História Mundial — CACD 2006
CESPE/UnB · CACD – 1ª fase (TPS) · 52 itens · julgue cada item como Certo ou Errado
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Cadastre-seFernando A. Novais. Aproximações: estudos de história e historiografia. São Paulo: Cosac Naify, 2005, p. 45.
Ao se referir ao “sistema geral de colonização européia moderna”, em grande parte responsável pelo “esquema de determinações no interior do qual se processou a organização da vida econômica e social do Brasil” no período colonial, o texto conduz ao exame do mercantilismo na Europa. Julgue o item a seguir, que se propõe a descrever, de forma sintética, o mercantilismo europeu na Idade Moderna.
- 1.
O mercantilismo europeu na Idade Moderna pode ser descrito, de forma sintética, como conjunto de práticas econômicas, variáveis no tempo e no espaço, geralmente caracterizadas pelo livre-cambismo, mas coordenadas pelo Estado, que se mostrava legítimo representante da nobreza fundiária.
- 2.
O mercantilismo europeu na Idade Moderna pode ser descrito, de forma sintética, como sistema econômico assentado no intervencionismo estatal, subordinado a uma doutrina bem definida e uniformemente praticada pelos Estados nacionais e cujo objetivo primordial era promover o enriquecimento da nascente classe mercantil.
- 3.
O mercantilismo europeu na Idade Moderna pode ser descrito, de forma sintética, como regime político com inegáveis ramificações na economia, caracterizado pela centralização do poder em mãos do monarca e pela defesa intransigente do exclusivo de comércio.
- 4.
O mercantilismo europeu na Idade Moderna pode ser descrito, de forma sintética, como conjunto de práticas econômicas voltadas para o fortalecimento do Estado e o enriquecimento da burguesia, conduzidas para a obtenção da balança de comércio favorável e fortemente assentadas na exploração colonial e no monopólio.
- 5.
O mercantilismo europeu na Idade Moderna pode ser descrito, de forma sintética, como sistema econômico derivado do feudalismo, com o qual mantinha vínculos poderosos, a começar pela importância conferida à agricultura, entendida como atividade essencial ao propósito de se assegurar o entesouramento do Estado.
Fernando A. Novais. Aproximações: estudos de história e historiografia. São Paulo: Cosac Naify, 2005, p. 45.
Ponto de partida para a montagem do sistema colonial que envolveu o continente americano, ao longo da Idade Moderna, a expansão ultramarina européia dos séculos XV e XVI expressa, a um só tempo, o aprofundamento do colapso da ordem feudal e o surgimento de uma nova realidade econômica, social, política e cultural — o sistema capitalista — que se afirmaria plenamente mais tarde, com a Revolução Industrial. Relativamente a esse assunto, julgue o item a seguir.
- 6.
A descoberta e a conseqüente colonização da América, com os expressivos ganhos materiais daí advindos, foram decisivas para que o expansionismo europeu passasse ao largo do continente africano e, a rigor, se concentrasse no Novo Mundo.
- 7.
Infere-se do texto que o sistema colonial introduzido na América foi de tal forma determinado pelas condições e necessidades do nascente capitalismo europeu, ao ponto de inviabilizar, nas colônias, a existência de uma dinâmica interna própria na organização de sua economia.
- 8.
O pioneirismo português explica-se por motivos econômicos. Apesar das dificuldades derivadas da ausência do Estado nacional, lacuna que os portugueses somente conseguiram preencher no século XIX, a força de sua burguesia mercantil impulsionou as grandes viagens em busca de colônias.
- 9.
O ciclo denominado de Grandes Navegações decorre, entre outras razões, do processo de transformação vivido pelo Ocidente europeu na Baixa Idade Média e marcado pela reativação da atividade comercial, pela crescente monetarização da economia e pelo reflorescimento da vida urbana.
- 10.
Embora o Oriente oferecesse reduzido atrativo comercial, já que sua produção em muito se assemelhava à européia, a região atraía os mercadores ocidentais pela possibilidade de fornecer mão-de-obra escrava a ser utilizada nas novas colônias americanas.
