Língua Portuguesa — CACD 2006

CESPE/UnB · CACD – 1ª fase (TPS) · 88 itens · julgue cada item como Certo ou Errado

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 Como e por que sou escritor, sem deixar de ser um tanto sociólogo1 O que principalmente sou? Creio que escritor. Escritorliterário. O sociólogo, o antropólogo, o historiador, o cientistasocial, o possível pensador são em mim ancilares do escritor.4Se bom ou mau escritor é outro assunto. Como tentativa de oferecer, a esse respeito, umdepoimento ou uma confissão de possível interesse7sociológico, procurarei fixar aqui algumas das orientações queconsidero essenciais à afirmação de um escritor comoescritor, e que se baseiam até certo ponto na minha própria10experiência. Sobre elas, por outro lado, se apóia minhaesperança de ser escritor, sem ser, exatamente, beletrista. Ser escritor é desenvolver uma atividade que nada tem13de burocrática. É uma atividade mais de aventura que derotina. A sociologia da atividade de escritor está ainda porfazer. É uma sociologia difícil de ser traçada, tão diferente16tende a ser o escritor de outros homens, quer dos daschamadas profissões liberais, quer dos que vivem de ofíciosou de artes. Ele é um pouco de tudo isso sem pertencer mais19especificamente a nenhum desses grupos profissionais. Éinseguro. Sabe-se de companhias de seguros que têmsegurado por altas somas mãos de pianistas. Mas não, mãos22de escritor.

Gilberto Freire. Como e por que sou e não sou sociólogo. Brasília: EDUnB, 1968, p. (com adaptações).

Valendo-se exclusivamente das informações contidas no texto, considere a menção ao fato de que, ao contrário das mãos dos escritores, as mãos dos pianistas têm sido objeto de seguro e julgue (C ou E) os itens que se seguem.

  1. 1.

    O texto alude às qualidades artísticas das atividades do pianista e do escritor.

  2. 2.

    Enquanto o pianista usa as duas mãos, o escritor usa uma só, o que explica as altas somas pelas quais aquelas são seguradas.

  3. 3.

    Na opinião do autor, os pianistas deveriam ser impedidos de fazer seguro, por contrato, das mãos.

  4. 4.

    O autor valoriza o pianista, mais dependente de suas mãos do que o escritor, já que este pode recorrer ao texto ditado.

 Como e por que sou escritor, sem deixar de ser um tanto sociólogo1 O que principalmente sou? Creio que escritor. Escritorliterário. O sociólogo, o antropólogo, o historiador, o cientistasocial, o possível pensador são em mim ancilares do escritor.4Se bom ou mau escritor é outro assunto. Como tentativa de oferecer, a esse respeito, umdepoimento ou uma confissão de possível interesse7sociológico, procurarei fixar aqui algumas das orientações queconsidero essenciais à afirmação de um escritor comoescritor, e que se baseiam até certo ponto na minha própria10experiência. Sobre elas, por outro lado, se apóia minhaesperança de ser escritor, sem ser, exatamente, beletrista. Ser escritor é desenvolver uma atividade que nada tem13de burocrática. É uma atividade mais de aventura que derotina. A sociologia da atividade de escritor está ainda porfazer. É uma sociologia difícil de ser traçada, tão diferente16tende a ser o escritor de outros homens, quer dos daschamadas profissões liberais, quer dos que vivem de ofíciosou de artes. Ele é um pouco de tudo isso sem pertencer mais19especificamente a nenhum desses grupos profissionais. Éinseguro. Sabe-se de companhias de seguros que têmsegurado por altas somas mãos de pianistas. Mas não, mãos22de escritor.

Gilberto Freire. Como e por que sou e não sou sociólogo. Brasília: EDUnB, 1968, p. (com adaptações).

Com base, exclusivamente, nas informações contidas no texto, julgue o item a seguir.

  1. 5.

    A vida de aventuras é essencial para haver êxito na produção literária.

  2. 6.

    Embora difícil, é desejável traçar uma sociologia da atividade do escritor.

  3. 7.

    Na prática do escritor, a rotina de trabalho é irrelevante.

  4. 8.

    O escritor está sujeito à insegurança da liberdade, sendo, portanto, um profissional liberal.

  5. 9.

    O escritor, como tal, não é diferente de outros homens.

 Como e por que sou escritor, sem deixar de ser um tanto sociólogo1 O que principalmente sou? Creio que escritor. Escritorliterário. O sociólogo, o antropólogo, o historiador, o cientistasocial, o possível pensador são em mim ancilares do escritor.4Se bom ou mau escritor é outro assunto. Como tentativa de oferecer, a esse respeito, umdepoimento ou uma confissão de possível interesse7sociológico, procurarei fixar aqui algumas das orientações queconsidero essenciais à afirmação de um escritor comoescritor, e que se baseiam até certo ponto na minha própria10experiência. Sobre elas, por outro lado, se apóia minhaesperança de ser escritor, sem ser, exatamente, beletrista. Ser escritor é desenvolver uma atividade que nada tem13de burocrática. É uma atividade mais de aventura que derotina. A sociologia da atividade de escritor está ainda porfazer. É uma sociologia difícil de ser traçada, tão diferente16tende a ser o escritor de outros homens, quer dos daschamadas profissões liberais, quer dos que vivem de ofíciosou de artes. Ele é um pouco de tudo isso sem pertencer mais19especificamente a nenhum desses grupos profissionais. Éinseguro. Sabe-se de companhias de seguros que têmsegurado por altas somas mãos de pianistas. Mas não, mãos22de escritor.

