História Mundial — CACD 2006

CESPE/UnB · CACD – 1ª fase (TPS) · 52 itens · julgue cada item como Certo ou Errado

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1 A história do Brasil, nos três primeiros séculos, estáintimamente ligada à da expansão comercial e colonialeuropéia na Época Moderna. Parte integrante do império4ultramarino português, o Brasil-colônia refletiu, em todo olargo período de sua formação colonial, os problemas e osmecanismos de conjunto que agitaram a política imperial7lusitana. Por outro lado, a história da expansão ultramarina eda exploração colonial portuguesa desenrola-se no amploquadro da competição entre as várias potências, em busca do10equilíbrio europeu; dessa forma, é na história do sistema geralde colonização européia moderna que devemos procurar oesquema de determinações no interior do qual se processou a13organização da vida econômica e social do Brasil na primeirafase de sua história e se encaminharam os problemas políticosde que esta região foi o teatro.

Fernando A. Novais. Aproximações: estudos de história e historiografia. São Paulo: Cosac Naify, 2005, p. 45.

Ao se referir ao “sistema geral de colonização européia moderna”, em grande parte responsável pelo “esquema de determinações no interior do qual se processou a organização da vida econômica e social do Brasil” no período colonial, o texto conduz ao exame do mercantilismo na Europa. Julgue o item a seguir, que se propõe a descrever, de forma sintética, o mercantilismo europeu na Idade Moderna.

  1. 1.

    O mercantilismo europeu na Idade Moderna pode ser descrito, de forma sintética, como conjunto de práticas econômicas, variáveis no tempo e no espaço, geralmente caracterizadas pelo livre-cambismo, mas coordenadas pelo Estado, que se mostrava legítimo representante da nobreza fundiária.

  2. 2.

    O mercantilismo europeu na Idade Moderna pode ser descrito, de forma sintética, como sistema econômico assentado no intervencionismo estatal, subordinado a uma doutrina bem definida e uniformemente praticada pelos Estados nacionais e cujo objetivo primordial era promover o enriquecimento da nascente classe mercantil.

  3. 3.

    O mercantilismo europeu na Idade Moderna pode ser descrito, de forma sintética, como regime político com inegáveis ramificações na economia, caracterizado pela centralização do poder em mãos do monarca e pela defesa intransigente do exclusivo de comércio.

  4. 4.

    O mercantilismo europeu na Idade Moderna pode ser descrito, de forma sintética, como conjunto de práticas econômicas voltadas para o fortalecimento do Estado e o enriquecimento da burguesia, conduzidas para a obtenção da balança de comércio favorável e fortemente assentadas na exploração colonial e no monopólio.

  5. 5.

    O mercantilismo europeu na Idade Moderna pode ser descrito, de forma sintética, como sistema econômico derivado do feudalismo, com o qual mantinha vínculos poderosos, a começar pela importância conferida à agricultura, entendida como atividade essencial ao propósito de se assegurar o entesouramento do Estado.

1 A história do Brasil, nos três primeiros séculos, estáintimamente ligada à da expansão comercial e colonialeuropéia na Época Moderna. Parte integrante do império4ultramarino português, o Brasil-colônia refletiu, em todo olargo período de sua formação colonial, os problemas e osmecanismos de conjunto que agitaram a política imperial7lusitana. Por outro lado, a história da expansão ultramarina eda exploração colonial portuguesa desenrola-se no amploquadro da competição entre as várias potências, em busca do10equilíbrio europeu; dessa forma, é na história do sistema geralde colonização européia moderna que devemos procurar oesquema de determinações no interior do qual se processou a13organização da vida econômica e social do Brasil na primeirafase de sua história e se encaminharam os problemas políticosde que esta região foi o teatro.

Fernando A. Novais. Aproximações: estudos de história e historiografia. São Paulo: Cosac Naify, 2005, p. 45.

Ponto de partida para a montagem do sistema colonial que envolveu o continente americano, ao longo da Idade Moderna, a expansão ultramarina européia dos séculos XV e XVI expressa, a um só tempo, o aprofundamento do colapso da ordem feudal e o surgimento de uma nova realidade econômica, social, política e cultural — o sistema capitalista — que se afirmaria plenamente mais tarde, com a Revolução Industrial. Relativamente a esse assunto, julgue o item a seguir.

  1. 6.