Poucas vezes a incapacidade dos governos em conter o curso da história foi demonstrada de forma mais decisiva do que na geração pós-1815. Evitar uma segunda Revolução Francesa, ou, ainda, a catástrofe pior de uma revolução européia generalizada tendo como modelo a francesa, foi o objetivo supremo de todas as potências que tinham gasto mais de 20 anos para derrotar a primeira, até mesmo dos britânicos, que não simpatizavam com os absolutismos reacionários que se restabeleceram em toda a Europa e sabiam muito bem que as reformas não podiam nem deviam ser evitadas, mas que temiam uma nova expansão franco-jacobina mais do que qualquer outra contingência internacional. E, ainda assim, nunca na história da Europa e poucas vezes em qualquer outro lugar, o revolucionarismo foi tão endêmico, tão geral, tão capaz de se espalhar por propaganda deliberada como por contágio espontâneo.
Eric J. Hobsbawm. A Era das Revoluções: Europa 1789-1848. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1981, p. 127.
O espírito revolucionário que acompanha o século XIX, “tão capaz de se espalhar por propaganda deliberada como por contágio espontâneo”, como afirma o texto, foi embalado pelas grandes idéias que arrebataram, naquele contexto histórico, o Ocidente, em especial a Europa: liberalismo, nacionalismo e socialismo. A respeito desse cenário, no qual se gesta o século XX, julgue o item a seguir.
- 11.
O sentimento nacional, que aflora sobretudo com a Revolução Francesa, amplia-se na medida em que o movimento social e as lutas políticas se intensificam. Exemplo especial disso foi a luta pela independência da Grécia, na primeira metade do século XIX, causa a que aderiram combatentes libertários oriundos de várias nações.
- 12.
Os socialistas aparecem na cena política européia participando de movimentos revolucionários ou insurrecionais, a partir do momento em que as obras de Marx e Engels são mais divulgadas e estudadas, o que acontece nas décadas finais do século XIX.
- 13.
As unificações políticas da Alemanha e da Itália foram alcançadas graças à mobilização popular e à força de movimentos sociais. Esse fato explica o viés pacifista e levemente socialista que ambos os Estados passaram a ostentar, em flagrante oposição à realidade da época.
- 14.
Movimento anarquista, a Comuna de Paris (1870) constituiu-se, concreta e objetivamente, no “assalto ao poder” por parte do operariado, utopia que tanto estimulava as ações dos grupos socialistas. O êxito do movimento, que levou pânico às elites européias, garantiu aos revolucionários o controle da capital da França até às vésperas da Primeira Guerra Mundial.
- 15.
A unificação política da Alemanha seguiu trajetória singular. Ela se fez a despeito da mais absoluta ausência de unidade econômica entre os Estados germânicos e da adoção do mais extremado liberalismo.
Poucas vezes a incapacidade dos governos em conter o curso da história foi demonstrada de forma mais decisiva do que na geração pós-1815. Evitar uma segunda Revolução Francesa, ou, ainda, a catástrofe pior de uma revolução européia generalizada tendo como modelo a francesa, foi o objetivo supremo de todas as potências que tinham gasto mais de 20 anos para derrotar a primeira, até mesmo dos britânicos, que não simpatizavam com os absolutismos reacionários que se restabeleceram em toda a Europa e sabiam muito bem que as reformas não podiam nem deviam ser evitadas, mas que temiam uma nova expansão franco-jacobina mais do que qualquer outra contingência internacional. E, ainda assim, nunca na história da Europa e poucas vezes em qualquer outro lugar, o revolucionarismo foi tão endêmico, tão geral, tão capaz de se espalhar por propaganda deliberada como por contágio espontâneo.
Eric J. Hobsbawm. A Era das Revoluções: Europa 1789-1848. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1981, p. 127.
Compreender o processo histórico protagonizado pelo século XIX e seus desdobramentos no século seguinte requer, em meio a tantos outros aspectos essenciais, o exame da trajetória seguida pelo capitalismo. A propósito desse cenário histórico, julgue (C ou E) os itens seguintes.
- 16.