Gilberto Freire. Como e por que sou e não sou sociólogo. Brasília: EDUnB, 1968, p. (com adaptações).

Com relação ao texto, julgue (C ou E) os itens subseqüentes.

  1. 10.

    A inversão sintática observada em “O que principalmente sou?” (l.1) condiz com a estrutura gramatical interrogativa e apresenta-se como legítimo recurso de ênfase.

  2. 11.

    Em “sem ser, exatamente, beletrista” (l.11), o vocábulo sublinhado (“exatamente”) tem sentido de sobretudo.

  3. 12.

    Por meio da expressão “Escritor literário.” (l.1-2), o autor critica os escritores que não se dedicam à literatura.

  4. 13.

    A palavra “ancilares” (l.3) significa próximas, enquanto “beletrista” (l.11) equivale a especialista em redação.

Cujas Canções

1 É costume cada um colocar sua profissão ou títulos noscartões de visitas. No tempo das guerras cisplatinas até ficoufamoso alguém que assim se apresentava: “José Maria da4Conceição — tenente dos Colorados”. Ora, quem escreve estas linhas já recebeu algunstítulos da generosidade de seus conterrâneos. Se pusesse todos7eles, seria pedante; escolher um só seria indelicadeza paracom os outros proponentes. Quanto a mim, sempre fui de opinião que bastava o10nome da pessoa, sem a vaidade de títulos secundários. Mas eisque a minha camareira fez-me cair em tentação. Dá-se o casoque saiu a edição do meu livro Canções, ilustrado por Noêmia13e que, ao ser noticiado por Nilo Tapecoara no Bric-à-brac davida, este o publicou com o meu retrato em duas colunas e,abaixo do mesmo, uma notícia que assim principiava, com a16primeira linha impressa em letras maiúsculas: MÁRIOQUINTANA, CUJAS CANÇÕES etc. etc... Ora, na manhã daquele dia, ao servir-me o café na19cama, sia Benedita não podia ocultar o orgulho que lhecausava o seu hóspede e repetia: “Cujas canções, hein, cujascanções!”22 O seu maior respeito era devido, sem dúvida, àmisteriosa palavra “cujas”.

Mario Quintana. Poesia completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2005, p. 959.

Julgue (C ou E) os próximos itens, relativos a análises de fatos lingüísticos do texto.

  1. 14.

    Os termos “quem” (l.5), “mim” (l.9) e “hóspede” (l.20) estão empregados em referência a pessoas diferentes.

  2. 15.

    O emprego de “Ora”, no início do segundo parágrafo, sugere raciocínio silogístico, que se apóia, no texto, em premissas seguidas de prova e em conclusão irônica.

  3. 16.

    Os deslocamentos de termos da oração em “até ficou famoso alguém” (l.2-3) e em “que assim se apresentava” (l.3) contribuem para realçar a atitude do personagem mencionado na frase.

  4. 17.

    O emprego da vírgula após “No tempo das guerras cisplatinas” (l.2) seria justificado pela prescrição gramatical e estaria adequado ao ritmo do período.

Cujas Canções

1 É costume cada um colocar sua profissão ou títulos noscartões de visitas. No tempo das guerras cisplatinas até ficoufamoso alguém que assim se apresentava: “José Maria da4Conceição — tenente dos Colorados”. Ora, quem escreve estas linhas já recebeu algunstítulos da generosidade de seus conterrâneos. Se pusesse todos7eles, seria pedante; escolher um só seria indelicadeza paracom os outros proponentes. Quanto a mim, sempre fui de opinião que bastava o10nome da pessoa, sem a vaidade de títulos secundários. Mas eisque a minha camareira fez-me cair em tentação. Dá-se o casoque saiu a edição do meu livro Canções, ilustrado por Noêmia13e que, ao ser noticiado por Nilo Tapecoara no Bric-à-brac davida, este o publicou com o meu retrato em duas colunas e,abaixo do mesmo, uma notícia que assim principiava, com a16primeira linha impressa em letras maiúsculas: MÁRIOQUINTANA, CUJAS CANÇÕES etc. etc... Ora, na manhã daquele dia, ao servir-me o café na19cama, sia Benedita não podia ocultar o orgulho que lhecausava o seu hóspede e repetia: “Cujas canções, hein, cujascanções!”22 O seu maior respeito era devido, sem dúvida, àmisteriosa palavra “cujas”.

