Língua Portuguesa — CACD 2013
CESPE/UnB · CACD – 1ª fase (TPS) · 58 itens · julgue cada item como Certo ou Errado
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Cadastre-seGraciliano Ramos. Linhas Tortas [artigo de março de 1915]. In: Linhas Tortas. Rio de Janeiro: Record, 1976, 4.ª edição, p. 9-10 (com adaptações).
Com relação às ideias desenvolvidas no texto anteriormente apresentado — de Graciliano Ramos —, julgue o item a seguir.
- 1.
O escritor declara-se “pouco exigente” (l.2) e, desse modo, estaria pronto para aceitar qualquer Constituição, desde que estivessem garantidos direitos aos funcionários governamentais mais humildes e à “confederação cinematográfica” (l.19) que pretende fundar.
- 2.
O autor do texto indica que o “quarto poder” é constituído pela figura indeterminada do “chefe político” (l.8 e 21), que é um tipo mandão e presente em diversos segmentos da sociedade, como, por exemplo, o dos advogados e o dos comerciantes.
- 3.
O articulista vale-se de uma “escala descendente” (l.9), para mostrar que há funcionários “de atribuições indeterminadas, mas ilimitadas” (l.6) em todos os níveis, do mais baixo ao mais alto, e que eles formam o que se convencionou chamar de “lagoa republicana” (l.17).
- 4.
Graciliano Ramos comenta que o Poder Judiciário apresenta problemas de natureza constitucional ainda mais sérios do que o Poder Executivo e o Poder Legislativo, uma vez que o Poder Judiciário mantém vínculo forte com o “quarto poder” (l. 4-5).
- 5.
Segundo o autor do texto, o “industrial insatisfeito” (l.15) é vítima de um sistema político com vícios, no qual muitas autoridades sem vocação para administrar eficientemente o país mandam ao mesmo tempo.
Millôr Fernandes. A comédia da classe média. In: Apresentações. Rio de Janeiro: Record, 2004, p. 71-2 (com adaptações).
Julgue o item a seguir, a respeito das ideias desenvolvidas no texto acima.
- 6.
O autor do texto alerta o leitor para não acreditar na aparente fragmentação do livro Comédias da Vida Privada, visto que o mesmo julgamento é feito em relação a obras de humoristas franceses, como Molière e Rabelais.
- 7.
No primeiro parágrafo do texto, o autor reproduz um trecho da orelha do livro Comédias da Vida Privada, escrita por ele, e informa só ter mais uma coisa a dizer sobre Luis Fernando Verissimo: “é escritor de um gueto — o humorismo”.
- 8.
Millôr Fernandes comenta e critica a percepção, presente em “toda parte do mundo” (l.13), de que o intelectual e o humorista se diferenciam, desempenhando este uma atividade menos importante do que a daquele.
- 9.
Millôr Fernandes critica a classe média por sua incapacidade de rir de si mesma e por não ler livros unos e densos como é a obra Comédias da Vida Privada.
- 10.
No comentário sobre Comédias da Vida Privada, Millôr Fernandes explica que o humorismo levou Luis Fernando Verissimo a defender visões políticas e a criticar costumes sociais que acabaram por forçá-lo a viver em um gueto.
Texto I
Joaquim Mattoso Câmara Jr. Manual de expressão oral e escrita. 27.ª ed. Petrópolis: Vozes, 2010.
Texto II
Fernando Pessoa. A língua portuguesa. São Paulo: Companhia das Letras, 1999, p. 56-7 e 72.
No que se refere a aspectos linguísticos dos textos I e II, julgue o item a seguir.
- 11.
No trecho “a que sejamos facilmente entendidos dele” (texto II, l.3-4), o elemento “dele” expressa o agente da ação expressa pela forma verbal “entendidos” e equivale a por ele.
- 12.
No trecho “os elementos subsidiários da mímica”, (texto I, l.9-10), o termo “da mímica” exerce função de complemento do substantivo “subsidiários”.
- 13.
A oração “que pode ser toda a gente” (texto II, l.5) exerce, no período em que ocorre, a função de complemento da forma verbal “calculamos” (l.4), juntamente com a oração “que sabemos” (l.4-5).
