História Mundial — CACD 2005
CESPE/UnB · CACD – 1ª fase (TPS) · 40 itens · julgue cada item como Certo ou Errado
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Cadastre-seTexto III
P. E. Grinberg e A. A. Luz. Revoluções artístico-culturais no século XX. In: F. C. Teixeira da Silva (coord.). Século sombrio: guerras e revoluções do século XX. Rio de Janeiro: Elsevier (com adaptações).
Na segunda metade do século XIX, o imperialismo — inclusive por sua vertente neocolonialista — atesta o grau de desenvolvimento do capitalismo e sua incessante busca de conquista dos mercados mundiais. A respeito desse processo de expansão, julgue (C ou E) os itens seguintes.
- 1.
O surgimento de uma Alemanha unificada, a partir de 1870, adicionou elemento novo e potencialmente explosivo na acirrada competição por colônias e mercados encetada pelas potências industrializadas. Esse novo elemento está na raiz de sucessivas crises que, em princípios do século XX, desnudaram a precariedade do equilíbrio de poder e do quadro de paz existente na Europa.
- 2.
A fragilidade do Estado chinês, imerso em profunda crise interna, facilitou a presença, nesse país, do imperialismo ocidental na segunda metade do século XIX. Em pouco tempo, boa parte do litoral da China passou ao controle das potências ocidentais e, graças a tratados desiguais, a elas foi conferido o direito de extraterritorialidade.
- 3.
Foge aos padrões tradicionais a forma pela qual o Japão reagiu às pressões externas para que abrisse seu mercado ao comércio internacional. A Era Meiji, iniciada nesse contexto de expansão do capitalismo, significou a decisão de se proceder à modernização do país, inserindo-o na nova economia mundial, sem que se abdicasse da soberania.
- 4.
A Conferência de Berlim, em fins da década de 80, tratou da partilha da África entre os grandes Estados europeus. Digna de destaque foi a preocupação registrada no documento oficial do encontro, qual seja, a de se respeitar a identidade étnico-cultural dos povos africanos no momento da definição das fronteiras coloniais.
Texto III
P. E. Grinberg e A. A. Luz. Revoluções artístico-culturais no século XX. In: F. C. Teixeira da Silva (coord.). Século sombrio: guerras e revoluções do século XX. Rio de Janeiro: Elsevier (com adaptações).
Tomando o texto III como referência inicial e considerando o cenário econômico mundial na passagem do século XIX ao século XX, julgue (C ou E) os próximos itens.
- 5.
A inexistência de crises mais pronunciadas no sistema capitalista, ao longo da segunda metade do século XIX, reforçava o ponto de vista de governos e de grandes e m p re s á r io s n o t o c a n t e à p e r e n id a d e d o desenvolvimento material que estava em marcha.
- 6.
Assinada pelo Papa Leão XIII em 1891, a encíclica Rerum Novarum, primeira grande manifestação oficial da Igreja Católica para a elaboração de uma doutrina social-cristã, ao mesmo tempo em que atacava firmemente os excessos da exploração capitalista, expressava sutil apoio às teses socialistas.
- 7.
As transformações verificadas no sistema produtivo capitalista, a partir de meados do século XIX, tiveram na substituição do ferro e do carvão pelo aço e pela eletricidade o ponto de partida para a configuração da moderna industrialização.
- 8.
As últimas décadas do século XIX assistiram à disseminação da crença burguesa em um progresso ilimitado, do qual as exposições universais — tal como a citada no texto — eram símbolos poderosos.
Texto III
P. E. Grinberg e A. A. Luz. Revoluções artístico-culturais no século XX. In: F. C. Teixeira da Silva (coord.). Século sombrio: guerras e revoluções do século XX. Rio de Janeiro: Elsevier (com adaptações).
Com o auxílio do texto III, julgue (C ou E) os itens seguintes, considerando o século XIX como o laboratório em que foi gerado o século XX, a despeito das singularidades de cada um dos períodos.
- 9.
Nos anos 20 do século passado, o cinema mudo alcançou seu apogeu. Hollywood despontou com uma produção marcante, em que se destacaram a comédia — aponte-se o sucesso de Charles Chaplin — e as chamadas superproduções, que tiveram em Cecil B. de Mille sua mais fulgurante estrela.
- 10.