Mario Quintana. Poesia completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2005, p. 959.

Com base no texto, julgue (C ou E) os seguintes itens.

  1. 18.

    A forma “sia” (l.19) é redução de sinhá, vocábulo sinônimo de sinhara — proveniente de senhora.

  2. 19.

    Em “sia Benedita não podia ocultar o orgulho que lhe causava o seu hóspede e repetia” (l.19-20), deveria haver vírgula depois de “orgulho” e antes de “e”, em decorrência do sentido explicativo da oração introduzida pelo “que”.

  3. 20.

    O tratamento “sia” (l.19) remonta à época do descobrimento do Brasil.

  4. 21.

    Depreende-se do texto que a palavra “cujas” junto ao nome de Mario Quintana foi entendida pela camareira no sentido empregado no texto que ela lera.

Contos de vigário

1 Passam-se tempos sem que ouçamos falar em contosde vigário. Muito bem. Tornamo-nos otimistas, imaginamosque, se a reportagem não menciona esses espantosos casos de4tolice combinada com safadeza, certamente os homensficaram sabidos e melhoraram. Pensamos assim e devemos estar em erro.7Provavelmente esse negócio continua a florescer, mas asvítimas têm vergonha de queixar-se e confessar que sãoidiotas. Raras vezes um cidadão se resolve a afrontar o10ridículo, e vai à polícia declarar que, não obstante ser parvo,teve a intenção de embrulhar o seu semelhante. O que ele faz depois de logrado é meter-se em casa,13arrancar os cabelos, evitar os espelhos e passar uns dias decama, procedimento que todos nós adotamos quando, emconseqüência de um disparate volumoso, nos sentimos16inferiores ao resto da humanidade. Convenientemente curado,cicatrizado, esquecida a fraqueza, o sujeito levanta-se eadquire consistência para realizar nova tolice. E assim por19diante, até a hora da tolice máxima, em que ninguém reincideporque isto é impossível.

Graciliano Ramos. Linhas tortas: obra póstuma. 11.a ed. Rio de Janeiro, São Paulo: Record, 1984. p. 154.

Quanto à descrição gramatical de elementos do texto, julgue o item a seguir.

  1. 22.

    Em “Tornamo-nos” (l.2), a supressão do s é prescrita para se evitar o efeito de eco.

  2. 23.

    A forma verbal “Passam-se” (l.1) está no plural para atender à regra gramatical de concordância com o sujeito da oração.

  3. 24.

    O verbo “queixar-se” (l.8), utilizado no texto como verbo pronominal, conjuga-se facultativamente sem o pronome.

  4. 25.

    Em “levanta-se” (l.17), a partícula “se” indica a indeterminação do sujeito.

  5. 26.

    Em “nos sentimos inferiores ao resto da humanidade” (l.15-16), houve transgressão dos requisitos gramaticais para a colocação pronominal.

Contos de vigário

1 Passam-se tempos sem que ouçamos falar em contosde vigário. Muito bem. Tornamo-nos otimistas, imaginamosque, se a reportagem não menciona esses espantosos casos de4tolice combinada com safadeza, certamente os homensficaram sabidos e melhoraram. Pensamos assim e devemos estar em erro.7Provavelmente esse negócio continua a florescer, mas asvítimas têm vergonha de queixar-se e confessar que sãoidiotas. Raras vezes um cidadão se resolve a afrontar o10ridículo, e vai à polícia declarar que, não obstante ser parvo,teve a intenção de embrulhar o seu semelhante. O que ele faz depois de logrado é meter-se em casa,13arrancar os cabelos, evitar os espelhos e passar uns dias decama, procedimento que todos nós adotamos quando, emconseqüência de um disparate volumoso, nos sentimos16inferiores ao resto da humanidade. Convenientemente curado,cicatrizado, esquecida a fraqueza, o sujeito levanta-se eadquire consistência para realizar nova tolice. E assim por19diante, até a hora da tolice máxima, em que ninguém reincideporque isto é impossível.

Graciliano Ramos. Linhas tortas: obra póstuma. 11.a ed. Rio de Janeiro, São Paulo: Record, 1984. p. 154.

Julgue o item a seguir, relativo ao sentido com que termos foram empregados no texto.

  1. 27.

    No texto, o termo “afrontar” (l.9) foi empregado com o sentido de ofender.

  2. 28.

    No texto, o termo “combinada” (l.4) foi empregado com o sentido de organizada.

  3. 29.

    No texto, o termo “declarar” (l.10) foi empregado com o sentido de desvendar.

  4. 30.

    No texto, o termo “logrado” (l.12) foi empregado com o sentido de alcançado.

  5. 31.

    No texto, o termo “embrulhar” (l.11) foi empregado com o sentido de tapear.

