Língua Portuguesa — CACD 2006
CESPE/UnB · CACD – 1ª fase (TPS) · 88 itens · julgue cada item como Certo ou Errado
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Cadastre-seGilberto Freire. Como e por que sou e não sou sociólogo. Brasília: EDUnB, 1968, p. (com adaptações).
Valendo-se exclusivamente das informações contidas no texto, considere a menção ao fato de que, ao contrário das mãos dos escritores, as mãos dos pianistas têm sido objeto de seguro e julgue (C ou E) os itens que se seguem.
- 1.
O texto alude às qualidades artísticas das atividades do pianista e do escritor.
- 2.
Enquanto o pianista usa as duas mãos, o escritor usa uma só, o que explica as altas somas pelas quais aquelas são seguradas.
- 3.
Na opinião do autor, os pianistas deveriam ser impedidos de fazer seguro, por contrato, das mãos.
- 4.
O autor valoriza o pianista, mais dependente de suas mãos do que o escritor, já que este pode recorrer ao texto ditado.
Gilberto Freire. Como e por que sou e não sou sociólogo. Brasília: EDUnB, 1968, p. (com adaptações).
Com base, exclusivamente, nas informações contidas no texto, julgue o item a seguir.
- 5.
A vida de aventuras é essencial para haver êxito na produção literária.
- 6.
Embora difícil, é desejável traçar uma sociologia da atividade do escritor.
- 7.
Na prática do escritor, a rotina de trabalho é irrelevante.
- 8.
O escritor está sujeito à insegurança da liberdade, sendo, portanto, um profissional liberal.
- 9.
O escritor, como tal, não é diferente de outros homens.
Gilberto Freire. Como e por que sou e não sou sociólogo. Brasília: EDUnB, 1968, p. (com adaptações).
Com relação ao texto, julgue (C ou E) os itens subseqüentes.
- 10.
A inversão sintática observada em “O que principalmente sou?” (l.1) condiz com a estrutura gramatical interrogativa e apresenta-se como legítimo recurso de ênfase.
- 11.
Em “sem ser, exatamente, beletrista” (l.11), o vocábulo sublinhado (“exatamente”) tem sentido de sobretudo.
- 12.
Por meio da expressão “Escritor literário.” (l.1-2), o autor critica os escritores que não se dedicam à literatura.
- 13.
A palavra “ancilares” (l.3) significa próximas, enquanto “beletrista” (l.11) equivale a especialista em redação.
Cujas Canções
Mario Quintana. Poesia completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2005, p. 959.
Julgue (C ou E) os próximos itens, relativos a análises de fatos lingüísticos do texto.
- 14.
Os termos “quem” (l.5), “mim” (l.9) e “hóspede” (l.20) estão empregados em referência a pessoas diferentes.
- 15.
O emprego de “Ora”, no início do segundo parágrafo, sugere raciocínio silogístico, que se apóia, no texto, em premissas seguidas de prova e em conclusão irônica.
- 16.
Os deslocamentos de termos da oração em “até ficou famoso alguém” (l.2-3) e em “que assim se apresentava” (l.3) contribuem para realçar a atitude do personagem mencionado na frase.
- 17.
O emprego da vírgula após “No tempo das guerras cisplatinas” (l.2) seria justificado pela prescrição gramatical e estaria adequado ao ritmo do período.
Cujas Canções
Mario Quintana. Poesia completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2005, p. 959.
Com base no texto, julgue (C ou E) os seguintes itens.
- 18.
A forma “sia” (l.19) é redução de sinhá, vocábulo sinônimo de sinhara — proveniente de senhora.
- 19.
Em “sia Benedita não podia ocultar o orgulho que lhe causava o seu hóspede e repetia” (l.19-20), deveria haver vírgula depois de “orgulho” e antes de “e”, em decorrência do sentido explicativo da oração introduzida pelo “que”.
- 20.
O tratamento “sia” (l.19) remonta à época do descobrimento do Brasil.
- 21.
Depreende-se do texto que a palavra “cujas” junto ao nome de Mario Quintana foi entendida pela camareira no sentido empregado no texto que ela lera.
Contos de vigário
Graciliano Ramos. Linhas tortas: obra póstuma. 11.a ed. Rio de Janeiro, São Paulo: Record, 1984. p. 154.
Quanto à descrição gramatical de elementos do texto, julgue o item a seguir.
- 22.
Em “Tornamo-nos” (l.2), a supressão do s é prescrita para se evitar o efeito de eco.
- 23.