A tendência à concentração de empresas e à centralização de capitais altera, na prática, as antigas formas de concorrência e elimina o antigo discurso liberal assentado no livre-cambismo, na liberdade dos mares e na condenação às práticas protecionistas.
- 17.
A partir de meados do século XIX, o sistema capitalista adquire feições novas. Sem perder suas características fundamentais e definidoras, como a propriedade privada dos meios de produção e o objetivo da acumulação, ele se torna crescentemente monopolista e financeiro.
- 18.
Instituição poderosa, com larga ascendência sobre governos e sociedades, a Igreja Católica adota, com o Papa Leão XIII, a corajosa atitude de expor sua doutrina social em um contexto de grave crise social — a depressão econômica dos anos 1870. O conteúdo da encíclica Rerum Novarum representava um convite aos católicos a combater o “capitalismo materialista” e, em decorrência, a apoiar pontos centrais do marxismo, em remota preparação ao advento da Teologia da Libertação, cem anos mais tarde.
- 19.
O equilíbrio de poder entre as potências européias tende a se romper à medida que se acirra a competição por áreas de influência e pelo domínio de territórios pelo mundo afora. Crises sucessivas, em que questões políticas, econômicas e militares se confundem com distintas expressões de nacionalismo, preparam o terreno para a eclosão da Grande Guerra de 1914.
Poucas vezes a incapacidade dos governos em conter o curso da história foi demonstrada de forma mais decisiva do que na geração pós-1815. Evitar uma segunda Revolução Francesa, ou, ainda, a catástrofe pior de uma revolução européia generalizada tendo como modelo a francesa, foi o objetivo supremo de todas as potências que tinham gasto mais de 20 anos para derrotar a primeira, até mesmo dos britânicos, que não simpatizavam com os absolutismos reacionários que se restabeleceram em toda a Europa e sabiam muito bem que as reformas não podiam nem deviam ser evitadas, mas que temiam uma nova expansão franco-jacobina mais do que qualquer outra contingência internacional. E, ainda assim, nunca na história da Europa e poucas vezes em qualquer outro lugar, o revolucionarismo foi tão endêmico, tão geral, tão capaz de se espalhar por propaganda deliberada como por contágio espontâneo.
Eric J. Hobsbawm. A Era das Revoluções: Europa 1789-1848. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1981, p. 127.
O texto se reporta ao período da história do mundo ocidental conhecido como Era Revolucionária. Em linhas gerais, entre as últimas décadas do século XVIII e a primeira metade do século XIX, assiste-se ao confronto entre as forças sociais que se batiam pela superação do Antigo Regime e as que defendiam a manutenção dele, ainda que sob condições e intensidade variáveis. Nesse contexto, com referência à Revolução Francesa, julgue o item a seguir.
- 20.
Graças a Napoleão Bonaparte, liderança que emergiu na última fase da Revolução Francesa, o processo revolucionário iniciado em 1789 adquiriu feições de movimento essencialmente popular, como demonstra o isolamento político da classe burguesa.
- 21.
Por simbolizar a luta contra o despotismo, a Revolução Francesa foi alvo da reação conjunta dos defensores do Antigo Regime, na qual se sobressaiu a Inglaterra, a quem convinha a manutenção da estrutura de poder absolutista para a expansão de negócios financeiros e para a abertura de mercados para seus produtos industrializados.
- 22.
O que aconteceu na França a partir de 1789 foi a explosão do sentimento generalizado de repulsa a um absolutismo crescentemente anacrônico, ainda que amenizado pelo reformismo assumido pela dinastia Bourbon, a qual empreendera estratégia de conferir ao regime ares de pretensa modernidade — o despotismo esclarecido.
- 23.
O pensamento iluminista, mesmo restrito a alguns países da Europa ocidental no transcurso do século XVIII, foi decisivo para a eclosão da Era Revolucionária. Entre seus principais expoentes, Voltaire se destaca, por ter formulado a teoria da separação dos poderes, fundamental para a contestação ao Estado absolutista.
- 24.