Cujas Canções

1 É costume cada um colocar sua profissão ou títulos noscartões de visitas. No tempo das guerras cisplatinas até ficoufamoso alguém que assim se apresentava: “José Maria da4Conceição — tenente dos Colorados”. Ora, quem escreve estas linhas já recebeu algunstítulos da generosidade de seus conterrâneos. Se pusesse todos7eles, seria pedante; escolher um só seria indelicadeza paracom os outros proponentes. Quanto a mim, sempre fui de opinião que bastava o10nome da pessoa, sem a vaidade de títulos secundários. Mas eisque a minha camareira fez-me cair em tentação. Dá-se o casoque saiu a edição do meu livro Canções, ilustrado por Noêmia13e que, ao ser noticiado por Nilo Tapecoara no Bric-à-brac davida, este o publicou com o meu retrato em duas colunas e,abaixo do mesmo, uma notícia que assim principiava, com a16primeira linha impressa em letras maiúsculas: MÁRIOQUINTANA, CUJAS CANÇÕES etc. etc... Ora, na manhã daquele dia, ao servir-me o café na19cama, sia Benedita não podia ocultar o orgulho que lhecausava o seu hóspede e repetia: “Cujas canções, hein, cujascanções!”22 O seu maior respeito era devido, sem dúvida, àmisteriosa palavra “cujas”.

Mario Quintana. Poesia completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2005, p. 959.

Considerando os sentidos e aspectos morfossintáticos do texto, julgue (C ou E) os itens a seguir.

  1. 32.

    O mal-entendido narrado na conclusão do texto sugere uma visão irônica quanto à importância dos títulos.

  2. 33.

    O pronome “este” (l.14) refere-se a seu antecedente, o “Bric-à-brac da vida”.

  3. 34.

    Na locução “eis que” (l.10-11), a palavra “eis” perde não só o traço semântico de imprevisão, ou de ocorrência súbita, mas também sua equivalência com a forma veja.

  4. 35.

    Na linha 14, a proximidade imediata entre “com o meu retrato” e “em duas colunas” gera ambigüidade quanto a haver um ou dois retratos do autor.

 Como e por que sou escritor, sem deixar de ser um tanto sociólogo1 O que principalmente sou? Creio que escritor. Escritorliterário. O sociólogo, o antropólogo, o historiador, o cientistasocial, o possível pensador são em mim ancilares do escritor.4Se bom ou mau escritor é outro assunto. Como tentativa de oferecer, a esse respeito, umdepoimento ou uma confissão de possível interesse7sociológico, procurarei fixar aqui algumas das orientações queconsidero essenciais à afirmação de um escritor comoescritor, e que se baseiam até certo ponto na minha própria10experiência. Sobre elas, por outro lado, se apóia minhaesperança de ser escritor, sem ser, exatamente, beletrista. Ser escritor é desenvolver uma atividade que nada tem13de burocrática. É uma atividade mais de aventura que derotina. A sociologia da atividade de escritor está ainda porfazer. É uma sociologia difícil de ser traçada, tão diferente16tende a ser o escritor de outros homens, quer dos daschamadas profissões liberais, quer dos que vivem de ofíciosou de artes. Ele é um pouco de tudo isso sem pertencer mais19especificamente a nenhum desses grupos profissionais. Éinseguro. Sabe-se de companhias de seguros que têmsegurado por altas somas mãos de pianistas. Mas não, mãos22de escritor.

Gilberto Freire. Como e por que sou e não sou sociólogo. Brasília: EDUnB, 1968, p. (com adaptações).

No terceiro parágrafo do texto, o autor afirma que a atividade de escritor nada tem de burocrática. Julgue o item a seguir, acerca do que o autor quer significar com essa afirmação.

  1. 36.

    Com essa afirmação, o autor quer significar que a atividade de escritor se distingue por ser pouco eficiente.

  2. 37.

    Com essa afirmação, o autor quer significar que a atividade de escritor se distingue por ser de natureza privada.

  3. 38.

    Com essa afirmação, o autor quer significar que a atividade de escritor se distingue por ser não-administrativa.

  4. 39.

    Com essa afirmação, o autor quer significar que a atividade de escritor se distingue por ser dotada de base sociológica.

  5. 40.

    Com essa afirmação, o autor quer significar que a atividade de escritor se distingue por ser desprovida de regras sistemáticas.

Contos de vigário

1 Passam-se tempos sem que ouçamos falar em contosde vigário. Muito bem. Tornamo-nos otimistas, imaginamosque, se a reportagem não menciona esses espantosos casos de4tolice combinada com safadeza, certamente os homensficaram sabidos e melhoraram. Pensamos assim e devemos estar em erro.7Provavelmente esse negócio continua a florescer, mas asvítimas têm vergonha de queixar-se e confessar que sãoidiotas. Raras vezes um cidadão se resolve a afrontar o10ridículo, e vai à polícia declarar que, não obstante ser parvo,teve a intenção de embrulhar o seu semelhante. O que ele faz depois de logrado é meter-se em casa,13arrancar os cabelos, evitar os espelhos e passar uns dias decama, procedimento que todos nós adotamos quando, emconseqüência de um disparate volumoso, nos sentimos16inferiores ao resto da humanidade. Convenientemente curado,cicatrizado, esquecida a fraqueza, o sujeito levanta-se eadquire consistência para realizar nova tolice. E assim por19diante, até a hora da tolice máxima, em que ninguém reincideporque isto é impossível.

