Língua Portuguesa — CACD 2008
CESPE/UnB · CACD – 1ª fase (TPS) · 60 itens · julgue cada item como Certo ou Errado
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Cadastre-seAs primeiras cartas
O importante não é a casa onde moramos. Mas onde, em nós, a casa mora. Avô Mariano
Mia Couto. Um rio chamado tempo, uma casa chamada terra. São Paulo: Companhia das Letras, 2003, p. 64-5.
Julgue (C ou E) os itens a seguir, de acordo com o texto.
- 1.
Assim que voltou a Luar-do-Chão para o funeral do pai, ao reentrar na casa, Mariano deparou com os mortos.
- 2.
Quando voltou para a Ilha, Mariano percebeu que a saudade do pai havia-se transformado em tristeza e desapontamento.
- 3.
Na Ilha de Luar-do-Chão, a prisão psicológica vivenciada pelos habitantes os tornava impotentes para dali saírem, por medo do desconhecido.
- 4.
Mariano encontrou cartas, que mais pareciam relatos e comentários orais do que mensagens escritas, e cuja leitura lhe causou assombro.
Item anulado pela banca
As primeiras cartas
O importante não é a casa onde moramos. Mas onde, em nós, a casa mora. Avô Mariano
Mia Couto. Um rio chamado tempo, uma casa chamada terra. São Paulo: Companhia das Letras, 2003, p. 64-5.
A propósito dos componentes semântico e estilístico do texto, julgue (C ou E) os itens seguintes.
- 5.
O sentido do trecho “feridas da boca se curam com a própria saliva” (l.10) equivale ao do clássico provérbio Amor com amor se paga.
- 6.
No texto, a oposição ou contraste como estratégia argumentativa pode ser exemplificada em vários enunciados, entre eles: “Não veio salvar o morto. Veio salvar a vida, a nossa vida.” (l.7) e “encontrará não a folha escrita mas um vazio que você mesmo irá preencher” (l.9).
- 7.
A epígrafe do texto estrutura-se em um jogo de palavras.
- 8.
É exemplo de paralelismo sintático o estilo de construção do trecho “você e eu, de um e outro lado das palavras. Eu dou as vozes, você dá a escritura” (l.11).
As primeiras cartas
O importante não é a casa onde moramos. Mas onde, em nós, a casa mora. Avô Mariano
Mia Couto. Um rio chamado tempo, uma casa chamada terra. São Paulo: Companhia das Letras, 2003, p. 64-5.
A propósito da sintaxe de regência do português do Brasil, comparativamente à variedade encontrada no texto do moçambicano Mia Couto, julgue (C ou E) os próximos itens.
- 9.
Em “Comece em seu pai, Fulano Malta” (l.13), o emprego do verbo transitivo indireto obedece à prescrição gramatical brasileira.
- 10.
Para adequar o trecho “lhe lembra que ele ficou” (l.21-22) à prescrição gramatical brasileira, seria necessário acrescentar a preposição de antes da conjunção “que”.
- 11.
Em “comparecer perante um funeral” (l.6), a preposição a substitui corretamente a que foi empregada.
- 12.
No trecho “ele se tornou num estranho, alheio e distante” (l.20-21), a regência do verbo tornar corresponde à que é prescrita no português do Brasil.
As primeiras cartas
O importante não é a casa onde moramos. Mas onde, em nós, a casa mora. Avô Mariano
Mia Couto. Um rio chamado tempo, uma casa chamada terra. São Paulo: Companhia das Letras, 2003, p. 64-5.
O item a seguir descreve marca(s) lingüística(s) contida(s) no texto. Julgue se a(s) marca(s) apontada(s) corresponde(m) a traço(s) de oralidade do texto.
- 13.
Não-contração da preposição “de” com o pronome “ele”, que é sujeito de infinitivo, conforme ocorre em “Você nunca lhe ensinou modos de ele ser pai” (l.13).
- 14.
O emprego do vocábulo “Pois” como marcador discursivo no trecho “Pois lhe digo” (l.14-15).
- 15.
Emprego do vocativo “Mariano” e uso do pronome você, para construir o discurso direto.
- 16.
Ocorrência de interrogações em discurso direto, como em “Às vezes, seu pai lhe tem raiva?” (l.14) ou “Seu velhote passou a destratá-lo?” (l.21).
- 17.
Flexibilidade na colocação de pronomes átonos, como em “Sente-se, se deixe em bastante sossego e escute” (l.5) e “Lhe explico” (l.15).
Receita de casa
Rubem Braga. Um pé de milho. 4.ª ed. Rio de Janeiro: Record, 1982, p. 129-31 (com adaptações).
Julgue (C ou E) os itens a seguir, que se referem à compreensão, à interpretação e aos aspectos sintático-semânticos do texto.
- 18.
No segundo parágrafo, tanto o emprego da palavra “cemitério” (l.7) quanto a comparação entre o porão e o “subconsciente dos vivos” (l.8) evidenciam que o sentido produzido, nesse trecho do texto, é o de fim completo das coisas.