    A descoberta e a conseqüente colonização da América, com os expressivos ganhos materiais daí advindos, foram decisivas para que o expansionismo europeu passasse ao largo do continente africano e, a rigor, se concentrasse no Novo Mundo.

  2. 7.

    Infere-se do texto que o sistema colonial introduzido na América foi de tal forma determinado pelas condições e necessidades do nascente capitalismo europeu, ao ponto de inviabilizar, nas colônias, a existência de uma dinâmica interna própria na organização de sua economia.

  3. 8.

    O pioneirismo português explica-se por motivos econômicos. Apesar das dificuldades derivadas da ausência do Estado nacional, lacuna que os portugueses somente conseguiram preencher no século XIX, a força de sua burguesia mercantil impulsionou as grandes viagens em busca de colônias.

  4. 9.

    O ciclo denominado de Grandes Navegações decorre, entre outras razões, do processo de transformação vivido pelo Ocidente europeu na Baixa Idade Média e marcado pela reativação da atividade comercial, pela crescente monetarização da economia e pelo reflorescimento da vida urbana.

  5. 10.

    Embora o Oriente oferecesse reduzido atrativo comercial, já que sua produção em muito se assemelhava à européia, a região atraía os mercadores ocidentais pela possibilidade de fornecer mão-de-obra escrava a ser utilizada nas novas colônias americanas.

Poucas vezes a incapacidade dos governos em conter o curso da história foi demonstrada de forma mais decisiva do que na geração pós-1815. Evitar uma segunda Revolução Francesa, ou, ainda, a catástrofe pior de uma revolução européia generalizada tendo como modelo a francesa, foi o objetivo supremo de todas as potências que tinham gasto mais de 20 anos para derrotar a primeira, até mesmo dos britânicos, que não simpatizavam com os absolutismos reacionários que se restabeleceram em toda a Europa e sabiam muito bem que as reformas não podiam nem deviam ser evitadas, mas que temiam uma nova expansão franco-jacobina mais do que qualquer outra contingência internacional. E, ainda assim, nunca na história da Europa e poucas vezes em qualquer outro lugar, o revolucionarismo foi tão endêmico, tão geral, tão capaz de se espalhar por propaganda deliberada como por contágio espontâneo.

Eric J. Hobsbawm. A Era das Revoluções: Europa 1789-1848. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1981, p. 127.

O espírito revolucionário que acompanha o século XIX, “tão capaz de se espalhar por propaganda deliberada como por contágio espontâneo”, como afirma o texto, foi embalado pelas grandes idéias que arrebataram, naquele contexto histórico, o Ocidente, em especial a Europa: liberalismo, nacionalismo e socialismo. A respeito desse cenário, no qual se gesta o século XX, julgue o item a seguir.

  1. 11.

    O sentimento nacional, que aflora sobretudo com a Revolução Francesa, amplia-se na medida em que o movimento social e as lutas políticas se intensificam. Exemplo especial disso foi a luta pela independência da Grécia, na primeira metade do século XIX, causa a que aderiram combatentes libertários oriundos de várias nações.

  2. 12.

    Os socialistas aparecem na cena política européia participando de movimentos revolucionários ou insurrecionais, a partir do momento em que as obras de Marx e Engels são mais divulgadas e estudadas, o que acontece nas décadas finais do século XIX.

  3. 13.

    As unificações políticas da Alemanha e da Itália foram alcançadas graças à mobilização popular e à força de movimentos sociais. Esse fato explica o viés pacifista e levemente socialista que ambos os Estados passaram a ostentar, em flagrante oposição à realidade da época.

  4. 14.

    Movimento anarquista, a Comuna de Paris (1870) constituiu-se, concreta e objetivamente, no “assalto ao poder” por parte do operariado, utopia que tanto estimulava as ações dos grupos socialistas. O êxito do movimento, que levou pânico às elites européias, garantiu aos revolucionários o controle da capital da França até às vésperas da Primeira Guerra Mundial.

  5. 15.

    A unificação política da Alemanha seguiu trajetória singular. Ela se fez a despeito da mais absoluta ausência de unidade econômica entre os Estados germânicos e da adoção do mais extremado liberalismo.

