão de silenciamento dos textos de autoria feminina, torna-se impossível 43 repensar o cânone literário. Observa-se que, ironicamente, algumas escritoras oitocentistas não foram excluídas em vida, mas o esquecimento foi implacável com a exaltação 46 outrora experimentada por elas.
FAEDRICH, Anna. Escritoras silenciadas: Narcisa Amália, Júlia Lopes de Almeida, Albertina Bertha e as adversidades da escrita literária de mulheres. Rio de Janeiro: Macabéa, 2022, págs. de 39 a 64, com adaptações.
Com base nas ideias apresentadas no texto, julgue (C ou E) os itens a seguir.
- 1.
Por meio de linguagem denotativa, a autora trata do cânone literário utilizando-se de analogia entre as narrativas da história da literatura e as narrativas literárias, bem como da referência a diferentes períodos de produção de autoria feminina.
- 2.
No segundo parágrafo, o “intercâmbio dialético entre luz e sombra” (linhas 25 e 26) refere-se a estilos literários em que a produção de escrita de autoria feminina foi relevante, como no século 19, e a estilos em que não há esse tipo de produção.
- 3.
Para David Perkins, a literatura depende dos discursos construídos acerca de uma obra em determinado período histórico de uma cultura e, por isso, ao narrar, o historiador é influenciado por um conjunto de emoções diversas que justificam as próprias omissões e ênfases.
- 4.
O texto critica a história da literatura brasileira que produz inverdades, uma vez que o ponto de vista dos historiadores é unificado e centralizador, além de decorrer de fontes restritas e documentos históricos, o que impossibilita uma escrita que atenda a visões múltiplas.
SCHWARCZ, Lilia Moritz; STARLING, Heloisa Murgel. Brasil: uma biografia. São Paulo: Companhia das Letras, 2015, com adaptações.
Considerando os aspectos linguísticos e o sentido do texto, julgue (C ou E) os itens a seguir.
- 5.
No primeiro parágrafo, “antropólogo pernambucano” (linha 7) e “ele” (linha 10) estabelecem referenciação anafórica com “Gilberto Freyre” (linha 3).
- 6.
A palavra “até” (linha 24) estabelece um sentido de limite em relação aos alojamentos constituídos dentro das senzalas.
- 7.
A inserção de vírgula após a palavra “cana” (linha 15) manteria a correção gramatical e os sentidos construídos no período.
- 8.
Na forma verbal “se determinava” (linha 29), o emprego da partícula “se” marca a indeterminação do sujeito da oração.
SOUZA, Otávio Tarquínio de. História dos fundadores do Império do Brasil. Brasília: Senado Federal, Conselho Editorial, 2015. 5 v., com adaptações.
Considerando a estrutura linguística do texto, julgue (C ou E) os itens a seguir.
- 9.
No trecho “dava-lhe ensejo a um esboço de mundanismo” (linhas 13 e 14), o complemento verbal direto é expresso pelo nome “ensejo”, enquanto o indireto é representado pelo pronome “lhe” e pela expressão “a um esboço de mundanismo”.
- 10.
O nome “nudez” (linha 32), empregado no texto em sentido denotativo, alude ao fato de José Bonifácio tratar abertamente acerca de aspectos mais profundos dos problemas brasileiros em documentos públicos, expondo-os sem qualquer tentativa de encobri-los ou disfarçá-los.
- 11.
As formas verbais “deixara” (linha 3), “subira” (linha 3), “feriam” (linha 5), “acompanhara” (linha 8), “melhorara” (linha 10) e “foram surgindo” (linha 11), poderiam ser substituídas, mantendo-se a coerência e a correção do texto, por havia deixado, havia subido, haviam ferido, havia acompanhado, havia melhorado e haviam surgido, respectivamente.
- 12.
No trecho “Cuidava-se [...] trabalho.” (linhas de 19 a 27), as formas verbais que se ligam à partícula “se” ora apresentam sujeito simples, ora apresentam sujeito indeterminado.
SCHWARCZ, Lilia Moritz; STARLING, Heloisa Murgel. Brasil: uma biografia. São Paulo: Companhia das Letras, 2015, com adaptações.
A respeito dos recursos linguísticos presentes no texto, julgue (C ou E) os itens a seguir.
- 13.
O trecho “Na medida em que eram considerados pagãos” (linhas 34 e 35) confere ao período em que foi empregado uma relação de causalidade.
- 14.
Nas linhas 39 e 40, o uso de parênteses em “aqueles recém-chegados” e em “aculturados” sinaliza ressalvas quanto ao emprego de determinadas expressões ou palavras no período.
- 15.
A utilização de aspas em “‘nenhuma das anteriores”’ (linha 51) tem função de marcar citação direta no texto.
- 16.