A forma verbal “Passam-se” (l.1) está no plural para atender à regra gramatical de concordância com o sujeito da oração.
- 24.
O verbo “queixar-se” (l.8), utilizado no texto como verbo pronominal, conjuga-se facultativamente sem o pronome.
- 25.
Em “levanta-se” (l.17), a partícula “se” indica a indeterminação do sujeito.
- 26.
Em “nos sentimos inferiores ao resto da humanidade” (l.15-16), houve transgressão dos requisitos gramaticais para a colocação pronominal.
Contos de vigário
Graciliano Ramos. Linhas tortas: obra póstuma. 11.a ed. Rio de Janeiro, São Paulo: Record, 1984. p. 154.
Julgue o item a seguir, relativo ao sentido com que termos foram empregados no texto.
- 27.
No texto, o termo “afrontar” (l.9) foi empregado com o sentido de ofender.
- 28.
No texto, o termo “combinada” (l.4) foi empregado com o sentido de organizada.
- 29.
No texto, o termo “declarar” (l.10) foi empregado com o sentido de desvendar.
- 30.
No texto, o termo “logrado” (l.12) foi empregado com o sentido de alcançado.
- 31.
No texto, o termo “embrulhar” (l.11) foi empregado com o sentido de tapear.
Cujas Canções
Mario Quintana. Poesia completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2005, p. 959.
Considerando os sentidos e aspectos morfossintáticos do texto, julgue (C ou E) os itens a seguir.
- 32.
O mal-entendido narrado na conclusão do texto sugere uma visão irônica quanto à importância dos títulos.
- 33.
O pronome “este” (l.14) refere-se a seu antecedente, o “Bric-à-brac da vida”.
- 34.
Na locução “eis que” (l.10-11), a palavra “eis” perde não só o traço semântico de imprevisão, ou de ocorrência súbita, mas também sua equivalência com a forma veja.
- 35.
Na linha 14, a proximidade imediata entre “com o meu retrato” e “em duas colunas” gera ambigüidade quanto a haver um ou dois retratos do autor.
Gilberto Freire. Como e por que sou e não sou sociólogo. Brasília: EDUnB, 1968, p. (com adaptações).
No terceiro parágrafo do texto, o autor afirma que a atividade de escritor nada tem de burocrática. Julgue o item a seguir, acerca do que o autor quer significar com essa afirmação.
- 36.
Com essa afirmação, o autor quer significar que a atividade de escritor se distingue por ser pouco eficiente.
- 37.
Com essa afirmação, o autor quer significar que a atividade de escritor se distingue por ser de natureza privada.
- 38.
Com essa afirmação, o autor quer significar que a atividade de escritor se distingue por ser não-administrativa.
- 39.
Com essa afirmação, o autor quer significar que a atividade de escritor se distingue por ser dotada de base sociológica.
- 40.
Com essa afirmação, o autor quer significar que a atividade de escritor se distingue por ser desprovida de regras sistemáticas.
Contos de vigário
Graciliano Ramos. Linhas tortas: obra póstuma. 11.a ed. Rio de Janeiro, São Paulo: Record, 1984. p. 154.
Considerando os sentidos do texto, julgue (C ou E) os seguintes itens.
- 41.
O vocábulo “procedimento” (l.14) resume, de forma irônica, a seqüência de ações descritas nas orações que o precedem no período.
- 42.
Depreende-se do texto que os contos-do-vigário não são abordados pela imprensa por serem assunto tabu.
- 43.
O autor considera que existe má-fé no comportamento da vítima do conto-do-vigário.
- 44.
Na linha 10, a substituição de “não obstante” por além de não acarretaria alteração no sentido da frase.
Cujas Canções
Mario Quintana. Poesia completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2005, p. 959.
Julgue o item a seguir, acerca do segundo parágrafo do texto.
- 45.
Depreende-se do trecho em questão que, para a indicação de títulos em cartões de visita, uma das alternativas citadas é melhor que a outra.
Item anulado pela banca
- 46.
Deveria haver vírgula depois da oração “escolher um só” (l.7) pela mesma razão que sustenta a presença de vírgula depois de “Se pusesse todos eles” (l.6-7).
Item anulado pela banca
- 47.
Para se atender ao rigor gramatical no que respeita ao paralelismo sintático entre as estruturas separadas pelo ponto-e-vírgula, uma opção correta seria substituir “escolher um só seria indelicadeza” (l.7) por se escolhessse um só, seria indelicado.
Item anulado pela banca
- 48.
A palavra “generosidade” (l.6) pode ser substituída por indulgência, sem que o sentido da frase se altere.