Poucas vezes a incapacidade dos governos em conter o curso da história foi demonstrada de forma mais decisiva do que na geração pós-1815. Evitar uma segunda Revolução Francesa, ou, ainda, a catástrofe pior de uma revolução européia generalizada tendo como modelo a francesa, foi o objetivo supremo de todas as potências que tinham gasto mais de 20 anos para derrotar a primeira, até mesmo dos britânicos, que não simpatizavam com os absolutismos reacionários que se restabeleceram em toda a Europa e sabiam muito bem que as reformas não podiam nem deviam ser evitadas, mas que temiam uma nova expansão franco-jacobina mais do que qualquer outra contingência internacional. E, ainda assim, nunca na história da Europa e poucas vezes em qualquer outro lugar, o revolucionarismo foi tão endêmico, tão geral, tão capaz de se espalhar por propaganda deliberada como por contágio espontâneo.

Eric J. Hobsbawm. A Era das Revoluções: Europa 1789-1848. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1981, p. 127.

Compreender o processo histórico protagonizado pelo século XIX e seus desdobramentos no século seguinte requer, em meio a tantos outros aspectos essenciais, o exame da trajetória seguida pelo capitalismo. A propósito desse cenário histórico, julgue (C ou E) os itens seguintes.

  1. 16.

    A tendência à concentração de empresas e à centralização de capitais altera, na prática, as antigas formas de concorrência e elimina o antigo discurso liberal assentado no livre-cambismo, na liberdade dos mares e na condenação às práticas protecionistas.

  2. 17.

    A partir de meados do século XIX, o sistema capitalista adquire feições novas. Sem perder suas características fundamentais e definidoras, como a propriedade privada dos meios de produção e o objetivo da acumulação, ele se torna crescentemente monopolista e financeiro.

  3. 18.

    Instituição poderosa, com larga ascendência sobre governos e sociedades, a Igreja Católica adota, com o Papa Leão XIII, a corajosa atitude de expor sua doutrina social em um contexto de grave crise social — a depressão econômica dos anos 1870. O conteúdo da encíclica Rerum Novarum representava um convite aos católicos a combater o “capitalismo materialista” e, em decorrência, a apoiar pontos centrais do marxismo, em remota preparação ao advento da Teologia da Libertação, cem anos mais tarde.

  4. 19.

    O equilíbrio de poder entre as potências européias tende a se romper à medida que se acirra a competição por áreas de influência e pelo domínio de territórios pelo mundo afora. Crises sucessivas, em que questões políticas, econômicas e militares se confundem com distintas expressões de nacionalismo, preparam o terreno para a eclosão da Grande Guerra de 1914.

Poucas vezes a incapacidade dos governos em conter o curso da história foi demonstrada de forma mais decisiva do que na geração pós-1815. Evitar uma segunda Revolução Francesa, ou, ainda, a catástrofe pior de uma revolução européia generalizada tendo como modelo a francesa, foi o objetivo supremo de todas as potências que tinham gasto mais de 20 anos para derrotar a primeira, até mesmo dos britânicos, que não simpatizavam com os absolutismos reacionários que se restabeleceram em toda a Europa e sabiam muito bem que as reformas não podiam nem deviam ser evitadas, mas que temiam uma nova expansão franco-jacobina mais do que qualquer outra contingência internacional. E, ainda assim, nunca na história da Europa e poucas vezes em qualquer outro lugar, o revolucionarismo foi tão endêmico, tão geral, tão capaz de se espalhar por propaganda deliberada como por contágio espontâneo.

Eric J. Hobsbawm. A Era das Revoluções: Europa 1789-1848. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1981, p. 127.

O texto se reporta ao período da história do mundo ocidental conhecido como Era Revolucionária. Em linhas gerais, entre as últimas décadas do século XVIII e a primeira metade do século XIX, assiste-se ao confronto entre as forças sociais que se batiam pela superação do Antigo Regime e as que defendiam a manutenção dele, ainda que sob condições e intensidade variáveis. Nesse contexto, com referência à Revolução Francesa, julgue o item a seguir.

  1. 20.

    Graças a Napoleão Bonaparte, liderança que emergiu na última fase da Revolução Francesa, o processo revolucionário iniciado em 1789 adquiriu feições de movimento essencialmente popular, como demonstra o isolamento político da classe burguesa.

  2. 21.

    Por simbolizar a luta contra o despotismo, a Revolução Francesa foi alvo da reação conjunta dos defensores do Antigo Regime, na qual se sobressaiu a Inglaterra, a quem convinha a manutenção da estrutura de poder absolutista para a expansão de negócios financeiros e para a abertura de mercados para seus produtos industrializados.