Graciliano Ramos. Linhas tortas: obra póstuma. 11.a ed. Rio de Janeiro, São Paulo: Record, 1984. p. 154.

Considerando os sentidos do texto, julgue (C ou E) os seguintes itens.

  1. 41.

    O vocábulo “procedimento” (l.14) resume, de forma irônica, a seqüência de ações descritas nas orações que o precedem no período.

  2. 42.

    Depreende-se do texto que os contos-do-vigário não são abordados pela imprensa por serem assunto tabu.

  3. 43.

    O autor considera que existe má-fé no comportamento da vítima do conto-do-vigário.

  4. 44.

    Na linha 10, a substituição de “não obstante” por além de não acarretaria alteração no sentido da frase.

Cujas Canções

1 É costume cada um colocar sua profissão ou títulos noscartões de visitas. No tempo das guerras cisplatinas até ficoufamoso alguém que assim se apresentava: “José Maria da4Conceição — tenente dos Colorados”. Ora, quem escreve estas linhas já recebeu algunstítulos da generosidade de seus conterrâneos. Se pusesse todos7eles, seria pedante; escolher um só seria indelicadeza paracom os outros proponentes. Quanto a mim, sempre fui de opinião que bastava o10nome da pessoa, sem a vaidade de títulos secundários. Mas eisque a minha camareira fez-me cair em tentação. Dá-se o casoque saiu a edição do meu livro Canções, ilustrado por Noêmia13e que, ao ser noticiado por Nilo Tapecoara no Bric-à-brac davida, este o publicou com o meu retrato em duas colunas e,abaixo do mesmo, uma notícia que assim principiava, com a16primeira linha impressa em letras maiúsculas: MÁRIOQUINTANA, CUJAS CANÇÕES etc. etc... Ora, na manhã daquele dia, ao servir-me o café na19cama, sia Benedita não podia ocultar o orgulho que lhecausava o seu hóspede e repetia: “Cujas canções, hein, cujascanções!”22 O seu maior respeito era devido, sem dúvida, àmisteriosa palavra “cujas”.

Mario Quintana. Poesia completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2005, p. 959.

Julgue o item a seguir, acerca do segundo parágrafo do texto.

  1. 45.

    Depreende-se do trecho em questão que, para a indicação de títulos em cartões de visita, uma das alternativas citadas é melhor que a outra.

    Item anulado pela banca

  2. 46.

    Deveria haver vírgula depois da oração “escolher um só” (l.7) pela mesma razão que sustenta a presença de vírgula depois de “Se pusesse todos eles” (l.6-7).

    Item anulado pela banca

  3. 47.

    Para se atender ao rigor gramatical no que respeita ao paralelismo sintático entre as estruturas separadas pelo ponto-e-vírgula, uma opção correta seria substituir “escolher um só seria indelicadeza” (l.7) por se escolhessse um só, seria indelicado.

    Item anulado pela banca

  4. 48.

    A palavra “generosidade” (l.6) pode ser substituída por indulgência, sem que o sentido da frase se altere.

    Item anulado pela banca

  5. 49.

    No segundo período desse parágrafo, o emprego do ponto-e-vírgula assinala a omissão do verbo.

    Item anulado pela banca

1 A história do Brasil, nos três primeiros séculos, estáintimamente ligada à da expansão comercial e colonialeuropéia na Época Moderna. Parte integrante do império4ultramarino português, o Brasil-colônia refletiu, em todo olargo período de sua formação colonial, os problemas e osmecanismos de conjunto que agitaram a política imperial7lusitana. Por outro lado, a história da expansão ultramarina eda exploração colonial portuguesa desenrola-se no amploquadro da competição entre as várias potências, em busca do10equilíbrio europeu; dessa forma, é na história do sistema geralde colonização européia moderna que devemos procurar oesquema de determinações no interior do qual se processou a13organização da vida econômica e social do Brasil na primeirafase de sua história e se encaminharam os problemas políticosde que esta região foi o teatro.

Fernando A. Novais. Aproximações: estudos de história e historiografia. São Paulo: Cosac Naify, 2005, p. 45.

Com relação a aspectos lingüísticos do texto, julgue (C ou E) os itens a seguir.

  1. 50.

    No trecho “ligada à da expansão comercial e colonial européia” (l.2-3), o acento grave indica crase de preposição e pronome, o qual substitui “história”.

  2. 51.

    O pronome “que” (l.15) tem como antecedente “os problemas políticos” (l.14).

  3. 52.

    A substituição de “no interior do qual” (l.12) por em cujo interior seria justificada pela prescrição gramatical.