A substituição de “puros-sangues” (linha 33) por puros-sangue manteria a correção quanto ao emprego de plural desse adjetivo.
SACHS, Ignacy. Desenvolvimento, direitos humanos e cidadania. In: PINHEIRO, P. S.; GUIMARÃES, S. P. Direitos humanos no século XXI. Brasília: IPRI/FUNAG, 1998, p. 155 e 161, com adaptações. Disponível em: <https://hackmd.io/@aA2X45tnSyWrRBLytuzvEw /Bk1KsrHO9>. Acesso em: 10 ago. 2023, com adaptações.
Tendo em vista as ideias do texto, julgue (C ou E) os itens a seguir.
- 17.
O texto sustenta que não deve haver hierarquia de direitos, devendo ser considerados de maneira indivisível os direitos civis, políticos, econômicos e sociais.
- 18.
O autor argumenta que os direitos de segunda geração não podem ser arbitrados em detrimento dos de primeira geração.
- 19.
O funcionamento do Estado de direito democrático depende de uma economia eficiente, na visão do autor.
- 20.
Segundo o autor, o crescimento econômico e os direitos humanos são problemáticas estreitamente imbricadas.
CANÇADO TRINDADE, Antônio Augusto. A obrigação universal de desarmamento nuclear. Brasília: FUNAG, 2017, p. 46-47, com adaptações.
Considerando as ideias e os aspectos semânticos do texto, julgue (C ou E) os itens a seguir.
- 21.
O sentido de “fazer abstração” (linha 5) é o de desconsiderar, reduzir a importância.
- 22.
O autor justifica o próprio voto alinhado ao da maioria dos juízes da CIJ, em favor do desarmamento nuclear.
- 23.
O sentido de “ineludível” (linha 3) remete à suposta ilusão das relações entre o direito e a ética.
- 24.
O autor critica a CIJ, o órgão máximo das Nações Unidas, por não ter mostrado sensibilidade diante de uma das maiores preocupações da humanidade.
Por uma reescrita da história literária brasileira 1 Não é possível falarmos acerca da elaboração de uma nova história da literatura brasileira e da inserção das escritoras mulheres nessa história sem antes entendermos 4 como se dá o processo de construção das histórias e do cânone literários. O historiador também tem o poder de legitimar o escritor e a literatura, pela inclusão e abertura 7 de espaço para análise e consideração de sua obra literária. O contrário também é possível, pois, ao excluir escritores, acaba silenciando uma produção que gradualmente vai 10 sendo esquecida, como foi o caso das escritoras oitocentistas. De acordo com David Perkins, uma história da 13 literatura se constrói por meio de um enredo, que é o discurso feito a respeito de determinada produção. Assim, os historiadores da literatura podem condenar escritores e 16 obras, podem defender estilos não apreciados e podem, também, ser motivados por um conjunto de emoções diferentes: “qualquer que seja o enredo imposto aos 19 eventos, o simples fato de serem organizados em forma de narrativa pode, ele mesmo, preencher o desejo.” Tendo em vista a consciência do desejo que motiva e dá vida a uma 22 memória literária, a questão é: até que ponto a intenção organizadora subjacente ao processo de escrita de uma história da literatura justifica as suas omissões e ênfases? 25 Mais especificamente: no intercâmbio dialético entre luz e sombra, por que a literatura escrita por mulheres é sombra constante nesse tipo de discurso? 28 Ao tratar de histórias da literatura, devemos sempre considerar que elas não são totalidades permanentes, mas sim objetos dinâmicos, pois encontram-se sob o signo da 31 contingência, em constante processo de redefinição. Uma vez publicada a história da literatura, há possibilidades de novas fontes, novos documentos históricos; o historiador, 34 em contínuas pesquisa e busca, pode descobrir um documento inédito e, então, reformular sua hipótese. Essa perspectiva da mobilidade e do constante processo de 37 redefinição serve-nos de conforto, na medida em que torna possível e viável a iluminação sobre a literatura de autoria feminina até hoje obnubilada nos discursos sobre a 40 produção literária brasileira. Entretanto, se, ao atualizar a história da literatura, mantemos o padrão de silenciamento dos textos de autoria feminina, torna-se impossível 43 repensar o cânone literário. Observa-se que, ironicamente, algumas escritoras oitocentistas não foram excluídas em vida, mas o esquecimento foi implacável com a exaltação 46 outrora experimentada por elas.
FAEDRICH, Anna. Escritoras silenciadas: Narcisa Amália, Júlia Lopes de Almeida, Albertina Bertha e as adversidades da escrita literária de mulheres. Rio de Janeiro: Macabéa, 2022, págs. de 39 a 64, com adaptações.
Tendo em vista a estrutura gramatical do texto, julgue (C ou E) os itens a seguir.