  3. 22.

    O que aconteceu na França a partir de 1789 foi a explosão do sentimento generalizado de repulsa a um absolutismo crescentemente anacrônico, ainda que amenizado pelo reformismo assumido pela dinastia Bourbon, a qual empreendera estratégia de conferir ao regime ares de pretensa modernidade — o despotismo esclarecido.

  4. 23.

    O pensamento iluminista, mesmo restrito a alguns países da Europa ocidental no transcurso do século XVIII, foi decisivo para a eclosão da Era Revolucionária. Entre seus principais expoentes, Voltaire se destaca, por ter formulado a teoria da separação dos poderes, fundamental para a contestação ao Estado absolutista.

  5. 24.

    Entende-se a Revolução Francesa como um processo que não se esgota rapidamente, com períodos de maior ou menor intensidade do fervor revolucionário. De todas as fases desse processo, a Convenção Nacional, dominada pelos jacobinos, foi a que conferiu caráter mais radical à Revolução, de que são exemplos o fim da monarquia, a adoção do sufrágio universal e o grande número de execuções de adversários.

Poucas vezes a incapacidade dos governos em conter o curso da história foi demonstrada de forma mais decisiva do que na geração pós-1815. Evitar uma segunda Revolução Francesa, ou, ainda, a catástrofe pior de uma revolução européia generalizada tendo como modelo a francesa, foi o objetivo supremo de todas as potências que tinham gasto mais de 20 anos para derrotar a primeira, até mesmo dos britânicos, que não simpatizavam com os absolutismos reacionários que se restabeleceram em toda a Europa e sabiam muito bem que as reformas não podiam nem deviam ser evitadas, mas que temiam uma nova expansão franco-jacobina mais do que qualquer outra contingência internacional. E, ainda assim, nunca na história da Europa e poucas vezes em qualquer outro lugar, o revolucionarismo foi tão endêmico, tão geral, tão capaz de se espalhar por propaganda deliberada como por contágio espontâneo.

Eric J. Hobsbawm. A Era das Revoluções: Europa 1789-1848. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1981, p. 127.

Relativamente ao “revolucionarismo endêmico” a que o texto se refere, julgue (C ou E) os itens subseqüentes.

  1. 25.

    Com a derrota de Bonaparte, os países vitoriosos reuniram-se em Viena, em 1815, dispostos a restaurar o status quo vigente na Europa antes de 1789, o que pode ser entendido como tentativa de dar sobrevida ao Antigo Regime.

  2. 26.

    Quando a Era Revolucionária se esgotou, em 1848, o mapa político e social europeu em muito se aproximava do cenário pré-1789, o que demonstra ter sido o impacto da industrialização bem mais aparente que real para a configuração da nova sociedade liberal e burguesa.

  3. 27.

    A decisão de se criar a Santa Aliança, emanada do Congresso de Viena, subordinava-se, fundamentalmente, a dois objetivos: sufocar, na Europa, novas tentativas revolucionárias que pudessem surgir no rastro da Revolução Francesa e impedir que, na América, se concretizassem os ensaios emancipacionistas das colônias.

  4. 28.

    A trajetória política vivida pelo Brasil, da independência aos primeiros anos do Segundo Reinado, apresenta semelhanças com o quadro de sucessivas ondas revolucionárias que atingiram parte considerável da Europa na primeira metade do século XIX. Disso é exemplo a Revolução Praieira, cujo sentido social se aproxima do ideário das revoluções européias de 1848.

Com a queda do Estado Novo, grupos organizados passaram a defender projetos de sociedade, de economia, de organização social e de cultura. Retomar a tradição liberal interrompida com a Revolução de 1930 ou dar continuidade às políticas públicas intervencionistas era a discussão que passou a dominar os debates. Nacionalismo, industrialização com base em bens de capital, proposta de fortalecimento de um capitalismo nacional, criação de empresas estatais em setores estratégicos e valorização do capital humano com redes de proteção social permitiram que, na década de 50, os próprios comunistas aderissem às propostas dos trabalhistas.