Entende-se a Revolução Francesa como um processo que não se esgota rapidamente, com períodos de maior ou menor intensidade do fervor revolucionário. De todas as fases desse processo, a Convenção Nacional, dominada pelos jacobinos, foi a que conferiu caráter mais radical à Revolução, de que são exemplos o fim da monarquia, a adoção do sufrágio universal e o grande número de execuções de adversários.
Poucas vezes a incapacidade dos governos em conter o curso da história foi demonstrada de forma mais decisiva do que na geração pós-1815. Evitar uma segunda Revolução Francesa, ou, ainda, a catástrofe pior de uma revolução européia generalizada tendo como modelo a francesa, foi o objetivo supremo de todas as potências que tinham gasto mais de 20 anos para derrotar a primeira, até mesmo dos britânicos, que não simpatizavam com os absolutismos reacionários que se restabeleceram em toda a Europa e sabiam muito bem que as reformas não podiam nem deviam ser evitadas, mas que temiam uma nova expansão franco-jacobina mais do que qualquer outra contingência internacional. E, ainda assim, nunca na história da Europa e poucas vezes em qualquer outro lugar, o revolucionarismo foi tão endêmico, tão geral, tão capaz de se espalhar por propaganda deliberada como por contágio espontâneo.
Eric J. Hobsbawm. A Era das Revoluções: Europa 1789-1848. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1981, p. 127.
Relativamente ao “revolucionarismo endêmico” a que o texto se refere, julgue (C ou E) os itens subseqüentes.
- 25.
Com a derrota de Bonaparte, os países vitoriosos reuniram-se em Viena, em 1815, dispostos a restaurar o status quo vigente na Europa antes de 1789, o que pode ser entendido como tentativa de dar sobrevida ao Antigo Regime.
- 26.
Quando a Era Revolucionária se esgotou, em 1848, o mapa político e social europeu em muito se aproximava do cenário pré-1789, o que demonstra ter sido o impacto da industrialização bem mais aparente que real para a configuração da nova sociedade liberal e burguesa.
- 27.
A decisão de se criar a Santa Aliança, emanada do Congresso de Viena, subordinava-se, fundamentalmente, a dois objetivos: sufocar, na Europa, novas tentativas revolucionárias que pudessem surgir no rastro da Revolução Francesa e impedir que, na América, se concretizassem os ensaios emancipacionistas das colônias.
- 28.
A trajetória política vivida pelo Brasil, da independência aos primeiros anos do Segundo Reinado, apresenta semelhanças com o quadro de sucessivas ondas revolucionárias que atingiram parte considerável da Europa na primeira metade do século XIX. Disso é exemplo a Revolução Praieira, cujo sentido social se aproxima do ideário das revoluções européias de 1848.
Com a queda do Estado Novo, grupos organizados passaram a defender projetos de sociedade, de economia, de organização social e de cultura. Retomar a tradição liberal interrompida com a Revolução de 1930 ou dar continuidade às políticas públicas intervencionistas era a discussão que passou a dominar os debates. Nacionalismo, industrialização com base em bens de capital, proposta de fortalecimento de um capitalismo nacional, criação de empresas estatais em setores estratégicos e valorização do capital humano com redes de proteção social permitiram que, na década de 50, os próprios comunistas aderissem às propostas dos trabalhistas.
Outro projeto seduziu as elites empresariais, políticas e militares, além das classes médias conservadoras. Esse projeto liberal-conservador tinha na UDN seu principal instrumento político e caracterizava-se, entre outros aspectos, pelo antigetulismo, o moralismo e o anticomunismo. Durante toda a experiência democrática brasileira, entre 1945 e 1964, ambos os projetos disputaram a preferência do eleitorado. No entanto, três momentos resultaram em situações de grande conflito: a crise de agosto de 1954, o golpe preventivo liderado pelo general Lott em novembro de 1955 e a Campanha da Legalidade de 1961.
Jorge Ferreira. Crises da República: 1954, 1955 e 1961. In: Jorge Ferreira e Lucilia de Almeida Neves Delgado (orgs.). O Brasil Republicano: o tempo da experiência democrática – da democratização de 1945 ao golpe civil-militar de 1964. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2003, p. 303-4 (com adaptações).