- 14.
No texto II, a conjunção “pois”, em suas cinco ocorrências (l.5, 10, 14, 17 e 19), denota conclusão, razão por que poderia ser corretamente isolada por vírgulas em todas as cinco ocorrências.
- 15.
No texto I, no segmento “lhe há ao lado” (l.4), o pronome “lhe” tem valor possessivo e seu antecedente é o núcleo nominal “linguagem” (l.2).
Alfredo Bosi. História concisa da literatura brasileira. São Paulo: Cultrix, 1986, p. 416 (com adaptações).
No que concerne às ideias e a aspectos gramaticais do texto acima, julgue (C ou E) os itens subsequentes.
- 16.
Infere-se do texto que, ao agregar o poema Cobra Norato às obras míticas do Modernismo brasileiro, Alfredo Bosi pretende demonstrar que as tendências literárias na França, como a voga africanizante, não influenciaram a ficção modernista brasileira.
- 17.
De acordo com o texto, Raul Bopp, um dos primeiros escritores a aderir ao Movimento Antropófago, já demonstrava, em sua obra Cobra Norato, alinhamento ao primitivismo literário, tendência que o aproximaria do movimento mais radicalmente nacionalista: o Movimento Verde-amarelo.
- 18.
A ausência de vírgula na denominação “Antropofagia de Oswald e Tarsila” (l.2) indica que o autor do texto considera que, além de Raul Bopp, só Oswald e Tarsila seguiram, com rigor, os postulados do Manifesto Antropófago.
- 19.
Haveria prejuízo para a precisão narrativa se as locuções verbais “ter estrangulado” (l.6-7) e “ter entrado” (l.7) fossem substituídas, respectivamente, por ser estrangulada e entrar.
Cobra Norato
XXVIII
Raul Bopp. Cobra Norato. Rio de Janeiro: José Olympio, 2009, p. 44-9.
A respeito das relações semântico-sintáticas no poema Cobra Norato, de Raul Bopp, julgue (C ou E) os itens subsequentes.
- 20.
No verso “Vem buscar moça que ainda não conheceu homem” (v.38), o atributo do núcleo nominal “moça” é expresso por estrutura oracional que corresponde a uma perífrase.
- 21.
No diálogo expresso nos versos de 43 a 46, entre as marcas da linguagem coloquial, inclui-se a regência do verbo chamar como verbo não pronominal, o que resulta em acepção diferente da que seria coerente com os sentidos produzidos.
- 22.
Entre as expressões que compõem o campo semântico associado a floresta assombrada, imagem a que remete a leitura do fragmento apresentado, incluem-se: “espantalhos monstros” (v.2), “sombras estranhas” (v.3), “Árvores encapuzadas” (v.4), “fantasmas” (v.4), “visagens do lá se vai” (v.5), “Floresta ventríloqua” (v.9), “ruídos anônimos” (v.16).
- 23.
A liberdade do poeta no emprego dos sinais de pontuação é evidenciada, por exemplo, no trecho entre os versos 46 e 49, em que não é marcada a mudança de interlocutor no diálogo apresentado.
Manoel Bonfim. O Brasil na América. Rio de Janeiro: Topbooks, 1997, 2.ª edição, p. 28-9.
Com relação às ideias desenvolvidas no texto acima, julgue o item a seguir.
- 24.
O autor recusa ser denominado de latino ou de ocidental, uma vez que as origens dos atributos de tais denominações são muito diferentes das que compõem a caracterização de ser brasileiro.
- 25.
Segundo o autor do texto, a unidade, o ânimo nacional e a essência de si mesmo estão refletidos nos dias da sua infância e da sua adolescência brasileiras.
- 26.
O autor do texto comenta haver encontrado “insuficiência de expressão” (l.7) em todas as obras de escritores que não tiveram a percepção desenvolvida para o ânimo nacional.
- 27.
Manoel Bonfim considera peculiar o fato de que ser brasileiro o esteja impedindo de conhecer melhor países estrangeiros e “gentes estranhas” (l.9).
- 28.