Outro projeto seduziu as elites empresariais, políticas e militares, além das classes médias conservadoras. Esse projeto liberal-conservador tinha na UDN seu principal instrumento político e caracterizava-se, entre outros aspectos, pelo antigetulismo, o moralismo e o anticomunismo. Durante toda a experiência democrática brasileira, entre 1945 e 1964, ambos os projetos disputaram a preferência do eleitorado. No entanto, três momentos resultaram em situações de grande conflito: a crise de agosto de 1954, o golpe preventivo liderado pelo general Lott em novembro de 1955 e a Campanha da Legalidade de 1961.

Jorge Ferreira. Crises da República: 1954, 1955 e 1961. In: Jorge Ferreira e Lucilia de Almeida Neves Delgado (orgs.). O Brasil Republicano: o tempo da experiência democrática – da democratização de 1945 ao golpe civil-militar de 1964. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2003, p. 303-4 (com adaptações).

Resguardadas as condições específicas de cada país e os aspectos singulares e próprios de seus processos históricos, é possível proceder-se à síntese da experiência latino-americana nas últimas cinco décadas. Relativamente a esse quadro geral, julgue (C ou E) os itens subseqüentes.

  1. 29.

    De maneira geral, o fim do ciclo autoritário na América Latina coincidiu com o esgotamento do modelo econômico por ele adotado. Não por outra razão, o retorno à democracia se fez acompanhar por novo surto de prosperidade econômica, razão direta da redução dos níveis de desigualdade social na região.

  2. 30.

    Na Argentina, sucessivos golpes militares interromperam a experiência reformista em curso desde o final dos anos 1950 e conseguiram minar, possivelmente em definitivo, a força política que o peronismo historicamente possuíra no país.

  3. 31.

    Líder de movimento armado similar ao empreendido pelos guerrilheiros de Sierra Maestra, Salvador Allende foi o primeiro presidente socialista da América do Sul. Com sua queda, em 1973, o país mergulhou em uma das mais truculentas ditaduras do período, que foi chefiada pelo general Augusto Pinochet.

  4. 32.

    Regimes autoritários, normalmente chefiados por militares, prevaleceram entre os anos 60 e 80 do século passado. Mantendo sua condição de “Suíça da América Latina”, o Uruguai conseguiu ser a exceção democrática em um Cone Sul dominado por governos ditatoriais.

A condição norte-americana de superpotência consolidou-se realmente no momento da rendição da Alemanha e do Japão e da realização das conferências de Yalta e Potsdam, que selaram o encerramento da guerra. O crescimento do poderio soviético e a decadência das velhas potências européias formavam o pano de fundo para que Washington assumisse finalmente a vocação de liderança do Ocidente capitalista.

A hegemonia global dos Estados Unidos da América (EUA) traduzia-se nas esferas econômica e estratégica. Os conglomerados transnacionais americanos tornam-se grandes investidores. Na condição de credores das nações capitalistas, os EUA organizam programas voltados para a reconstrução européia (Plano Marshall) e asiática (Plano Colombo). Os acordos de Bretton Woods transformavam o dólar em “moeda do mundo”, ao estabelecerem um sistema de paridade fixa e convertibilidade entre o dólar e o ouro. Cria-se uma nova arquitetura financeira global, cujos instrumentos eram o Banco Internacional para a Reconstrução e Desenvolvimento (BIRD, ou Banco Mundial) e o Fundo Monetário Internacional (FMI).

A Guerra Fria trouxe o desenvolvimento do armamentismo nos EUA e na União Soviética, assim como, em menor escala, nos países europeus e na China. O esforço armamentista originou também o chamado Complexo Industrial-Militar, que liga o Pentágono aos conglomerados industriais fabricantes de equipamentos bélicos e atua no Poder legislativo por meio de poderosos lobbies.

Demétrio Magnoli. O Mundo Contemporâneo. São Paulo: Atual, 2004, p. 71-2 (com adaptações).

No que respeita ao novo tempo nas relações internacionais que marcou a construção dos cenários posteriores à Segunda Guerra Mundial, como expresso no texto, julgue (C ou E) os itens que se seguem.

  1. 33.

    As posições terceiro-mundistas ganharam visibilidade internacional a partir de meados dos anos 1950. Nesse sentido, a Conferência de Bandung desempenhou o importante papel de catalisador das aspirações de jovens nações africanas e asiáticas em busca de ação mais autônoma em relação às duas superpotências, sentimento que também se difundiu por outras áreas periféricas do planeta.

  2. 34.