  4. 53.

    O emprego do artigo “o”, no trecho “em todo o largo período de sua formação colonial” (l.4-5), reflete opção estilística do autor, visto que o artigo poderia ser eliminado, sem prejuízo para o sentido da frase.

Situação das Fronteiras quando da Independência

Diante do vai-e-volta das relações luso-hispânicas, o Brasil independente herdou de Portugal todas as suas questões de limites; com a agravante de que, enquanto Portugal teve que lidar apenas com a Espanha e a França, agora era necessário encetar negociações com a França, a Holanda e a Inglaterra, e com todas as nações sul-americanas, exceto o Chile, muitas das quais pretendiam confinar, simultaneamente, com o novo Império, nas mesmas regiões.

Mauro Pereira de Mello. A questão dos limites entre os estados do Acre e de Rondônia (aspectos históricos e formação do território). In: Revista Brasileira de Geografia. Rio de Janeiro: IBGE, (52), n.º 4.

A respeito dos vocábulos empregados no texto, julgue (C ou E) os próximos itens.

  1. 54.

    O verbo “encetar”, no texto, está empregado na acepção de instigar, encorajar, impelir.

  2. 55.

    O verbo confinar tem a mesma significação no texto e na frase seguinte: De acordo com o mapa da época, via-se que vários reinos confinavam.

  3. 56.

    O adjetivo “hispânico”, embora seja empregado corriqueiramente como sinônimo de espanhol, equivale originalmente a ibérico.

  4. 57.

    No texto, o vocábulo “agravante” é um termo adjetivo, marcado pela terminação típica dessa classe de palavras (-nte).

Julgue (C ou E) os itens abaixo, com base no padrão gramatical e estilístico da modalidade escrita da língua portuguesa culta.

  1. 58.

    Em que pese o bom andamento da pesquisa, contudo, essa comissão sugere a manutenção da mesma equipe, não obstante, a contratação de estagiários, conforme carta com pedido em anexo.

  2. 59.

    Os resultados da pesquisa foram divulgados através de relatório impresso e boletim eletrônico, que rapidamente disseminaram-se na comunidade científica, da qual uma maior consciência das questões de pesquisa se tornou cada vez mais evidenciada.

  3. 60.

    Antes de mais nada, é preciso aproveitarmos a oportunidade para ressaltarmos as qualidades textuais do relatório, que inclusive contêm a indicação de planos futuros de aproveitamento comercial dos produtos.

  4. 61.

    O pesquisador cumpriu suas metas rigorosamente dentro do prazo e do orçamento e, portanto, honrou uma vez mais sua própria autobiografia.

Religião mestiça

1 Insulado deste modo no país, que o não conhece, emluta aberta com o meio, que lhe parece haver estampado naorganização e no temperamento a sua rudeza extraordinária,4nômade ou mal fixo à terra, o sertanejo não tem, por bemdizer, ainda capacidade orgânica para se afeiçoar a situaçãomais alta.7 O círculo estreito da atividade remorou-lhe oaperfeiçoamento psíquico. Está na fase religiosa de ummonoteísmo incompreendido, eivado de misticismo10extravagante, em que se rebate o fetichismo do índio e doafricano. É o homem primitivo, audacioso e forte, mas aomesmo tempo crédulo, deixando-se facilmente arrebatar13pelas superstições mais absurdas. Uma análise destasrevelaria a fusão de estádios emocionais distintos.

Euclides da Cunha. O homem/Os sertões. In: Obra completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1995, p. 197.

Julgue (C ou E) os itens a seguir, relativos a aspectos semânticos de termos presentes no texto.

  1. 62.

    Na forma verbal “revelaria” (l.14), a terminação -ria exprime idéia de hipótese ou possibilidade.

  2. 63.

    “Insulado” (l.1) integra o campo semântico de ilha.

  3. 64.

    Os termos “monoteísmo” (l.9), “misticismo” (l.9) e “fetichismo” (l.10) constituem exemplos do uso do sufixo -ismo, que se disseminou para designar movimentos sociais, ideológicos, políticos, opinativos, religiosos e personativos.

  4. 65.

    O prefixo extra-, nos vocábulos “extraordinária” (l.3) e “extravagante” (l.10), tem efeito de superlativo.

Religião mestiça (cont.)