- 19.
Depreende-se do texto que moralizar o porão significa mantê-lo razoavelmente limpo e iluminado.
- 20.
Conclui-se da leitura do texto que nenhuma criança que more em casa sem porão se transformará em um romancista introvertido.
- 21.
Na linha 10, a substituição do vocábulo “acaso” por caso prejudicaria o sentido do período, mas a substituição do mesmo vocábulo por porventura manteria a coerência textual do trecho.
Receita de casa
Rubem Braga. Um pé de milho. 4.ª ed. Rio de Janeiro: Record, 1982, p. 129-31 (com adaptações).
Com base no texto, julgue (C ou E) os itens que se seguem.
- 22.
Na linha 17, o termo “um romancista introvertido” exerce função sintática de predicativo do objeto “da criança”.
- 23.
No terceiro parágrafo, nas expressões “a sua avó” (l.12) e “a seus olhos” (l.13), os pronomes possessivos remetem ao referente “pessoas grandes” (l.12).
- 24.
Caso o acento grave de “à noite” (l.25) seja suprimido, a coesão e a coerência textuais do período em que se insere essa expressão serão prejudicadas.
- 25.
Em “a menor utilidade” (l.22), o emprego do adjetivo no grau superlativo estabelece comparação entre as três possíveis utilidades supostas para um porão.
Receita de casa
Rubem Braga. Um pé de milho. 4.ª ed. Rio de Janeiro: Record, 1982, p. 129-31 (com adaptações).
Acerca da organização, da linguagem e dos aspectos gramaticais do texto, julgue (C ou E) os itens subseqüentes.
- 26.
O sentido de posição inferior, em “sob os pés da família” (l.7-8) e “subconsciente” (l.8), é expresso, respectivamente, por meio do uso de uma preposição e de um prefixo.
- 27.
Em “incluindo, mesmo, uma certa menina de vestido branco” (l.2), o vocábulo sublinhado (“mesmo”) pode ser corretamente substituído por inclusive.
- 28.
Em “Nada sei dessas coisas” (l.2-3), “entendo alguma coisa de arquitetura urbana” (l.3), “a primeira coisa a respeito de uma casa” (l.5), “cemitério das coisas” (l.7) e “coisas instrutivas” (l.12), a palavra “coisas” (ou seu singular “coisa”) está empregada com o mesmo sentido.
- 29.
O recurso a processos de formação de palavras derivadas pode ser exemplificado em “habitável porém inabitado” (l.6).
Origem das culturas
Luís da Câmara Cascudo. Civilização e cultura: pesquisas e notas de etnografia geral. 2.ª ed. Belo Horizonte: Itatiaia, 1983, p. 65-6 (com adaptações).
Acerca dos aspectos gramaticais e estilísticos do texto, julgue (C ou E) os itens que se seguem.
- 30.
O fragmento “Diante da premência da fome, frio e desabrigo” (l.24-25) pode, sem que se contrarie a prescrição gramatical, ser reescrito da seguinte forma: Diante da premência da fome, do frio e do desabrigo.
- 31.
Na oração “Não sendo conhecida de doutrina alguma contemporânea a explicação, mesmo primária, do processo diferenciador dos primatas superiores ao Homo sapiens” (l.18-19), o adjetivo “contemporânea” modifica o substantivo “explicação”.
- 32.
No período “Esse processo transfigurador da memória, desajustando e confundindo os elementos formadores do episódio, antecipando ou postergando a sucessão temática, interfere como autodefesa inconsciente e instintiva, perturbando a seqüência lógica da narrativa” (l.6-8), o núcleo do predicado da oração principal é um verbo empregado sem complemento.
- 33.
A complementação da forma verbal “assistiram” (l.2) pelo pronome pessoal o, na modalidade no, manteria a correção gramatical do período.
Origem das culturas
Luís da Câmara Cascudo. Civilização e cultura: pesquisas e notas de etnografia geral. 2.ª ed. Belo Horizonte: Itatiaia, 1983, p. 65-6 (com adaptações).
Acerca dos sentidos e dos elementos de coesão e de referenciação presentes no texto, julgue (C ou E) os itens subseqüentes.
- 34.
O termo “Essa exaltação do orgânico em detrimento do social” (l.16-17) retoma e amplia a idéia de “um exercício intelectual em favor da ditadura biológica” (l.16).
- 35.
O termo “dessas dificuldades” (l.9) sumaria os efeitos da transfiguração da memória descritos no parágrafo anterior.
- 36.
O termo “Esse processo transfigurador da memória” (l.6) está empregado em referência a um vocábulo específico dos dois últimos períodos do primeiro parágrafo do texto.
- 37.
O substantivo “duelo” (l.2) resume, com certa dose de ironia, o episódio narrado no primeiro período do texto.
Origem das culturas
Luís da Câmara Cascudo. Civilização e cultura: pesquisas e notas de etnografia geral. 2.ª ed. Belo Horizonte: Itatiaia, 1983, p. 65-6 (com adaptações).