Item anulado pela banca
- 49.
No segundo período desse parágrafo, o emprego do ponto-e-vírgula assinala a omissão do verbo.
Item anulado pela banca
Fernando A. Novais. Aproximações: estudos de história e historiografia. São Paulo: Cosac Naify, 2005, p. 45.
Com relação a aspectos lingüísticos do texto, julgue (C ou E) os itens a seguir.
- 50.
No trecho “ligada à da expansão comercial e colonial européia” (l.2-3), o acento grave indica crase de preposição e pronome, o qual substitui “história”.
- 51.
O pronome “que” (l.15) tem como antecedente “os problemas políticos” (l.14).
- 52.
A substituição de “no interior do qual” (l.12) por em cujo interior seria justificada pela prescrição gramatical.
- 53.
O emprego do artigo “o”, no trecho “em todo o largo período de sua formação colonial” (l.4-5), reflete opção estilística do autor, visto que o artigo poderia ser eliminado, sem prejuízo para o sentido da frase.
Situação das Fronteiras quando da Independência
Diante do vai-e-volta das relações luso-hispânicas, o Brasil independente herdou de Portugal todas as suas questões de limites; com a agravante de que, enquanto Portugal teve que lidar apenas com a Espanha e a França, agora era necessário encetar negociações com a França, a Holanda e a Inglaterra, e com todas as nações sul-americanas, exceto o Chile, muitas das quais pretendiam confinar, simultaneamente, com o novo Império, nas mesmas regiões.
Mauro Pereira de Mello. A questão dos limites entre os estados do Acre e de Rondônia (aspectos históricos e formação do território). In: Revista Brasileira de Geografia. Rio de Janeiro: IBGE, (52), n.º 4.
A respeito dos vocábulos empregados no texto, julgue (C ou E) os próximos itens.
- 54.
O verbo “encetar”, no texto, está empregado na acepção de instigar, encorajar, impelir.
- 55.
O verbo confinar tem a mesma significação no texto e na frase seguinte: De acordo com o mapa da época, via-se que vários reinos confinavam.
- 56.
O adjetivo “hispânico”, embora seja empregado corriqueiramente como sinônimo de espanhol, equivale originalmente a ibérico.
- 57.
No texto, o vocábulo “agravante” é um termo adjetivo, marcado pela terminação típica dessa classe de palavras (-nte).
Julgue (C ou E) os itens abaixo, com base no padrão gramatical e estilístico da modalidade escrita da língua portuguesa culta.
- 58.
Em que pese o bom andamento da pesquisa, contudo, essa comissão sugere a manutenção da mesma equipe, não obstante, a contratação de estagiários, conforme carta com pedido em anexo.
- 59.
Os resultados da pesquisa foram divulgados através de relatório impresso e boletim eletrônico, que rapidamente disseminaram-se na comunidade científica, da qual uma maior consciência das questões de pesquisa se tornou cada vez mais evidenciada.
- 60.
Antes de mais nada, é preciso aproveitarmos a oportunidade para ressaltarmos as qualidades textuais do relatório, que inclusive contêm a indicação de planos futuros de aproveitamento comercial dos produtos.
- 61.
O pesquisador cumpriu suas metas rigorosamente dentro do prazo e do orçamento e, portanto, honrou uma vez mais sua própria autobiografia.
Religião mestiça
Euclides da Cunha. O homem/Os sertões. In: Obra completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1995, p. 197.
Julgue (C ou E) os itens a seguir, relativos a aspectos semânticos de termos presentes no texto.
- 62.
Na forma verbal “revelaria” (l.14), a terminação -ria exprime idéia de hipótese ou possibilidade.
- 63.
“Insulado” (l.1) integra o campo semântico de ilha.
- 64.
Os termos “monoteísmo” (l.9), “misticismo” (l.9) e “fetichismo” (l.10) constituem exemplos do uso do sufixo -ismo, que se disseminou para designar movimentos sociais, ideológicos, políticos, opinativos, religiosos e personativos.
- 65.
O prefixo extra-, nos vocábulos “extraordinária” (l.3) e “extravagante” (l.10), tem efeito de superlativo.
Religião mestiça (cont.)
In partibus infidelium [Lat.]. 1.Nos países ocupados pelos infiéis. 2.Diz-se do bispo cujo título é meramente honorífico. 3. Por extensão. Não efetivo, nominal. In: Ferreira, Aurélio B. de H. Novo dicionário da língua portuguesa.
Idem, ibidem.