1 A sua [do sertanejo] religião é como ele — mestiça. Resumo dos caracteres físicos e fisiológicos das raças deque surge, [o sertanejo] sumaria-lhes identicamente as4qualidades morais. É um índice da vida de três povos. E suascrenças singulares traduzem essa aproximação violenta detendências distintas. É desnecessário descrevê-las. As lendas7arrepiadoras do caapora travesso e maldoso, atravessandocélere, montado em caititu arisco, as chapadas desertas, nasnoites misteriosas de luares claros; os sacis diabólicos, de10barrete vermelho à cabeça, assaltando o viandante retardatário,nas noites aziagas das sextas-feiras, de parceria com oslobisomens e mulas sem cabeça noctívagos; todos os13mal-assombramentos, todas as tentações do maldito ou dodiabo — esse trágico emissário dos rancores celestes emcomissão na terra; as rezas dirigidas a S. Campeiro,16canonizado in partibus, ao qual se acendem velas peloscampos, para que favoreça a descoberta de objetos perdidos;as benzeduras cabalísticas para curar os animais, para amassar19e vender sezões; todas as visualidades, todas as apariçõesfantásticas, todas as profecias esdrúxulas de messias insanos;e as romarias piedosas; e as missões; e as penitências... todas22as manifestações completas de religiosidade indefinida sãoexplicáveis.

In partibus infidelium [Lat.]. 1.Nos países ocupados pelos infiéis. 2.Diz-se do bispo cujo título é meramente honorífico. 3. Por extensão. Não efetivo, nominal. In: Ferreira, Aurélio B. de H. Novo dicionário da língua portuguesa.

Idem, ibidem.

A propósito da significação de palavras no texto, julgue o item a seguir.

  1. 66.

    No texto, o termo “aziagas” (l.11) tem o sentido de aflitivas.

  2. 67.

    No texto, o termo “noctívagos” (l.12) tem o sentido de noctíferos.

  3. 68.

    No texto, o termo “sezões” (l.19) tem o sentido de colheitas.

  4. 69.

    No texto, o termo “célere” (l.8) tem o sentido de perverso.

  5. 70.

    No texto, o termo “cabalísticas” (l.18) tem o sentido de misteriosas.

Religião mestiça

1 Insulado deste modo no país, que o não conhece, emluta aberta com o meio, que lhe parece haver estampado naorganização e no temperamento a sua rudeza extraordinária,4nômade ou mal fixo à terra, o sertanejo não tem, por bemdizer, ainda capacidade orgânica para se afeiçoar a situaçãomais alta.7 O círculo estreito da atividade remorou-lhe oaperfeiçoamento psíquico. Está na fase religiosa de ummonoteísmo incompreendido, eivado de misticismo10extravagante, em que se rebate o fetichismo do índio e doafricano. É o homem primitivo, audacioso e forte, mas aomesmo tempo crédulo, deixando-se facilmente arrebatar13pelas superstições mais absurdas. Uma análise destasrevelaria a fusão de estádios emocionais distintos.

Euclides da Cunha. O homem/Os sertões. In: Obra completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1995, p. 197.

Com relação ao texto, julgue (C ou E) os itens seguintes.

  1. 71.

    O pronome “lhe”, na oração “que lhe parece haver estampado na organização e no temperamento a sua rudeza extraordinária” (l.2-3), funciona como objeto indireto usado com sentido possessivo.

  2. 72.

    No trecho “Insulado (...) à terra” (l.1-4), observa-se perfeito paralelismo sintático.

  3. 73.

    Pode-se substituir “por bem dizer” (l.4-5) pela expressão por assim dizer, sem causar prejuízo ao sentido do período.

  4. 74.

    No primeiro parágrafo, a antecipação das causas e das explicações é um recurso de ênfase que reforça a afirmação final do autor.

Religião mestiça (cont.)

1 A sua [do sertanejo] religião é como ele — mestiça. Resumo dos caracteres físicos e fisiológicos das raças deque surge, [o sertanejo] sumaria-lhes identicamente as4qualidades morais. É um índice da vida de três povos. E suascrenças singulares traduzem essa aproximação violenta detendências distintas. É desnecessário descrevê-las. As lendas7arrepiadoras do caapora travesso e maldoso, atravessandocélere, montado em caititu arisco, as chapadas desertas, nasnoites misteriosas de luares claros; os sacis diabólicos, de10barrete vermelho à cabeça, assaltando o viandante retardatário,nas noites aziagas das sextas-feiras, de parceria com oslobisomens e mulas sem cabeça noctívagos; todos os13mal-assombramentos, todas as tentações do maldito ou dodiabo — esse trágico emissário dos rancores celestes emcomissão na terra; as rezas dirigidas a S. Campeiro,16canonizado in partibus, ao qual se acendem velas peloscampos, para que favoreça a descoberta de objetos perdidos;as benzeduras cabalísticas para curar os animais, para amassar19e vender sezões; todas as visualidades, todas as apariçõesfantásticas, todas as profecias esdrúxulas de messias insanos;e as romarias piedosas; e as missões; e as penitências... todas22as manifestações completas de religiosidade indefinida sãoexplicáveis.

In partibus infidelium [Lat.]. 1.Nos países ocupados pelos infiéis. 2.Diz-se do bispo cujo título é meramente honorífico. 3. Por extensão. Não efetivo, nominal. In: Ferreira, Aurélio B. de H. Novo dicionário da língua portuguesa.

Idem, ibidem.

Referentemente a aspectos lingüísticos do texto, julgue o item a seguir.

  1. 75.