Provavelmente em razão da crise que sobreveio à Primeira Guerra Mundial, os anos 20 do século passado foram marcadamente pobres em produção literária, não se registrando textos que tenham merecido a atenção dos leitores e influeciado as gerações seguintes.
- 11.
O Romantismo, espécie de escoadouro de aspirações e perplexidades típicas do século XIX, encontrou, nas primeiras décadas do século XX, o espaço ideal para se expandir, particularmente, na literatura, na música erudita e nas artes plásticas.
- 12.
Apesar de seu reduzido impacto científico, a teoria da relatividade, exposta pelo físico alemão Albert Einstein em 1905, repercutiu intensamente no campo da produção artística, estimulando o surgimento de obras sintonizadas com a concepção de um espaço estático e inflexível, de que decorreram trabalhos essencialmente subord inados ao form alismo acadêmico, ao conformismo burguês e à utilização de cores suaves.
Texto III
P. E. Grinberg e A. A. Luz. Revoluções artístico-culturais no século XX. In: F. C. Teixeira da Silva (coord.). Século sombrio: guerras e revoluções do século XX. Rio de Janeiro: Elsevier (com adaptações).
Considerando-se os dados estritamente cronológicos, a exposição a que se refere o texto III ocorreu no último ano do século XIX. Tempo das revoluções, como é conhecido, o século XIX é também assinalado por grandes representações, a exemplo do industrialismo, do liberalismo, do nacionalismo e do socialismo. Julgue (C ou E) os itens a seguir, relativos ao quadro revolucionário de fins do século XVIII e da primeira metade do século XIX.
- 13.
Na Europa, ondas revolucionárias em 1820, 1830 e 1848 demonstram não ter sido tarefa simples o aniquilamento do Antigo Regime, o qual, após o vendaval revolucionário francês, ganhou certo fôlego restauracionista com a queda de Napoleão Bonaparte.
- 14.
Pode-se afirmar que o processo revolucionário vivido pela Europa Ocidental apresentava, até 1848, clara simetria entre suas duas frentes — a econômica, representada pela Revolução Industrial, e a política, representada pelas revoluções liberais. A partir de 1848, a unidade se rompeu, e a bandeira do liberalismo burguês assumiu contornos cada vez mais conservadores.
- 15.
A Revolução Francesa, iniciada em 1789, conheceu longa e complexa travessia em suas etapas. Ao ser concluída, com a era napoleônica, estavam parcial ou totalmente destruídas muitas das bases sobre as quais se assentava o Antigo Regime.
- 16.
Historicamente, a independência das 13 colônias inglesas da América do Norte, em 1776, a qual integra o cenário em que se desenrolou a Revolução Francesa, exerceu notória influência nos movimentos de emancipação política das colônias ibéricas no continente americano.
Texto IV
J. J. de Arruda. A crise do capitalismo. D. A. Reis Filho, J. Ferreira, C. Zenha (orgs.). In: O século XX. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2000, p. 22 (com adaptações).
O texto IV faz do ano de 1939 — não por acaso, o que assinala o início da Segunda Guerra Mundial (1939–1945) — seu marco cronológico final. A propósito desse conflito, cujo caráter mundial é bem mais acentuado do que o daquele que o antecedeu, julgue (C ou E) os itens subseqüentes.
- 17.
Entre os múltiplos fatores que levaram à Segunda Guerra, um dos mais determinantes foi a acentuada desestruturação da economia mundial, que, mal recuperada dos efeitos da Primeira Guerra, sucumbiu ao quadro de profunda depressão advinda do crash financeiro nova-iorquino.
- 18.
Nos encontros entre os líderes aliados, na etapa final da Segunda Guerra, traçou-se a estratégia de uma nova ordem internacional, na qual ficaram nítidas a força e a intenção dos vitoriosos de conter o poderio dos integrantes do Eixo.
- 19.
Apesar de ter participado diretamente do conflito, ao ceder bases aéreas e navais no Nordeste, ao constituir a Força Aérea Brasileira (FAB) e ao enviar para a Itália os contingentes da Força Expedicionária Brasileira (FEB), o Brasil do Estado de Novo getulista passou ao largo dos efeitos democratizantes trazidos pelo término da guerra, com a derrota do totalitarismo nazifascista.
- 20.
Apesar de não-expansionistas, os regimes nazifascistas contribuíram para que a Segunda Guerra Mundial acontecesse ao insistirem nos métodos econômicos intervencionistas e nos maciços investimentos militares.