Segundo o texto apresentado, o momento de “pensar pensamento” (l.12-13) realmente seu só ocorre a Manoel Bonfim quando ele recorda os dias da infância e da adolescência brasileiras.
Texto I
Joaquim Mattoso Câmara Jr. Manual de expressão oral e escrita. 27.ª ed. Petrópolis: Vozes, 2010.
Texto II
Fernando Pessoa. A língua portuguesa. São Paulo: Companhia das Letras, 1999, p. 56-7 e 72.
No que se refere aos sentidos dos textos I e II, julgue (C ou E) os itens a seguir.
- 29.
Do trecho do texto II “Não podemos pensar como Descartes, pois nos arriscamos ao tédio alheio” (l.18-19) infere-se que Fernando Pessoa associa pensamento e linguagem.
- 30.
Depreende-se das ideias desenvolvidas nos textos I e II que seus autores divergem a respeito do que faz da fala e da escrita instâncias diversas: Mattoso Câmara atribui a diferença à natureza delas, e Pessoa, aos meios e fins.
- 31.
Conclui-se do desenvolvimento das ideias do texto II que a “palavra falada” subordina o falante ao seu interlocutor, ao passo que a “palavra escrita” confere ao escritor liberdade de expressão.
- 32.
De acordo com o texto I, a falta de determinados elementos expressivos na linguagem torna a escrita sempre ineficiente, em menor ou maior grau, se comparada à linguagem falada.
Texto I
Joaquim Mattoso Câmara Jr. Manual de expressão oral e escrita. 27.ª ed. Petrópolis: Vozes, 2010.
Texto II
Fernando Pessoa. A língua portuguesa. São Paulo: Companhia das Letras, 1999, p. 56-7 e 72.
Em relação ao vocabulário empregado nos textos I e II, julgue (C ou E) os próximos itens.
- 33.
No texto I, o verbo “obviar” (l.15) foi empregado como sinônimo de opor.
- 34.
Dadas as relações de sentido construídas no texto II, a palavra “imediata” (l.1) poderia ser interpretada, no contexto, tanto como sem intermediário quanto como instantâneo.
- 35.
No texto II, a relação entre os adjetivos “democrático” (l.13), referindo-se à “palavra falada”, e “aristocrático” (l.13), relativo à “palavra escrita,” é de antonímia, estando ambos os vocábulos empregados em sentido conotativo.
- 36.
No texto I, a palavra “sucedâneo” (l.7) foi empregada como sinônima de sucessor, podendo ser por esta substituída, sem prejuízo do sentido original do texto.
Lux Vidal. A Cobra Grande: uma introdução à cosmologia dos povos indígenas do Uaçá e Baixo Oiapoque – Amapá. Rio de Janeiro: Museu do Índio, 2009, p. 28-30 (com adaptações). , p. (com adaptações).
Julgue (C ou E) os itens seguintes, relativos a aspectos gramaticais do texto acima.
- 37.
Sem alteração de informação, o primeiro período do texto poderia ser reescrito da seguinte forma: Entre os índios Urubu-Kaapor, contou, em 1996, Darcy Ribeiro que a cobra-grande, porque engolia muita gente, morreu.
- 38.
A oração ‘Não é uma beleza?’ expressa uma pergunta retórica que corresponde à frase exclamativa É uma beleza!, sendo o advérbio de negação empregado como termo de realce na sentença interrogativa.
- 39.
Sem que se contrariasse a informação original do texto, o pronome ‘toda’ na expressão ‘com a mata toda’ (l.6) poderia estar anteposto ao substantivo de duas formas: com toda a mata; com toda mata.
- 40.
A referência do sujeito elíptico da oração ‘É a Via Láctea’ (l.4-5) é a expressão ‘a sombra dela’ (l.4), que funciona como sujeito da oração ‘Ficou lá a sombra dela’ (l.4).
Alfredo Bosi. Céu, inferno: ensaios de crítica literária e ideologia. São Paulo: Ática, 1988, p. 12-13 (com adaptações).
Em relação ao texto acima, julgue o item a seguir.
- 41.