- 25.
O conectivo “pois” (linha 8) tem valor conclusivo acerca do silenciamento de escritores que acabam sendo esquecidos, uma vez que a referida conjunção se apresenta após a forma verbal “é”.
- 26.
A forma verbal “há” (linha 32), poderia ser substituída, no texto, tanto por existe quanto por existem, sem que isso acarretasse alteração de sentido ao texto, nem incorreção gramatical.
- 27.
No trecho “Não é possível falarmos acerca da elaboração de uma nova história da literatura brasileira” (linhas 1 e 2), a segunda oração exerce a mesma função que o termo sublinhado em “Ao tratar de histórias da literatura, devemos sempre considerar que elas não são totalidades permanentes” (linhas 28 e 29).
- 28.
A oração iniciada por “na medida em que” (linha 37), introduz a causa do conforto que se sente com a perspectiva da mobilidade e do processo constante de redefinição da história da literatura.
ROUANET, Sergio Paulo. O mito do bom selvagem. Artepensamento, 1999. Disponível em: <https://artepensamento.ims.com.br/item/o-mito-do-bom-selvagem/>. Acesso em: 17 jul. 2023, com adaptações.
Com base nas ideias apresentadas no texto, julgue (C ou E) os itens a seguir.
- 29.
Vespúcio antecedeu o padre franciscano na comparação dos costumes indígenas com características da civilização europeia de sua época.
- 30.
“Mais epicuristas que estoicos” (linhas 9 e 10) significa que os indígenas lhe pareceram mais simples, ligados à natureza, do que austeros.
- 31.
A palavra “indômita” (linha 25) significa que a coragem dos prisioneiros é difícil de ser domada.
- 32.
O huguenote citado faz uso de linguagem conotativa para matizar a antropofagia, comparando-a com a usura.
PESSOA, Fernando. Autopsicografia. In: Antologia Poética. Lisboa: Relógio d’água, 2014, p. 50
A respeito dos aspectos linguísticos e semânticos do texto, julgue (C ou E) os itens a seguir.
- 33.
A repetição da palavra “dor” (linhas 3, 4 e 6) constitui a figura de linguagem anáfora.
- 34.
A palavra “lida” (linha 6), na segunda estrofe, não é um substantivo e não designa o feminino de “lide”, no sentido de labuta, luta da vida.
- 35.
A segunda estrofe contém uma sinestesia.
- 36.
A terceira estrofe contém a figura de linguagem hipérbato, caracterizada pela inversão da ordem dos elementos da oração, e apresenta a palavra “coração” como sujeito.
SOUZA, Otávio Tarquínio de. História dos fundadores do Império do Brasil. Brasília: Senado Federal, Conselho Editorial, 2015. 5 v., com adaptações.
Com base nas ideias do texto, julgue (C ou E) os itens a seguir.
- 37.
Para José Bonifácio, o desenvolvimento social, o econômico e o político de um país são igualmente importantes e devem ocorrer de forma concomitante.
- 38.
Certos trechos do terceiro e do quarto parágrafos foram colocados entre aspas porque correspondem a falas literais de José Bonifácio e a expressões usadas por ele.
- 39.
O texto trata da vida de José Bonifácio de Andrada e Silva, a quem é atribuída, entre outras personalidades, a fundação do Império no Brasil.
- 40.
No segundo parágrafo do texto, malgrado a extensa enumeração dos avanços observados por José Bonifácio em sua volta ao Brasil – oferta de artigos e objetos de luxo no comércio; existência da Corte e de um corpo diplomático; iniciativas de ordem administrativa, econômica e cultural; criação de repartições públicas; fundação dos primeiros jornais brasileiros, entre outros –, jaz uma crítica do estadista ao modelo de desenvolvimento da nova nação, especialmente no que tange à superficialidade das medidas adotadas e à ausência de regime de propriedade e de trabalho.
BOBBIO, Norberto. O futuro da democracia. Lisboa: Publicações Dom Quixote, 1988, p. 27, com adaptações.
Considerando as ideias e os sentidos do texto, julgue (C ou E) os itens a seguir.
- 41.
A ênfase do autor recai sobre o processo de transformação da democracia, mais do que sobre a distância entre seus ideais e sua realidade.
- 42.
Para seguir a linha de argumentação do autor, as reticências inseridas após o período “transformou-se na ação de” (linha 16) poderiam ser completadas, por exemplo, com a Declaração Universal dos Direitos do Homem, de 1948.
- 43.
A “matéria bruta” (linha 12) se refere ao substrato original da democracia, que precisa ser lapidado na história das sociedades.
- 44.
O texto contém crítica de fundo aos princípios democráticos que se concretizam, na realidade histórica, em regimes anárquicos e autocráticos.
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