    Sucessivos encontros entre as principais lideranças aliadas, no decorrer da Segunda Guerra, não foram capazes de, pelo menos, delinearem o novo sistema mundial que prevaleceria após o conflito. Foi preciso que a URSS dominasse a tecnologia nuclear para receber a concordância do Ocidente para seu propósito de fazer do Leste europeu área de sua influência direta.

  3. 35.

    O processo de declínio da Europa Ocidental, iniciado com a Grande Guerra de 1914, consolida-se quando a Segunda Guerra Mundial chega ao fim. Expressões dessa nova realidade pós-1945 seriam, entre outras, a emergência de dois pólos de poder mundial — os EUA e a URSS — e a descolonização afro-asiática.

  4. 36.

    O êxito do Plano Marshall deve-se menos ao montante de dólares liberados por Washington do que à abrangência da área em que foi desenvolvido. Lançado bem antes da oficialização da ruptura entre EUA e URSS, geradora do esquema bipolar que sustentou a Guerra Fria, o programa de recuperação européia patrocinado por Washington contemplou também a URSS e os países do Leste europeu.

O século XX coincidiu com a máxima expansão das categorias fundamentais do mundo moderno — sujeito e trabalho —, eixos que presidiram a atualização e exasperaram os limites do liberalismo e do socialismo, as duas grandes utopias da modernidade. Tais utopias não nasceram no século XX, mas este foi o laboratório mais distendido de todas elas, o campo concreto de experimento de suas virtualidades, das suas figuras e de sua imaginação. Talvez por isso o século XX exiba uma característica única e contraditória: parece ter sido o mais preparado e explicado pelos séculos anteriores e, simultaneamente, o que mais distanciou a humanidade de seu passado, mesmo o mais próximo, decretando o caráter obsoleto de formas de vida e sociabilidade consolidadas durante milênios.

O século XX foi o salto definitivo da humanidade para o futuro, para a história entendida como transformação permanente e fluxo contínuo do tempo em direção a um tempo de abundância e liberdade, perspectiva avalizada pela sistemática ampliação das promessas da ciência, da tecnologia, das novas modalidades de organização social e da produção material. Um século, portanto, de mandamentos utópicos que sacrificaram o passado e seus mitos, mudaram o ritmo da vida e ocidentalizaram a Terra, tornando-a mais homogênea e seduzida por semelhantes imagens de futuro. Nesse sentido, nada mais próximo e nada mais distante do século XIX do que o século XX.

Rubem Barboza Filho. Século XX: uma introdução (em forma de prefácio). In: Alberto Aggio e Milton Lahuerta (orgs.). Pensar o século XX: problemas políticos e história nacional na América Latina. São Paulo: Editora UNESP, 2003, p. 16 (com adaptações).

A partir das observações formuladas no texto, julgue (C ou E) os itens subseqüentes, considerando o desenrolar do século XX.

  1. 37.

    Entre as características marcantes do século XX, uma enquadra-se perfeitamente no que o texto identifica como o fim “de formas de vida e sociabilidade consolidadas durante milênios”. Trata-se do fenômeno da urbanização, a alterar radicalmente, entre outros aspectos próprios da sociedade de massas, modos de pensar, consumir, morar, vestir-se, comunicar-se e locomover-se.

  2. 38.

    Na Segunda Guerra Mundial, o Japão aliou-se à Alemanha, tal como já fizera na Primeira Guerra.

  3. 39.

    Os regimes totalitários de direita comandaram os destinos de muitos países europeus, entre os anos 20 e 40 do século XX. O discurso nazifascista condenava o capitalismo, preconizando forte controle do Estado e das instituições políticas liberais e democráticas, consideradas incapazes de oferecer resposta rápida e satisfatória às demandas de uma sociedade em crise profunda.

  4. 40.

    A Revolução Russa de 1917, com a coletivização dos meios de produção e o Estado posto a serviço dos trabalhadores, inaugura uma nova forma de utopia, que exerceria forte impacto na história do século XX, qual seja, a construção de uma sociedade distinta daquela que atendia aos interesses do capitalismo. A experiência soviética, contudo, ruiu em fins do século XX, não sem antes ter sido alvo de questionamento e de crítica, inclusive de setores da esquerda, quanto ao modelo político totalitário que adotara.