Resguardadas as condições específicas de cada país e os aspectos singulares e próprios de seus processos históricos, é possível proceder-se à síntese da experiência latino-americana nas últimas cinco décadas. Relativamente a esse quadro geral, julgue (C ou E) os itens subseqüentes.
- 29.
De maneira geral, o fim do ciclo autoritário na América Latina coincidiu com o esgotamento do modelo econômico por ele adotado. Não por outra razão, o retorno à democracia se fez acompanhar por novo surto de prosperidade econômica, razão direta da redução dos níveis de desigualdade social na região.
- 30.
Na Argentina, sucessivos golpes militares interromperam a experiência reformista em curso desde o final dos anos 1950 e conseguiram minar, possivelmente em definitivo, a força política que o peronismo historicamente possuíra no país.
- 31.
Líder de movimento armado similar ao empreendido pelos guerrilheiros de Sierra Maestra, Salvador Allende foi o primeiro presidente socialista da América do Sul. Com sua queda, em 1973, o país mergulhou em uma das mais truculentas ditaduras do período, que foi chefiada pelo general Augusto Pinochet.
- 32.
Regimes autoritários, normalmente chefiados por militares, prevaleceram entre os anos 60 e 80 do século passado. Mantendo sua condição de “Suíça da América Latina”, o Uruguai conseguiu ser a exceção democrática em um Cone Sul dominado por governos ditatoriais.
A condição norte-americana de superpotência consolidou-se realmente no momento da rendição da Alemanha e do Japão e da realização das conferências de Yalta e Potsdam, que selaram o encerramento da guerra. O crescimento do poderio soviético e a decadência das velhas potências européias formavam o pano de fundo para que Washington assumisse finalmente a vocação de liderança do Ocidente capitalista.
A hegemonia global dos Estados Unidos da América (EUA) traduzia-se nas esferas econômica e estratégica. Os conglomerados transnacionais americanos tornam-se grandes investidores. Na condição de credores das nações capitalistas, os EUA organizam programas voltados para a reconstrução européia (Plano Marshall) e asiática (Plano Colombo). Os acordos de Bretton Woods transformavam o dólar em “moeda do mundo”, ao estabelecerem um sistema de paridade fixa e convertibilidade entre o dólar e o ouro. Cria-se uma nova arquitetura financeira global, cujos instrumentos eram o Banco Internacional para a Reconstrução e Desenvolvimento (BIRD, ou Banco Mundial) e o Fundo Monetário Internacional (FMI).
A Guerra Fria trouxe o desenvolvimento do armamentismo nos EUA e na União Soviética, assim como, em menor escala, nos países europeus e na China. O esforço armamentista originou também o chamado Complexo Industrial-Militar, que liga o Pentágono aos conglomerados industriais fabricantes de equipamentos bélicos e atua no Poder legislativo por meio de poderosos lobbies.
Demétrio Magnoli. O Mundo Contemporâneo. São Paulo: Atual, 2004, p. 71-2 (com adaptações).
No que respeita ao novo tempo nas relações internacionais que marcou a construção dos cenários posteriores à Segunda Guerra Mundial, como expresso no texto, julgue (C ou E) os itens que se seguem.
- 33.
As posições terceiro-mundistas ganharam visibilidade internacional a partir de meados dos anos 1950. Nesse sentido, a Conferência de Bandung desempenhou o importante papel de catalisador das aspirações de jovens nações africanas e asiáticas em busca de ação mais autônoma em relação às duas superpotências, sentimento que também se difundiu por outras áreas periféricas do planeta.
- 34.
Sucessivos encontros entre as principais lideranças aliadas, no decorrer da Segunda Guerra, não foram capazes de, pelo menos, delinearem o novo sistema mundial que prevaleceria após o conflito. Foi preciso que a URSS dominasse a tecnologia nuclear para receber a concordância do Ocidente para seu propósito de fazer do Leste europeu área de sua influência direta.
- 35.
O processo de declínio da Europa Ocidental, iniciado com a Grande Guerra de 1914, consolida-se quando a Segunda Guerra Mundial chega ao fim. Expressões dessa nova realidade pós-1945 seriam, entre outras, a emergência de dois pólos de poder mundial — os EUA e a URSS — e a descolonização afro-asiática.