Para reforçar a ideia de “enfezamento” (l.1), o narrador alude, no segundo parágrafo, à crítica de personagens de outras narrativas à linguagem erudita e às estreias literárias em geral, ambas comparadas a prostitutas.
- 42.
No que segmento “sob cujo limiar se exprimem Fabiano e os seus” (l.3-4), é apresentada uma das causas da angústia do personagem Fabiano diante das relações de trabalho.
- 43.
Segundo o autor do texto, na visão do retirante Fabiano, não há desemprego em qualquer cidade do Sul do Brasil, mesmo que, como o próprio reconhece, o trabalho seja mal remunerado.
- 44.
No processo de coesão textual, os termos “O historiador” (l.18) e “o narrador” (l.22) remetem a diferentes referentes, como evidencia o emprego da estrutura de subordinação com oração adjetiva explicativa (l.18-19), que generaliza o sentido da palavra “historiador”.
- 45.
No último parágrafo do texto, o autor dá voz ao narrador onisciente do romance Vidas Secas, que faz referência à vida futura dos personagens que acompanham Fabiano ao seu Eldorado do Sul, como evidencia o emprego das formas verbais “chegariam” e “ficariam”, flexionadas no futuro do pretérito do indicativo.
Visita a Jean-Paul Sartre
Os estudantes do velho Centro Acadêmico Cândido de Oliveira, do Rio, querem levar uma peça de Sartre, Morts sans Sépulture, sem pagar os direitos. O pedido vem às mãos de Roberto Assumpção, secretário da embaixada, que lida com as coisas culturais. Ele escreve a Sartre e recebe logo a resposta, marcando rendez-vous: meio-dia e meia, no apartamento do escritor. Vou também, como penetra. (...)
Sartre mora na esquina da rue de l’Abbaye, num quarto andar aonde se ascende por uma escada meio escura, em caracol. Esse solteirão de 45 anos vive com sua mãe, e tem um apartamento bem-arranjado. Eu melhoraria de estilo se escrevesse como ele, nesse pequeno escritório cheio de livros, com duas janelas dando para o largo: à esquerda, a torre da igreja, à direita, o Deux Magots. (...)
À primeira vista, o dono da casa lembra Portinari; um Portinari que fosse mais forte e mais rústico. Esse parisiense que deriva da Borgonha e da Alsácia tem alguma coisa de camponês do Norte. É vermelho, tem a pele grosseira e os cabelos cor de palha suja. Os pedaços de costeleta que passam sob os ganchos dos óculos já embranqueceram. É impossível saber se está falando com Roberto Assumpção ou comigo, pois cada olho fixa um de nós, formando um ângulo de 45 graus; mas parece que o esquerdo, que fixa o diplomata, é que está com a razão. (...)
Estava escrevendo quando nos recebeu: explica-me que está acabando seu estudo sobre Jean Genet. Tem em sua frente uma edição de luxo de Notre-Dame-des-Fleurs. Automaticamente reparo nos dois livros que tem sobre a mesa: um é Platão, outro de Mallarmé.
É claro que tem prazer em que os estudantes levem sua peça; faz questão de escrever a eles uma carta, dando licença e agradecendo. Roberto lhe fala sobre o interesse que sua obra desperta no Brasil. Já tem notícia disso, e teve um convite de São Paulo para visitar nosso país. “Este ano foi impossível, mas vou dar um jeito de ir no ano que vem.” Conta que o adido cultural francês em São Paulo lhe prometeu mandar a tradução do ensaio de um escritor brasileiro para publicar na Les Temps Modernes, a sua revista. Não se lembra do nome do escritor.
Faz pergunta sobre nosso país. Diz que tem boa impressão dele pelo que lhe contaram Camus, Barrault e outros amigos. Um povo que tem caráter próprio e muita efervescência cultural. Não tem o ar de dizer gentilezas e parece exprimir uma curiosidade sincera. Digo-lhe que, na linguagem do Rio, “existencialismo” tem um sentido não muito austero e lembra mais Chiquita Bacana do que Søren Kierkegaard. Ri: não é apenas no Brasil, é no mundo; isso começou aqui no quartier e — nota — os adversários fingem levar a sério essa legenda de “imoralismo” da doutrina.