A condição norte-americana de superpotência consolidou-se realmente no momento da rendição da Alemanha e do Japão e da realização das conferências de Yalta e Potsdam, que selaram o encerramento da guerra. O crescimento do poderio soviético e a decadência das velhas potências européias formavam o pano de fundo para que Washington assumisse finalmente a vocação de liderança do Ocidente capitalista.

A hegemonia global dos Estados Unidos da América (EUA) traduzia-se nas esferas econômica e estratégica. Os conglomerados transnacionais americanos tornam-se grandes investidores. Na condição de credores das nações capitalistas, os EUA organizam programas voltados para a reconstrução européia (Plano Marshall) e asiática (Plano Colombo). Os acordos de Bretton Woods transformavam o dólar em “moeda do mundo”, ao estabelecerem um sistema de paridade fixa e convertibilidade entre o dólar e o ouro. Cria-se uma nova arquitetura financeira global, cujos instrumentos eram o Banco Internacional para a Reconstrução e Desenvolvimento (BIRD, ou Banco Mundial) e o Fundo Monetário Internacional (FMI).

A Guerra Fria trouxe o desenvolvimento do armamentismo nos EUA e na União Soviética, assim como, em menor escala, nos países europeus e na China. O esforço armamentista originou também o chamado Complexo Industrial-Militar, que liga o Pentágono aos conglomerados industriais fabricantes de equipamentos bélicos e atua no Poder legislativo por meio de poderosos lobbies.

Demétrio Magnoli. O Mundo Contemporâneo. São Paulo: Atual, 2004, p. 71-2 (com adaptações).

Tendo o texto como referência inicial e considerando o panorama mundial do pós-Segunda Guerra, julgue os itens seguintes.

  1. 41.

    Sistemas militares da Guerra Fria, a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) e o Pacto de Varsóvia surgiram quase que simultaneamente e, no caso do último, a força coercitiva de Moscou garantiu a presença de todos os países comunistas europeus.

  2. 42.

    A Crise dos Mísseis, em 1962, trouxe para o continente americano toda a carga de dramaticidade que envolvia o sistema bipolar do pós-Segunda Guerra. Após tensas negociações secretas, a URSS concordou em retirar os armamentos instalados em Cuba ante o compromisso norte-americano de não mais investir na derrubada do regime cubano.

  3. 43.

    Presença marcante nas duas guerras mundiais do século XX, W. Churchill notabilizou-se pelo esforço de aproximar Truman (EUA) e Stalin (URSS) no pós-1945, cruzada que levou o líder britânico a ser laureado, nos anos 1950, com o Prêmio Nobel da Paz.

  4. 44.

    Ao passo que, na primeira metade do século XIX, a Doutrina Monroe sublinhava o interesse dos EUA no hemisfério americano, a Doutrina Truman, formulada em 1947, transferia para a Europa o centro da política externa norte-americana, definindo na contenção do expansionismo soviético o eixo da estratégia a ser seguida por Washington.

O século XX coincidiu com a máxima expansão das categorias fundamentais do mundo moderno — sujeito e trabalho —, eixos que presidiram a atualização e exasperaram os limites do liberalismo e do socialismo, as duas grandes utopias da modernidade. Tais utopias não nasceram no século XX, mas este foi o laboratório mais distendido de todas elas, o campo concreto de experimento de suas virtualidades, das suas figuras e de sua imaginação. Talvez por isso o século XX exiba uma característica única e contraditória: parece ter sido o mais preparado e explicado pelos séculos anteriores e, simultaneamente, o que mais distanciou a humanidade de seu passado, mesmo o mais próximo, decretando o caráter obsoleto de formas de vida e sociabilidade consolidadas durante milênios.

O século XX foi o salto definitivo da humanidade para o futuro, para a história entendida como transformação permanente e fluxo contínuo do tempo em direção a um tempo de abundância e liberdade, perspectiva avalizada pela sistemática ampliação das promessas da ciência, da tecnologia, das novas modalidades de organização social e da produção material. Um século, portanto, de mandamentos utópicos que sacrificaram o passado e seus mitos, mudaram o ritmo da vida e ocidentalizaram a Terra, tornando-a mais homogênea e seduzida por semelhantes imagens de futuro. Nesse sentido, nada mais próximo e nada mais distante do século XIX do que o século XX.

Rubem Barboza Filho. Século XX: uma introdução (em forma de prefácio). In: Alberto Aggio e Milton Lahuerta (orgs.). Pensar o século XX: problemas políticos e história nacional na América Latina. São Paulo: Editora UNESP, 2003, p. 16 (com adaptações).