- 36.
O êxito do Plano Marshall deve-se menos ao montante de dólares liberados por Washington do que à abrangência da área em que foi desenvolvido. Lançado bem antes da oficialização da ruptura entre EUA e URSS, geradora do esquema bipolar que sustentou a Guerra Fria, o programa de recuperação européia patrocinado por Washington contemplou também a URSS e os países do Leste europeu.
O século XX coincidiu com a máxima expansão das categorias fundamentais do mundo moderno — sujeito e trabalho —, eixos que presidiram a atualização e exasperaram os limites do liberalismo e do socialismo, as duas grandes utopias da modernidade. Tais utopias não nasceram no século XX, mas este foi o laboratório mais distendido de todas elas, o campo concreto de experimento de suas virtualidades, das suas figuras e de sua imaginação. Talvez por isso o século XX exiba uma característica única e contraditória: parece ter sido o mais preparado e explicado pelos séculos anteriores e, simultaneamente, o que mais distanciou a humanidade de seu passado, mesmo o mais próximo, decretando o caráter obsoleto de formas de vida e sociabilidade consolidadas durante milênios.
O século XX foi o salto definitivo da humanidade para o futuro, para a história entendida como transformação permanente e fluxo contínuo do tempo em direção a um tempo de abundância e liberdade, perspectiva avalizada pela sistemática ampliação das promessas da ciência, da tecnologia, das novas modalidades de organização social e da produção material. Um século, portanto, de mandamentos utópicos que sacrificaram o passado e seus mitos, mudaram o ritmo da vida e ocidentalizaram a Terra, tornando-a mais homogênea e seduzida por semelhantes imagens de futuro. Nesse sentido, nada mais próximo e nada mais distante do século XIX do que o século XX.
Rubem Barboza Filho. Século XX: uma introdução (em forma de prefácio). In: Alberto Aggio e Milton Lahuerta (orgs.). Pensar o século XX: problemas políticos e história nacional na América Latina. São Paulo: Editora UNESP, 2003, p. 16 (com adaptações).
A partir das observações formuladas no texto, julgue (C ou E) os itens subseqüentes, considerando o desenrolar do século XX.
- 37.
Entre as características marcantes do século XX, uma enquadra-se perfeitamente no que o texto identifica como o fim “de formas de vida e sociabilidade consolidadas durante milênios”. Trata-se do fenômeno da urbanização, a alterar radicalmente, entre outros aspectos próprios da sociedade de massas, modos de pensar, consumir, morar, vestir-se, comunicar-se e locomover-se.
- 38.
Na Segunda Guerra Mundial, o Japão aliou-se à Alemanha, tal como já fizera na Primeira Guerra.
- 39.
Os regimes totalitários de direita comandaram os destinos de muitos países europeus, entre os anos 20 e 40 do século XX. O discurso nazifascista condenava o capitalismo, preconizando forte controle do Estado e das instituições políticas liberais e democráticas, consideradas incapazes de oferecer resposta rápida e satisfatória às demandas de uma sociedade em crise profunda.
- 40.
A Revolução Russa de 1917, com a coletivização dos meios de produção e o Estado posto a serviço dos trabalhadores, inaugura uma nova forma de utopia, que exerceria forte impacto na história do século XX, qual seja, a construção de uma sociedade distinta daquela que atendia aos interesses do capitalismo. A experiência soviética, contudo, ruiu em fins do século XX, não sem antes ter sido alvo de questionamento e de crítica, inclusive de setores da esquerda, quanto ao modelo político totalitário que adotara.
A condição norte-americana de superpotência consolidou-se realmente no momento da rendição da Alemanha e do Japão e da realização das conferências de Yalta e Potsdam, que selaram o encerramento da guerra. O crescimento do poderio soviético e a decadência das velhas potências européias formavam o pano de fundo para que Washington assumisse finalmente a vocação de liderança do Ocidente capitalista.