Rubem Braga. Visita a Jean-Paul Sartre [crônica de 20/11/1950]. In: Retratos parisienses. Rio de Janeiro: José Olympio, 2013, 2.ª ed., p.115-7 (com adaptações).
Com relação às ideias desenvolvidas no texto acima, julgue (C ou E) os itens a seguir.
- 46.
Rubem Braga informa que, como Jean-Paul Sartre foi evasivo durante boa parte da conversa, não foi possível saber com que interlocutor ele falava sobre seus trabalhos literários.
- 47.
O autor do texto, Rubem Braga, registra que o adido cultural francês em São Paulo teve conhecimento do problema relativo a direitos autorais e prometeu enviar uma cópia do processo traduzida para o francês.
- 48.
O encontro dos dois brasileiros com Jean Paul-Sartre foi marcado com urgência em razão de um processo penal que, relativo a direitos autorais, envolvia estudantes do Rio de Janeiro e o escritor francês.
- 49.
O cronista brasileiro comenta que melhoraria seu estilo literário se escrevesse não apenas no ambiente do filósofo francês, mas também se consultasse os livros de Platão e de Mallarmé que estavam sobre a mesa de Jean-Paul Sartre no momento do encontro.
Joaquim Nabuco. O povo e o trono. In: Leonardo Dantas Silva (Org.) Nabuco e a República. Recife: Fundação Joaquim Nabuco; Ed. Massagana, 1990, p. 9. Internet: <www.fundaj.gov.br>.
No que se refere aos sentidos e aos aspectos linguísticos do texto acima, julgue o item a seguir.
- 50.
Infere-se do texto que o “imperialismo” (l.30) a que se refere o autor consiste na prática política de expansão territorial e, principalmente, econômica adotada por alguns Estados para subjugar outros Estados.
- 51.
A palavra “trono” está empregada no texto em referência, de forma genérica, a regime autoritário.
- 52.
Dados os sentidos do texto e as relações sintáticas de seu segundo período, a forma verbal “rolará”, em “rolará o edifício nas areias” (l.3), pode ser interpretada como cair ou como fazer cair.
- 53.
A forma verbal “Esperemos”, à linha 25, denota esperança, mas não expectativa, ou seja, denota desejo de mudança, sem que se possa deduzir que haja a possibilidade de que ela ocorra.
- 54.
O pronome “isso”, em “Por isso” (l.17), retoma a ideia desenvolvida no último período do parágrafo anterior, a qual constitui a consequência do fato expresso na oração “desfalecer é um crime”.
João Cabral de Melo Neto. In: Museu de tudo. Rio de Janeiro: José Olympio, 1975, p. 60 (com adaptações).
João Cabral de Melo Neto. In: Poesias completas. Rio de Janeiro: Editora Sabiá, 1968, p. 12-3 (com adaptações).
Com relação aos textos acima — poemas de João Cabral de Melo Neto —, julgue (C ou E) os itens subsequentes.
- 55.
Depreende-se do primeiro texto que o poeta João Cabral de Melo Neto e o cronista Rubem Braga liam juntos as provas da obra Dois Parlamentos, porque ambos eram personagens desse poema.
- 56.
No segundo texto, ao informar que o urubu é “funcionário” (v.2), “veterano” (v.8) e “convicto profissional liberal” (v.16), o poeta quer assim transmitir a rotina, a experiência e a autonomia do urubu no período das secas do sertão, quando a morte dos animais, por fome e sede, aumenta a oferta da carniça de que se alimenta.
- 57.
No primeiro texto, o poeta demonstra apreensão ao perceber “um elenco de urubus” (v.6-7) a circular sobre a cobertura de um prédio e receia que as aves estejam indicando a iminente morte de um dos escritores, como em um presságio.
- 58.
Ao afirmar, no segundo texto, que o urubu “vai acolitar os empreiteiros da seca” (v.7), o poeta ironiza aqueles que lucram com a longa estiagem sertaneja, comparando-os à ave que, no mesmo período, encontra farta comida.
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