O item a seguir reproduz período do texto ao qual se acrescentaram uma ou mais vírgulas, seguindo-se uma justificativa. Julgue se é procedente a justificativa apresentada para o acréscimo da(s) vírgula(s).
- 38.
Como começara e como findara a luta, foi impossível apurar. Justificativa: a vírgula isola oração subordinada adverbial antecipada.
- 39.
O duelo durou vinte minutos, e cinqüenta pessoas assistiram. Justificativa: a vírgula separa orações coordenadas que, unidas pela conjunção “e”, têm sujeitos diferentes.
- 40.
O soldado e o marinheiro permutaram bofetadas, mais ou menos teóricas, numa esquina de minha rua, por causa da namorada comum, que devia chamar-se Marlene. Justificativa: a vírgula separa adjuntos adverbiais que expressam noções diferentes.
- 41.
Diante da premência da fome, frio e desabrigo, o primeiro material foi o mais próximo e a primeira técnica, improvisada pela urgência vital. Justificativa: a vírgula indica elipse do verbo.
- 42.
A dificuldade total foi reconstituir o delito, porque, tanto no inquérito policial quanto na formação de culpa perante o juiz, as espontâneas e numerosas testemunhas prestaram depoimentos inteiramente contraditórios. Justificativa: as vírgulas isolam o adjunto adverbial antecipado.
Origem das culturas
Luís da Câmara Cascudo. Civilização e cultura: pesquisas e notas de etnografia geral. 2.ª ed. Belo Horizonte: Itatiaia, 1983, p. 65-6 (com adaptações).
Considerando os sentidos do texto, julgue o item a seguir, relativo a sinônimos contextuais.
- 43.
No texto, “telúricas” (l.20) pode ser substituído, sem alteração de sentido, por ferozes.
- 44.
No texto, “tenacidade” (l.17) pode ser substituído, sem alteração de sentido, por desvario.
- 45.
No texto, “padece” (l.9) pode ser substituído, sem alteração de sentido, por prescinde.
- 46.
No texto, “lítica” (l.15) pode ser substituído, sem alteração de sentido, por pétrea.
- 47.
No texto, “maquinal” (l.21) pode ser substituído, sem alteração de sentido, por mecânica.
Receita de casa
Rubem Braga. Um pé de milho. 4.ª ed. Rio de Janeiro: Record, 1982, p. 129-31 (com adaptações).
Julgue o item a seguir, relativo à crônica de Rubem Braga.
- 48.
A crônica de Rubem Braga confere ao porão grande relevância para as crianças.
- 49.
A crônica de Rubem Braga define o porão como um espaço de horror e repulsa infantil.
- 50.
A crônica de Rubem Braga parafraseia as páginas de Ciro dos Anjos.
- 51.
A crônica de Rubem Braga contém recomendações arquitetônicas dignas de profissionais.
- 52.
A crônica de Rubem Braga exige que toda casa tenha um porão que vá da frente aos fundos do terreno.
Origem das culturas
Luís da Câmara Cascudo. Civilização e cultura: pesquisas e notas de etnografia geral. 2.ª ed. Belo Horizonte: Itatiaia, 1983, p. 65-6 (com adaptações).
Com relação à organização, à linguagem e aos aspectos gramaticais do texto, julgue (C ou E) os itens subseqüentes.
- 53.
O autor emprega linguagem precisa em “Possuímos documentos da atividade humana desde o Pleistoceno, ou seja, do Paleolítico inferior, período chelense” (l.11) e “processo diferenciador dos primatas superiores ao Homo sapiens” (l.19).
- 54.
Para evitar a estrutura oracional e tornar o texto mais conciso, o autor recorreu ao processo de derivação de palavras em “nasce do útil-necessário, no ambiente do real-imediato” (l.24).
- 55.
No quinto parágrafo, o autor constrói, para a forma verbal “reduz” (l.17), um complemento verbal composto: “a tenacidade do esforço humano” (l.17) e “em centenas e centenas de séculos” (l.17).
- 56.
O autor vale-se da narrativa, na introdução do texto, para captar a atenção do leitor, conduzir-lhe o raciocínio e ilustrar a idéia a ser desenvolvida.
Origem das culturas
Luís da Câmara Cascudo. Civilização e cultura: pesquisas e notas de etnografia geral. 2.ª ed. Belo Horizonte: Itatiaia, 1983, p. 65-6 (com adaptações).
De acordo com as idéias apresentadas no texto, julgue (C ou E) os seguintes itens.
- 57.
A explicação meramente biológica dos primórdios da cultura humana não faz jus ao engenho humano.
- 58.
O termo “o Rei da Criação” (l.21) refere-se a um ente divino.
- 59.
Os estudos de Thomsen, que datam da primeira metade do século XIX, dedicam-se às culturas do início da Revolução Industrial.
- 60.
Por não estarem sujeitas a testemunhos divergentes, as narrativas de episódios longínquos do passado são mais fiáveis que as de eventos mais recentes.
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