No quadro mais amplo da contemporaneidade, o texto aproxima e distingue tendências do século XIX e do século XX. Nesse contexto, julgue (C ou E) os itens seguintes.

  1. 45.

    A Revolução Industrial consolida novas relações de produção e, ao promover a expansão imperialista, contemplando novas formas de dominação colonial, estende a atuação do moderno capitalismo às mais distantes regiões do planeta.

  2. 46.

    Liberalismo e socialismo são duas das grandes representações do século XIX que estendem sua presença no século seguinte. Ao passo que o socialismo foi empunhado por setores da burguesia comprometidos com a justiça social e com uma face mais humanizada do capitalismo, o liberalismo mostrou, desde o primeiro momento, ser o abrigo natural dos grupos democrático-radicais.

  3. 47.

    Ao contrário da Ásia e, particularmente, da África, ambas repartidas entre as principais potências ocidentais, a América Latina praticamente não sofreu a ação do imperialismo, o que se explica pelo fato de, em larga medida, as antigas colônias ibéricas terem conquistado sua independência na primeira metade do século XIX.

  4. 48.

    Entre as últimas décadas do século XIX e as primeiras do século XX, as disputas imperialistas e o jogo de interesses conflitantes entre as grandes potências européias inscrevem-se entre os fatores determinantes, mas não únicos, para a eclosão da Grande Guerra de 1914.

A condição norte-americana de superpotência consolidou-se realmente no momento da rendição da Alemanha e do Japão e da realização das conferências de Yalta e Potsdam, que selaram o encerramento da guerra. O crescimento do poderio soviético e a decadência das velhas potências européias formavam o pano de fundo para que Washington assumisse finalmente a vocação de liderança do Ocidente capitalista.

A hegemonia global dos Estados Unidos da América (EUA) traduzia-se nas esferas econômica e estratégica. Os conglomerados transnacionais americanos tornam-se grandes investidores. Na condição de credores das nações capitalistas, os EUA organizam programas voltados para a reconstrução européia (Plano Marshall) e asiática (Plano Colombo). Os acordos de Bretton Woods transformavam o dólar em “moeda do mundo”, ao estabelecerem um sistema de paridade fixa e convertibilidade entre o dólar e o ouro. Cria-se uma nova arquitetura financeira global, cujos instrumentos eram o Banco Internacional para a Reconstrução e Desenvolvimento (BIRD, ou Banco Mundial) e o Fundo Monetário Internacional (FMI).

A Guerra Fria trouxe o desenvolvimento do armamentismo nos EUA e na União Soviética, assim como, em menor escala, nos países europeus e na China. O esforço armamentista originou também o chamado Complexo Industrial-Militar, que liga o Pentágono aos conglomerados industriais fabricantes de equipamentos bélicos e atua no Poder legislativo por meio de poderosos lobbies.

Demétrio Magnoli. O Mundo Contemporâneo. São Paulo: Atual, 2004, p. 71-2 (com adaptações).

Ainda com referência ao cenário mundial do pós-Segunda Guerra Mundial, julgue os itens seguintes.

  1. 49.

    Bretton Woods, Dumbarton Oaks, Ialta, Potsdam e São Francisco foram algumas das mais importantes reuniões ocorridas na etapa final da Segunda Guerra, quando aspectos fundamentais da ordem econômica e política, a vigorar após a cessação das hostilidades, foram fixadas mediante arranjos diplomáticos e militares.

  2. 50.

    Há consenso entre os especialistas de que o fracasso do sistema financeiro criado em Bretton Woods decorre de seu conservadorismo original e de sua pouca criatividade, responsáveis pelos sucessivos sobressaltos e pelo crescente fechamento da economia mundial pós-1945.

  3. 51.

    Impedir a conversibilidade das moedas e restringir as facilidades de câmbio, como instrumentos necessários ao equilíbrio das finanças mundiais, eram, em síntese, os principais objetivos determinantes para a criação do FMI, os quais marcam sua atuação até hoje.

  4. 52.

    Após o fim da Segunda Guerra, já em clima de paz, a Conferência de Bretton Woods criou duas importantes instituições: o Banco Internacional de Reconstrução e Desenvolvimento (Banco Mundial) e o Fundo Monetário Internacional (FMI).

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