Quando a Segunda Guerra chegou ao fim, a realidade mundial era outra, bem distante da que existia antes de 1939. A aliança entre norte-americanos e soviéticos durante o conflito, vital para a derrota do Eixo nazifascista, desfez-se e foi substituída pela acirrada disputa por zonas de influência em escala planetária. A propósito desse novo quadro mundial, julgue (C ou E) os itens seguintes.
- 21.
O Plano Marshall foi uma decisão estratégica tomada pelos EUA, tendo em vista a recuperação de uma Europa devastada pela guerra. Embora não discriminasse nenhuma área, tendo concedido empréstimos aos países do Leste, Washington evidenciava seu interesse em proteger as economias capitalistas européias de eventual tentação de seguir o modelo socialista soviético.
- 22.
A Organização das Nações Unidas (ONU), cujo desenho básico fora traçado ainda durante a Segunda Guerra, nasceu para repetir, com pequenas e superficiais alterações, a vitoriosa trajetória da Liga das Nações, organismo surgido no pós-Primeira Guerra por sugestão do presidente norte-americano Woodrow Wilson.
- 23.
A vitória de Mao Tsé-tung, depois de longa guerra civil entre comunistas e nacionalistas do Kuomintang, possibilitou a proclamação da República Popular da China, em 1949. Extensão territorial, gigantismo demográfico e força militar da nova potência comunista asiática foram levados na devida conta pelos EUA para que, de imediato, o regime de Mao fosse reconhecido e seu país tomasse assento no Conselho de Segurança da ONU.
- 24.
O colapso da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, ao final da década de 80, deveu-se às contradições internas de um regime incapaz mesmo de admitir a necessidade de reformas que dinamizassem a economia e trouxessem mais transparência às ações políticas.
Texto IV
J. J. de Arruda. A crise do capitalismo. D. A. Reis Filho, J. Ferreira, C. Zenha (orgs.). In: O século XX. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2000, p. 22 (com adaptações).
Não são poucos os historiadores que vêem na Primeira Guerra Mundial (1914-1918) o fim do historicamente longo século XIX. Quer pela complexidade de suas causas, quer por seus efeitos profundos, um dos quais a vitória bolchevique na Rússia, a Grande Guerra assinala o epílogo de uma era e o início propriamente dito do século XX. A esse respeito, julgue (C ou E) os itens seguintes.
- 25.
Entre os fatores determinantes para a eclosão do conflito mundial em 1914, podem ser destacados o exacerbado nacionalismo — não raro revestido das cores da xenofobia — e as disputas ditadas pelos interesses imperialistas.
- 26.
A rápida ascensão da Alemanha no pós-1870 constituiu fator desestabilizante no cenário europeu. Ainda que tenha mantido permanente aliança econômica com a Grã-Bretanha, sua disputa com a França por influência política criou condições propícias à guerra.
- 27.
A expressão “paz armada” consagrou-se como a melhor caracterização do cenário europeu nos anos imediatamente anteriores a 1914. Nesse contexto, por temerem as conseqüências da guerra, os diversos Estados renunciaram à velha prática da diplomacia secreta visto que esta os amarraria a uma perigosa teia de acordos militares.
- 28.
Impulsionada pelas circunstâncias da guerra, que explicitaram ainda mais a grave situação interna da Rússia, a Revolução Russa de 1917 significou a primeira grande fissura na unidade capitalista que a Revolução Industrial e as revoluções liberais burguesas haviam começado a edificar desde as últimas décadas do século XVIII.
Texto IV
J. J. de Arruda. A crise do capitalismo. D. A. Reis Filho, J. Ferreira, C. Zenha (orgs.). In: O século XX. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2000, p. 22 (com adaptações).
O curto período entre as duas guerras mundiais do século em XX (1919–1939) testemunhou a crise profunda do modelo econômico e político liberal. No que concerne a esse quadro histórico, julgue (C ou E) os itens seguintes, ainda considerando o texto IV.
- 29.
As práticas intervencionistas, às quais o texto alude, decorreram da necessidade imperiosa de se enfrentar a Grande Depressão que se seguiu à Crise de 1929 e foram implementadas por quase todos os países. A esse respeito, notável exceção se deu nos EUA, onde nem mesmo o New Deal conseguiu arranhar os sólidos princípios liberais, que sempre caracterizaram a economia e as instituições políticas norte-americanas.
- 30.