A hegemonia global dos Estados Unidos da América (EUA) traduzia-se nas esferas econômica e estratégica. Os conglomerados transnacionais americanos tornam-se grandes investidores. Na condição de credores das nações capitalistas, os EUA organizam programas voltados para a reconstrução européia (Plano Marshall) e asiática (Plano Colombo). Os acordos de Bretton Woods transformavam o dólar em “moeda do mundo”, ao estabelecerem um sistema de paridade fixa e convertibilidade entre o dólar e o ouro. Cria-se uma nova arquitetura financeira global, cujos instrumentos eram o Banco Internacional para a Reconstrução e Desenvolvimento (BIRD, ou Banco Mundial) e o Fundo Monetário Internacional (FMI).
A Guerra Fria trouxe o desenvolvimento do armamentismo nos EUA e na União Soviética, assim como, em menor escala, nos países europeus e na China. O esforço armamentista originou também o chamado Complexo Industrial-Militar, que liga o Pentágono aos conglomerados industriais fabricantes de equipamentos bélicos e atua no Poder legislativo por meio de poderosos lobbies.
Demétrio Magnoli. O Mundo Contemporâneo. São Paulo: Atual, 2004, p. 71-2 (com adaptações).
Tendo o texto como referência inicial e considerando o panorama mundial do pós-Segunda Guerra, julgue os itens seguintes.
- 41.
Sistemas militares da Guerra Fria, a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) e o Pacto de Varsóvia surgiram quase que simultaneamente e, no caso do último, a força coercitiva de Moscou garantiu a presença de todos os países comunistas europeus.
- 42.
A Crise dos Mísseis, em 1962, trouxe para o continente americano toda a carga de dramaticidade que envolvia o sistema bipolar do pós-Segunda Guerra. Após tensas negociações secretas, a URSS concordou em retirar os armamentos instalados em Cuba ante o compromisso norte-americano de não mais investir na derrubada do regime cubano.
- 43.
Presença marcante nas duas guerras mundiais do século XX, W. Churchill notabilizou-se pelo esforço de aproximar Truman (EUA) e Stalin (URSS) no pós-1945, cruzada que levou o líder britânico a ser laureado, nos anos 1950, com o Prêmio Nobel da Paz.
- 44.
Ao passo que, na primeira metade do século XIX, a Doutrina Monroe sublinhava o interesse dos EUA no hemisfério americano, a Doutrina Truman, formulada em 1947, transferia para a Europa o centro da política externa norte-americana, definindo na contenção do expansionismo soviético o eixo da estratégia a ser seguida por Washington.
O século XX coincidiu com a máxima expansão das categorias fundamentais do mundo moderno — sujeito e trabalho —, eixos que presidiram a atualização e exasperaram os limites do liberalismo e do socialismo, as duas grandes utopias da modernidade. Tais utopias não nasceram no século XX, mas este foi o laboratório mais distendido de todas elas, o campo concreto de experimento de suas virtualidades, das suas figuras e de sua imaginação. Talvez por isso o século XX exiba uma característica única e contraditória: parece ter sido o mais preparado e explicado pelos séculos anteriores e, simultaneamente, o que mais distanciou a humanidade de seu passado, mesmo o mais próximo, decretando o caráter obsoleto de formas de vida e sociabilidade consolidadas durante milênios.
O século XX foi o salto definitivo da humanidade para o futuro, para a história entendida como transformação permanente e fluxo contínuo do tempo em direção a um tempo de abundância e liberdade, perspectiva avalizada pela sistemática ampliação das promessas da ciência, da tecnologia, das novas modalidades de organização social e da produção material. Um século, portanto, de mandamentos utópicos que sacrificaram o passado e seus mitos, mudaram o ritmo da vida e ocidentalizaram a Terra, tornando-a mais homogênea e seduzida por semelhantes imagens de futuro. Nesse sentido, nada mais próximo e nada mais distante do século XIX do que o século XX.
Rubem Barboza Filho. Século XX: uma introdução (em forma de prefácio). In: Alberto Aggio e Milton Lahuerta (orgs.). Pensar o século XX: problemas políticos e história nacional na América Latina. São Paulo: Editora UNESP, 2003, p. 16 (com adaptações).