    Em uma de suas ocorrências no texto, o itálico é meio de realce de expressão latina.

  2. 76.

    A gramática normativa desautoriza a colocação pronominal enclítica em “sumaria-lhes” (l.3), recomendando a forma sumar-lhes-ia.

  3. 77.

    Estão dicionarizadas as grafias com hífen de mula-sem-cabeça e “mal-assobramentos” (l.13), mas “lobisomens” (l.12) se escreve, obrigatoriamente, sem hífen.

  4. 78.

    A reiteração da conjunção “e” (l.21) imprime continuidade e fluidez ao texto, sugerindo movimentos ininterruptos ou rápidos.

  5. 79.

    O vocábulo “caapora” (l.7) é variante do vocábulo caipora, de origem tupi.

Religião mestiça (cont.)

1 A sua [do sertanejo] religião é como ele — mestiça. Resumo dos caracteres físicos e fisiológicos das raças deque surge, [o sertanejo] sumaria-lhes identicamente as4qualidades morais. É um índice da vida de três povos. E suascrenças singulares traduzem essa aproximação violenta detendências distintas. É desnecessário descrevê-las. As lendas7arrepiadoras do caapora travesso e maldoso, atravessandocélere, montado em caititu arisco, as chapadas desertas, nasnoites misteriosas de luares claros; os sacis diabólicos, de10barrete vermelho à cabeça, assaltando o viandante retardatário,nas noites aziagas das sextas-feiras, de parceria com oslobisomens e mulas sem cabeça noctívagos; todos os13mal-assombramentos, todas as tentações do maldito ou dodiabo — esse trágico emissário dos rancores celestes emcomissão na terra; as rezas dirigidas a S. Campeiro,16canonizado in partibus, ao qual se acendem velas peloscampos, para que favoreça a descoberta de objetos perdidos;as benzeduras cabalísticas para curar os animais, para amassar19e vender sezões; todas as visualidades, todas as apariçõesfantásticas, todas as profecias esdrúxulas de messias insanos;e as romarias piedosas; e as missões; e as penitências... todas22as manifestações completas de religiosidade indefinida sãoexplicáveis.

In partibus infidelium [Lat.]. 1.Nos países ocupados pelos infiéis. 2.Diz-se do bispo cujo título é meramente honorífico. 3. Por extensão. Não efetivo, nominal. In: Ferreira, Aurélio B. de H. Novo dicionário da língua portuguesa.

Idem, ibidem.

Considerando, exclusivamente, as informações contidas no texto, julgue (C ou E) os itens seguintes.

  1. 80.

    A afirmação “É desnecessário descrevê-las.” (l.6) deve ser entendida literalmente.

  2. 81.

    “S. Campeiro” (l.15) é a denominação atribuída pelo Vaticano ao santo do campo, da escuridão e das coisas perdidas.

  3. 82.

    A convivência de manifestações religiosas heterogêneas explica-se pela “aproximação violenta de tendências distintas” (l.5-6).

  4. 83.

    A “religião mestiça” do sertanejo emergiu da mescla de crenças próprias dos três povos que o constituíram.

Religião mestiça

1 Insulado deste modo no país, que o não conhece, emluta aberta com o meio, que lhe parece haver estampado naorganização e no temperamento a sua rudeza extraordinária,4nômade ou mal fixo à terra, o sertanejo não tem, por bemdizer, ainda capacidade orgânica para se afeiçoar a situaçãomais alta.7 O círculo estreito da atividade remorou-lhe oaperfeiçoamento psíquico. Está na fase religiosa de ummonoteísmo incompreendido, eivado de misticismo10extravagante, em que se rebate o fetichismo do índio e doafricano. É o homem primitivo, audacioso e forte, mas aomesmo tempo crédulo, deixando-se facilmente arrebatar13pelas superstições mais absurdas. Uma análise destasrevelaria a fusão de estádios emocionais distintos.

Euclides da Cunha. O homem/Os sertões. In: Obra completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1995, p. 197.

Ainda com relação ao texto, julgue o item a seguir.

  1. 84.

    No primeiro parágrafo, a escolha lexical reflete uma visão do mundo que atribui influência determinante do meio sobre o homem.

  2. 85.

    Na referência à “fusão de estádios emocionais distintos” (l.14), nota-se um problema de coesão textual, porque os sentidos dos vocábulos “fusão” e “estádios” não se explicam pelo que os antecede.

  3. 86.

    Os adjetivos contidos no período “É o homem primitivo, audacioso e forte, mas ao mesmo tempo crédulo, deixando-se facilmente arrebatar pelas superstições mais absurdas.” (l.11-13), conforme classificação da gramática tradicional, são termos essenciais das orações a que pertencem.

  4. 87.

    Em “se afeiçoar a situação mais alta” (l.5-6), é opcional a omissão do acento grave indicativo de crase.

  5. 88.

    Em “a sua rudeza extraordinária” (l.3), o referente de “sua” é o termo “o sertanejo” (l.4).

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