A propósito da significação de palavras no texto, julgue o item a seguir.
- 66.
No texto, o termo “aziagas” (l.11) tem o sentido de aflitivas.
- 67.
No texto, o termo “noctívagos” (l.12) tem o sentido de noctíferos.
- 68.
No texto, o termo “sezões” (l.19) tem o sentido de colheitas.
- 69.
No texto, o termo “célere” (l.8) tem o sentido de perverso.
- 70.
No texto, o termo “cabalísticas” (l.18) tem o sentido de misteriosas.
Religião mestiça
Euclides da Cunha. O homem/Os sertões. In: Obra completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1995, p. 197.
Com relação ao texto, julgue (C ou E) os itens seguintes.
- 71.
O pronome “lhe”, na oração “que lhe parece haver estampado na organização e no temperamento a sua rudeza extraordinária” (l.2-3), funciona como objeto indireto usado com sentido possessivo.
- 72.
No trecho “Insulado (...) à terra” (l.1-4), observa-se perfeito paralelismo sintático.
- 73.
Pode-se substituir “por bem dizer” (l.4-5) pela expressão por assim dizer, sem causar prejuízo ao sentido do período.
- 74.
No primeiro parágrafo, a antecipação das causas e das explicações é um recurso de ênfase que reforça a afirmação final do autor.
Religião mestiça (cont.)
In partibus infidelium [Lat.]. 1.Nos países ocupados pelos infiéis. 2.Diz-se do bispo cujo título é meramente honorífico. 3. Por extensão. Não efetivo, nominal. In: Ferreira, Aurélio B. de H. Novo dicionário da língua portuguesa.
Idem, ibidem.
Referentemente a aspectos lingüísticos do texto, julgue o item a seguir.
- 75.
Em uma de suas ocorrências no texto, o itálico é meio de realce de expressão latina.
- 76.
A gramática normativa desautoriza a colocação pronominal enclítica em “sumaria-lhes” (l.3), recomendando a forma sumar-lhes-ia.
- 77.
Estão dicionarizadas as grafias com hífen de mula-sem-cabeça e “mal-assobramentos” (l.13), mas “lobisomens” (l.12) se escreve, obrigatoriamente, sem hífen.
- 78.
A reiteração da conjunção “e” (l.21) imprime continuidade e fluidez ao texto, sugerindo movimentos ininterruptos ou rápidos.
- 79.
O vocábulo “caapora” (l.7) é variante do vocábulo caipora, de origem tupi.
Religião mestiça (cont.)
In partibus infidelium [Lat.]. 1.Nos países ocupados pelos infiéis. 2.Diz-se do bispo cujo título é meramente honorífico. 3. Por extensão. Não efetivo, nominal. In: Ferreira, Aurélio B. de H. Novo dicionário da língua portuguesa.
Idem, ibidem.
Considerando, exclusivamente, as informações contidas no texto, julgue (C ou E) os itens seguintes.
- 80.
A afirmação “É desnecessário descrevê-las.” (l.6) deve ser entendida literalmente.
- 81.
“S. Campeiro” (l.15) é a denominação atribuída pelo Vaticano ao santo do campo, da escuridão e das coisas perdidas.
- 82.
A convivência de manifestações religiosas heterogêneas explica-se pela “aproximação violenta de tendências distintas” (l.5-6).
- 83.
A “religião mestiça” do sertanejo emergiu da mescla de crenças próprias dos três povos que o constituíram.
Religião mestiça
Euclides da Cunha. O homem/Os sertões. In: Obra completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1995, p. 197.
Ainda com relação ao texto, julgue o item a seguir.
- 84.
No primeiro parágrafo, a escolha lexical reflete uma visão do mundo que atribui influência determinante do meio sobre o homem.
- 85.
Na referência à “fusão de estádios emocionais distintos” (l.14), nota-se um problema de coesão textual, porque os sentidos dos vocábulos “fusão” e “estádios” não se explicam pelo que os antecede.
- 86.
Os adjetivos contidos no período “É o homem primitivo, audacioso e forte, mas ao mesmo tempo crédulo, deixando-se facilmente arrebatar pelas superstições mais absurdas.” (l.11-13), conforme classificação da gramática tradicional, são termos essenciais das orações a que pertencem.
- 87.
Em “se afeiçoar a situação mais alta” (l.5-6), é opcional a omissão do acento grave indicativo de crase.
- 88.
Em “a sua rudeza extraordinária” (l.3), o referente de “sua” é o termo “o sertanejo” (l.4).
Quer responder e ver o gabarito comentado?
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