No quadro mais amplo da contemporaneidade, o texto aproxima e distingue tendências do século XIX e do século XX. Nesse contexto, julgue (C ou E) os itens seguintes.
- 45.
A Revolução Industrial consolida novas relações de produção e, ao promover a expansão imperialista, contemplando novas formas de dominação colonial, estende a atuação do moderno capitalismo às mais distantes regiões do planeta.
- 46.
Liberalismo e socialismo são duas das grandes representações do século XIX que estendem sua presença no século seguinte. Ao passo que o socialismo foi empunhado por setores da burguesia comprometidos com a justiça social e com uma face mais humanizada do capitalismo, o liberalismo mostrou, desde o primeiro momento, ser o abrigo natural dos grupos democrático-radicais.
- 47.
Ao contrário da Ásia e, particularmente, da África, ambas repartidas entre as principais potências ocidentais, a América Latina praticamente não sofreu a ação do imperialismo, o que se explica pelo fato de, em larga medida, as antigas colônias ibéricas terem conquistado sua independência na primeira metade do século XIX.
- 48.
Entre as últimas décadas do século XIX e as primeiras do século XX, as disputas imperialistas e o jogo de interesses conflitantes entre as grandes potências européias inscrevem-se entre os fatores determinantes, mas não únicos, para a eclosão da Grande Guerra de 1914.
A condição norte-americana de superpotência consolidou-se realmente no momento da rendição da Alemanha e do Japão e da realização das conferências de Yalta e Potsdam, que selaram o encerramento da guerra. O crescimento do poderio soviético e a decadência das velhas potências européias formavam o pano de fundo para que Washington assumisse finalmente a vocação de liderança do Ocidente capitalista.
A hegemonia global dos Estados Unidos da América (EUA) traduzia-se nas esferas econômica e estratégica. Os conglomerados transnacionais americanos tornam-se grandes investidores. Na condição de credores das nações capitalistas, os EUA organizam programas voltados para a reconstrução européia (Plano Marshall) e asiática (Plano Colombo). Os acordos de Bretton Woods transformavam o dólar em “moeda do mundo”, ao estabelecerem um sistema de paridade fixa e convertibilidade entre o dólar e o ouro. Cria-se uma nova arquitetura financeira global, cujos instrumentos eram o Banco Internacional para a Reconstrução e Desenvolvimento (BIRD, ou Banco Mundial) e o Fundo Monetário Internacional (FMI).
A Guerra Fria trouxe o desenvolvimento do armamentismo nos EUA e na União Soviética, assim como, em menor escala, nos países europeus e na China. O esforço armamentista originou também o chamado Complexo Industrial-Militar, que liga o Pentágono aos conglomerados industriais fabricantes de equipamentos bélicos e atua no Poder legislativo por meio de poderosos lobbies.
Demétrio Magnoli. O Mundo Contemporâneo. São Paulo: Atual, 2004, p. 71-2 (com adaptações).
Ainda com referência ao cenário mundial do pós-Segunda Guerra Mundial, julgue os itens seguintes.
- 49.
Bretton Woods, Dumbarton Oaks, Ialta, Potsdam e São Francisco foram algumas das mais importantes reuniões ocorridas na etapa final da Segunda Guerra, quando aspectos fundamentais da ordem econômica e política, a vigorar após a cessação das hostilidades, foram fixadas mediante arranjos diplomáticos e militares.
- 50.
Há consenso entre os especialistas de que o fracasso do sistema financeiro criado em Bretton Woods decorre de seu conservadorismo original e de sua pouca criatividade, responsáveis pelos sucessivos sobressaltos e pelo crescente fechamento da economia mundial pós-1945.
- 51.
Impedir a conversibilidade das moedas e restringir as facilidades de câmbio, como instrumentos necessários ao equilíbrio das finanças mundiais, eram, em síntese, os principais objetivos determinantes para a criação do FMI, os quais marcam sua atuação até hoje.
- 52.
Após o fim da Segunda Guerra, já em clima de paz, a Conferência de Bretton Woods criou duas importantes instituições: o Banco Internacional de Reconstrução e Desenvolvimento (Banco Mundial) e o Fundo Monetário Internacional (FMI).
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