A entrada dos EUA na etapa final do conflito (1917) foi decisiva para selar a derrota dos chamados impérios centrais. Terminada a guerra, esse país viu-se na inovadora condição de grande credor internacional, com excepcionais condições de se transformar em potência mundial.
- 31.
A humilhante derrota militar da Alemanha, que chegou ao fim da Primeira Guerra invadida e ocupada pelas tropas inimigas, determinou a queda do regime monárquico nesse país e a ascensão ao poder das forças socialistas — República de Weimar.
- 32.
Sob o ponto de vista político, a crise do Estado liberal que se seguiu à Grande Guerra de 1914 materializou-se, sobretudo, na ascensão de regimes totalitários, dos quais as mais diversas formas de fascismo seriam exemplos exponenciais.
Texto VI
A. J. Barbosa. Parlamento, política externa e o golpe de 1964. In: E. C. de R. Martins (Org.). Relações internacionais: visões do Brasil e da América Latina. Brasília: IBRI, 2003, p. 251 e 254 (com adaptações).
Na conjuntura mundial de que trata o texto VI, uma das mais significativas manifestações de que um novo cenário nascia dos escombros da Segunda Guerra Mundial foi a emergência afro-asiática. Com efeito, enquanto Moscou e Washington concebiam o mundo como condomínio a ser disputado por dois síndicos poderosos, consolidava-se o processo de afirmação nacional na Ásia e, na África, avançava o movimento anticolonial. Tendo em vista esses acontecimentos, julgue (C ou E) os itens subseqüentes.
- 33.
Considera-se o ano de 1947 a data simbólica do início da dissolução dos impérios coloniais: é a data da independência da Índia e de sua partilha entre hindus e muçulmanos, que resultou na criação do Paquistão.
- 34.
O processo de emancipação dos povos colonizados não seguiu um modelo-padrão, variou de região para região e foi contingenciado por fatores diversos, entre os quais, os métodos utilizados pelo colonizador e as condições internas de cada colônia.
- 35.
Nas colônias ou nas metrópoles, não foram poucos os intelectuais que assumiram a luta emancipacionista. Nesse sentido, um exemplo se impõe: o de Jean-Paul Sartre, que se notabilizou como a grande voz da consciência européia contra o colonialismo.
- 36.
Na Conferência de Bandung (Indonésia, 1955), 29 países procuraram materializar o conceito de Terceiro Mundo, pronunciaram-se pelo neutralismo em face do sistema bipolar e comprometeram-se a apoiar a luta pela libertação dos povos ainda colonizados.
Texto VI
A. J. Barbosa. Parlamento, política externa e o golpe de 1964. In: E. C. de R. Martins (Org.). Relações internacionais: visões do Brasil e da América Latina. Brasília: IBRI, 2003, p. 251 e 254 (com adaptações).
Considerando a conjuntura apresentada no texto VI, verifica-se que, passados cerca de trinta anos, a realidade mundial era muito distinta da existente naqueles convulsionados anos 60. No que concerne ao novo quadro histórico que começou a ser consolidado na década de 80 do século XX, julgue (C ou E) os itens que se seguem.
- 37.
Em uma economia que mais e mais aprofundava seu caráter global, a formação de blocos regionais e continentais passou a ser uma tendência, o que se justifica, entre outras motivações, pela necessidade de juntar forças para a atuação em um mercado acentuadamente competitivo.
- 38.
Há consenso entre os especialistas para explicar as dificuldades aparentemente intransponíveis encontradas pela União Européia (UE) em seu esforço para se transformar em um bloco continental poderoso. Para esses observadores, a falha da UE consistiu em voltar-se exclusivamente para as questões econômicas, deixando de lado aspectos políticos, sociais e culturais.
- 39.
Brasil e Argentina, quando governados, respectiva-mente, por José Sarney e Raúl Alfonsín, iniciaram um processo de aproximação cujo desdobramento foi a co nstituiç ã o d o M e rc a d o C o m um d o Sul (MERCOSUL), que incorporou dois outros sócios — Paraguai e Uruguai.
- 40.
Nos anos 80, havia uma nítida convergência das posições do governo dos EUA e do governo do Reino Unido. Com efeito, a Era Reagan-Thatcher notabilizou-se pela ação moderada e tolerante na política externa e, sob a ótica da economia, por ter levado ao extremo a defesa do Estado de Bem-Estar Social.
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